15 de junho de 2026

Crise do Master está na Faria Lima, segundo Gilmar Mendes

Em entrevista, decano do STF defendeu o inquérito das fake news e afirmou que crise do Banco Master é do sistema financeiro
Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Gustavo Moreno/STF

Ministro Gilmar Mendes atribui crise do Banco Master a problemas sistêmicos no mercado financeiro, não ao STF.
Investigações envolvem relações entre ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ministros do STF, sem ligação direta comprovada.
Gilmar Mendes defende continuidade do inquérito das fake news devido à radicalização política e ameaças ao Judiciário.

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A crise envolvendo o Banco Master vem sendo atribuída de forma equivocada ao Supremo Tribunal Federal (STF) quando, na verdade, o problema é “sistêmico” e tem origem no mercado financeiro, especialmente na Faria Lima, em São Paulo, segundo o ministro Gilmar Mendes, decano da Corte.

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A declaração ocorre em meio às investigações sobre relações entre integrantes do Judiciário e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nome ligado ao Banco Master. O caso ganhou repercussão após revelações sobre contatos de Vorcaro com ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Gilmar Mendes afirma que existe uma tentativa de transferir ao STF a responsabilidade por uma crise que, na avaliação dele, deveria recair sobre órgãos de fiscalização do sistema financeiro. O ministro citou a atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central ao comentar o caso.

O ministro também comentou as investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre negócios ligados a familiares de Dias Toffoli e relações entre Vorcaro e integrantes da Corte.

Segundo Gilmar Mendes, eventuais responsabilidades estão sendo apuradas pelas autoridades competentes, mas ponderou que a existência de vínculos pessoais ou comerciais não estabelece, automaticamente, relação de causa e efeito em irregularidades investigadas.

Inquérito das fake news deve continuar

A entrevista também abordou a defesa da continuidade do inquérito das fake news, conduzido pelo STF desde 2019. Gilmar Mendes afirmou que o ambiente político segue marcado pela radicalização e pelo acirramento eleitoral, o que justificaria a manutenção das investigações.

Para o ministro, episódios recentes envolvendo ataques a integrantes do Judiciário e disseminação de desinformação demonstram que a ameaça institucional ainda persiste. Ele citou, como exemplo, os desdobramentos da CPI do Crime Organizado, que mencionou ministros da Corte e o procurador-geral da República.

A declaração ocorre em um momento em que o presidente do STF, Edson Fachin, discute internamente a possibilidade de encerramento do inquérito das fake news.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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