Editado em 02/06/2026, às 18h35, para inclusão de nota da Mirae Asset Brasil
Editado em 02/06/2026, às 8h33, para inclusão de nota do Banco Genial
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) rejeitou, por três votos a um, as contas do ex-governador Cláudio Castro (PL) referentes ao exercício de 2025. O parecer segue agora para a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que tem a palavra final sobre a aprovação ou rejeição, e que, até o momento, ainda não votou sequer as contas de 2024.
A sessão foi retomada nesta segunda-feira (1º), quatro dias após ser suspensa por pedido de vista do conselheiro Christiano Lacerda. Na sessão anterior, o relator Rodrigo Melo Nascimento havia votado pela aprovação com ressalvas. O conselheiro José Gomes Graciosa divergiu e apresentou voto pela rejeição, apontando irregularidades em investimentos financeiros realizados pelo estado, posição que acabou prevalecendo, acompanhada também pelos conselheiros Marcelo Verdini Maia e Christiano Lacerda.
O conselheiro Thiago Pampolha participou da sessão, mas ficou impedido de votar por ter exercido o cargo de vice-governador na gestão Castro.
Graciosa colocou sob suspeita operações que, somadas, chegam a R$ 5,01 bilhões, distribuídas entre três instituições financeiras:
- R$ 903 milhões no Banco Master;
- R$ 2,06 bilhões na Mirae Asset;
- R$ 1,7 bilhão no Banco Genial.
No caso do Master, a Polícia Federal aponta que os investimentos do governo do Rio, via Rioprevidência, chegaram a R$ 3,7 bilhões. A instituição foi liquidada no fim de 2025 e seu controlador, Daniel Vorcaro, está preso.
Segundo o conselheiro, a auditoria identificou uma superavaliação de R$ 1,13 bilhão no ativo circulante do Rioprevidência, decorrente da ausência de provisão para perdas relacionadas a esses investimentos.
A Mirae Asset, conglomerado sul-coreano, aparece em investigações da Polícia Federal sobre supostos irregularidades em investimentos da Amazonprev, fundo previdenciário do Amazonas. Já o Banco Genial foi alvo de bloqueio de R$ 176 milhões determinado pela Secretaria da Fazenda de São Paulo em ação envolvendo empresas investigadas por suposta ligação com o PCC.
Graciosa pediu ainda a realização de auditorias para apurar possíveis irregularidades na Refit (antiga Refinaria de Manguinhos) e nos benefícios fiscais concedidos pelo governo estadual.
Possível nova inelegibilidade
O TCE tem até quarta-feira (3) para encaminhar o relatório à Alerj, que ainda não tem prazo definido para apreciá-lo. Se os deputados rejeitarem as contas, Castro pode acumular mais um impedimento eleitoral.
Em março, o ex-governador já havia sido condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, ficando inelegível por oito anos.
O que dizem os envolvidos
Em nota, Castro afirmou lamentar o parecer e destacou que a decisão contraria manifestações anteriores do corpo técnico do tribunal e do Ministério Público de Contas, que haviam se pronunciado favoravelmente. O ex-governador defendeu que todas as operações do Rioprevidência seguiram normas técnicas e de governança, e que, diante dos questionamentos, o próprio governo tomou medidas de controle, incluindo o afastamento da presidência da autarquia.
O governo do Estado informou que realiza auditoria ampla na gestão das secretarias e entidades da administração anterior, com o objetivo de garantir o uso adequado dos recursos públicos.
A Mirae Asset esclareceu que prestou apenas serviços de custódia ao Rioprevidência, sem intermediação na compra e venda de ativos, e que cumpre todas as normas dos reguladores brasileiros. O Banco Genial, por sua vez, afirmou que suas operações com o fundo seguiram integralmente as normas técnicas e de compliance, descrevendo as transações como serviços regulares de custódia e aplicações com rentabilidade positiva e liquidez total.
NOTA DO BANCO GENIAL
As operações do Banco Genial com a Rioprevidência seguem todas as normas técnicas e de compliance, dentro da mais absoluta legalidade, sendo que o Banco Genial é uma instituição financeira devidamente credenciada junto ao fundo.
Em relação à menção à instituição durante o julgamento das contas do Governo do Estado do Rio de Janeiro pelo TCE-RJ, o Banco Genial esclarece que os valores citados referem-se a operações realizadas pelo Rioprevidência no âmbito de serviços financeiros regularmente prestados pela instituição. Entre essas operações estão serviços de custódia de ativos financeiros e operações de aplicação e resgate de investimentos.
O Banco Genial possui mais de 15 anos de atuação no mercado financeiro, com trajetória de crescimento consistente, tendo alcançado mais de 3 milhões de clientes e mais de R$ 280 bilhões em ativos sob custódia, pautando sua atuação pelos mais elevados padrões de governança, controles internos e estrita observância das exigências regulatórias aplicáveis às instituições financeiras.
O Banco Genial reafirma seu compromisso com a transparência, integridade e cumprimento das obrigações regulatórias.
NOTA DA MIRAE ASSET
A Mirae Asset Brasil informa que é uma das corretoras de valores habilitadas, conforme Credenciamento realizado pelo Rio Previdência, para prestar serviços de custódia de valores mobiliários, e que não participou da intermediação –compra e venda— desses ativos.
Esclarece ainda que cumpriu a solicitação, feita pela Gerência de Operações e Investimentos do Rio Previdência, para que ativos que estavam custodiados em outra corretora fossem transferidos para a custódia da Mirae Asset.
Importante destacar que, assim como dos demais clientes para os quais são prestados esse serviço, não houve a cobrança de taxa de custódia do Rioprevidência.
Aproveitamos para reiterar que a corretora segue todas as normas dos reguladores brasileiros, CVM e Bacen, e rígidos controles internos de compliance.
*Com informações do g1.
Matéria atualizada em 2 de junho, para inclusão do posicionamento da Mirae Asset.
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