Álvaro Antônio nega candidaturas laranjas e minimiza caixa 2 durante convocação no Senado

Ministro do Turismo depôs em audiência pública na Comissão de Fiscalização e Controle da casa onde maioria dos parlamentares demonstraram solidariedade a ele

Marcelo Álvaro Antônio. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Jornal GGN – O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, depôs nesta terça-feira (22) em uma audiência pública convocada na Comissão de Fiscalização e Controle (CTFC), no Senado.

Durante as 2 horas e 35 minutos em que permaneceu na sessão, ele negou a existência de candidaturas de faixada no PSL de Minas Gerais, onde atuou como presidente no ano passado. Álvaro Antônio foi denunciado e indiciado pelo Ministério Público de Minas Gerais e Polícia Federal, junto com outras 11 pessoas do partido, sob a acusação de desvios de dinheiro do fundo eleitoral direcionado para campanhas de mulheres que foram usadas como candidatas laranjas do PSL.

Segundo apurações, no ano eleitoral, o PSL repassou R$ 279 mil para quatro candidatas que tiveram desempenho insignificante nas eleições passadas. Além disso, parte do dinheiro que receberam foi aplicado em empresas ligadas aos assessores do ministro para a produção de materiais de campanha.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do requerimento que convocou o ministro, questionou Álvaro Antônio sobre contratos firmados durante a campanha pelo PSL com uma empresa posteriormente fechada, pertencente a Mateus Von Rondon, nomeado depois como assessor dele no Ministério do Turismo. Von Rondon foi preso em junho, por suposto envolvimento no esquema de candidaturas- laranjas.

O ministro defendeu seu assessor dizendo que a empresa dele era especializada em marketing político e teve outros clientes nas eleições passadas, não apenas o PSL.

Randolfe prosseguiu pedindo esclarecimentos sobre as acusações de uma candidata a deputada pelo PSL mineiro, Zuleide Oliveira, de que o ministro teria pedido de volta, pessoalmente, dinheiro público do fundo partidário.

Álvaro Antônio argumentou que, no dia em que as câmeras registraram presença de Zuleide na sede do partido em Minas Gerais, ele estaria a mais de 300 quilômetros do local.

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Randolfe prosseguiu, citando o depoimento de outra candidata laranja, pelo PSL, Cleuzenir Barbosa. Segundo ela, Álvaro Antônio teria pedido de volta R4 50 mil dos R$ 60 mil recebidos do fundo partidário. O ministro disse que a acusação de Cleuzenir começou logo após ter perdido o pleito e que ele foi ameaçado por ela “que faria um estrago” na sua vida se não conseguisse empregos para familiares da ex-candidata.

“Dois dias depois, essa mulher simples deixou o país com a família inteira rumo a Portugal, e eu gostaria de saber quem os mantém lá”, acusa o ministro. Em uma entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, Cleuzenir contou que saiu do país com medo de retaliações do agora ministro Marcelo Álvaro Antônio.

O senador Randolfe também perguntou sobre declarações da deputada Alê Silva (PSL-MG) de que teria sido ameaçada pelo ministro do Turismo durante uma reunião do comitê estadual. Álvaro Antônio se limitou a dizer que a parlamentar mentiu porque se sentou ressentida pelo fato de um suplente dele, deputado deputado Enéas Reis (PSL-MG), ter assumido prerrogativas que Alê Silva julgava serem dela na região do Vale do Aço, em Minas Gerais.

Sobre a declaração de outra parlamentar, a deputada Dra. Soraya Manato (PSL-ES) que, no Plenário da Câmara, admitiu o uso de laranjas por partidos políticos, o ministro do Turismo disse que ela estaria falando de outros estados e outros partidos.

Durante uma sessão na Câmara, no dia 15 de outubro, a Soraya disparou: “Não tem ninguém santo aqui. Tem laranja em tudo que é partido. Aqui no PSL tiveram candidatos laranja, mas a grande maioria foi eleito honestamente.”

Antes de ser questionado, Marcelo Álvaro Antônio teve um momento de fala, que abriu a sessão. Ele classificou as denúncias como infundadas, apontando que, após nove meses de investigação pela Polícia Federal e Ministério Público, órgãos da imprensa e adversários políticos, nada foi concluído.

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“Foram mais de 80 pessoas ouvidas, houve buscas e apreensões inclusive de celulares e não houve qualquer materialidade contra mim. Mesmo assim, fui denunciado e indiciado com base na teoria do domínio do fato”.

Domínio do fato é a tese segundo a qual o ocupante do cargo mais alto de um esquema nem sempre atua diretamente nas fraudes, mas tem conhecimento dos fatos contraventores.

Há cerca de três semanas, a Folha de S.Paulo divulgou uma reportagem sobre o depoimento de Haissander Souza de Paula à PF, que foi assessor de Álvaro Antônio. Ele afirmou achar que “parte dos valores depositados para as campanhas femininas”, empregadas como laranjas do partido, “na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro”.

A matéria traz ainda dados de uma planilha apreendida em uma gráfica pela PF sugerindo que o dinheiro desviado de candidatas laranjas do PSL mineiro foi desviado como caixa dois para a produção de materiais das campanhas de Bolsonaro e Álvaro Antônio.

Segundo o promotor do caso em Minas Gerais, Fernando Abreu, os denunciados agiram em coautoria no esquema que usou verbas de campanha destinadas por lei para quatro candidatas para beneficiar candidaturas de homens do PSL.

No meio das explicações, Álvaro Antônio chegou a minimizar o crime de caixa dois: “O caixa dois é um gasto de campanha não contabilizado, mas a origem de dinheiro não necessariamente foi de desvio de verba pública, às vezes a origem é lícita. Essa discussão tem uma linha tênue. É tão grave como a corrupção? (…) É uma discussão que precisa debater bem”, disse.

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No entanto, em outro momento, o ministro admitiu a ilegalidade do ato: “Caixa dois é crime, e não houve essa prática no PSL de Minas, pelo menos respondo pela minha campanha”, disse.

*Com informações da Folha de S.Paulo e Agência Senado

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