A história do juiz que é “herói” e inspiração para Sergio Moro na Lava Jato

 
Jornal GGN – O juiz federal Sergio Moro aparece no portal Jota, nesta semana, sugerindo uma lista com 10 livros que considera de leitura obrigatória para estudantes de Direito no atual contexto. Entre, eles, o “Cosa Nostra: O juiz e os homens de honra”, de Giovanni Falcone, com Marcelle Padovani.
 
Para convencer de que a obra é boa, Moro fez o seguinte comentário: “Se há algum juiz que merece o rótulo de herói, trata-se de Giovanni Falcone, que se notabilizou pelo sucesso em processos contra a Máfia na década de 80 em Palermo [Itália]. O livro contém diversos relatos e lições importantes do magistrado. Indispensável.”
 
Em novembro de 2015, quando teve a oportunidade de brilhar em um dos almoços organizados pelo grupo LIDE, de João Doria (PSDB), Moro revelou que pensa em Falcone sempre que a pressão por conta da Lava Jato fica insuportável.
 
“Nos momentos de dificuldade, leio livros sobre Giovanni Falcone e vejo que os casos nos quais ele atuava eram muito mais profundos que o meu. Então sigo em frente”, comentou.
 
Falcone e Paolo Borselinno, o segundo juiz do “maxiprocesso” contra a Casa Nostra siciliana, morreram em 1992, após a confirmação da sentença condenatória de vários membros da organização mafiosa. 
 
Os acusados do atentado à bomba, à época, eram membros da própria máfia, obviamente. Mas em 2009 a Promotoria de solicitou a reabertura do processo, após encontrar evidências de que políticos participaram do assassinato. Inclusive, agentes do serviço secreto italiano.
 
Diante da história, Moro foi questionado, no evento do LIDE, se tinha medo de ter o mesmo destino que seu herói, Falcone. O juiz curitibano respondeu que não se sentia confortável para falar sobre isso.
 
A dura trajetória de Falcone guarda semelhanças com a de Moro de outra maneira. Falcone tocou na Itália o primeiro grande processo contra poderosos apoiado em delações premiadas.
 
O juiz, natural de Roma, “elaborou e conseguiu aprovar uma legislação que beneficiava os chamados colaboradores da Justiça, popularmente denominados pentiti (arrependidos).” No Brasil, eles ganharam a alcunha de “delatores”, no caso da Lava Jato.
 
O principal delator que colaborou com o maxiprocesso de Falcone, em troca do perdão da Justiça, foi o mafioso Tommaso Buscetta, preso no Brasil. “Buscetta, casado com a brasileira Maria Cristina Guimarães, foi o primeiro colaborador do maxiprocesso e as suas delações, apelidadas de Teorema Buscetta, foram dadas como confiáveis pela Corte de Cassação, a mais alta corte de Justiça como acima ressaltado.”
 
Dizem que o colaborador também avisou a Falcone que o processo não teria outro desfecho se não a sua morte. Isso não freou o juiz, que ainda compartilhou seu principal colaborar com autoridades dos Estados Unidos que investigavam as teias da Casa Nostra sículo-norte-americana.
 
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3 comentários

  1. o menino moro leu e não entendeu

    O juizeco de primeira instancia do estado agrícola do sul erra nas bases e premissas.

    Máfia e seus negócios de drogas, homicídios, trafego de armas e gente, prostituição e quanto mais, são de outra esfera do crime.

    As negociatas entre o mundo dos negócios e a politica não são classificáveis naquilo que é o core business da máfia.

    Os efeitos perversos na sociedade podem até se assemelhar, mas não é a mesma coisa.

    Lembro que na bota o instituto da delação dei “pentiti” foi apenas para o crime organizado de origem mafiosa, colocar a lava jato nesta classificação é a jabuticaba deste juizeco.

    Tantos anos de direito e tanta literatura a disposição e tanto concurso o resultado é uma lastima.

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