Aprovado, Aras mostra como comandará a PGR: os principais momentos da sabatina

Novo PGR defendeu a Lava Jato como "modelo de excelência" a ser instalado em todo o país, deslizou em temáticas polêmicas como as relações homoafetivas e a questão indígena, e criticou sua antecessora Raquel Dodge

O subprocurador Augusto Aras, indicado para o cargo de procurador-geral da República, durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jornal GGN – Aprovado pelo Senado, o escolhido por Jair Bolsonaro a comandar a Procuradoria-Geral da República, o subprocurador-geral Augusto Aras, mostrou seu alinhamento à Lava Jato, defendeu a implementação desta como um “modelo de excelência” em todo o Ministério Público Federal (MPF) do país, deslizou em temáticas polêmicas como as relações homoafetivas e a questão indígena, e criticou sua antecessora Raquel Dodge, acusando-a de praticar “corporativismo”.

Em um dos temas mais esperados, Aras elogiou a Operação Lava Jato, dizendo ser um “modelo de excelência” e que a “a intenção é levar toda a experiência da Lava Jato para estados e municípios como exemplo de excelência a ser seguido”. Também valorizou o procurador Deltan Dallagnol, que figura por ilegalidades cometidas na Operação hoje reveladas pelas mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil.

Lava Jato: modelo a seguir

A defesa explícita da Lava Jato veio acompanhada, por outro lado, de algumas ponderações diante das críticas sobre o modus operandi das autoridades, explicitadas na Vaza Jato. “Em relação ao colega Deltan, não há de se desconhecer o grande trabalho que fez. Mas, se houvesse lá alguma cabeça branca, poderíamos ter dito que podíamos ter feito tudo o que foi feito, mas com menos holofote”, assinalou.

Também mostrou não ser favorável ao uso ilimitado das prisões preventivas: “Nós sabemos que era muito mais fácil nós evitarmos as dificuldades que tivemos com a Lava Jato se tivéssemos certos cuidados, cuidados com a lei. 281 dias de prisão provisória não é razoável, atenta contra a código processual penal”.

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“A Lava Jato é um marco, traz boas referências. Mas é preciso que nós percebamos que toda e qualquer experiência nova traz dificuldades. Sempre apontei os excessos, mas sempre defendi a Lava Jato. A Lava Jato é resultado de experiências anteriores, que não foram bem-sucedidas na via judiciária. Esse conjunto de experiências gerou um novo modelo, passível de correções”, assim resumiu, acrescentando: “e essas correções eu espero que possamos fazer juntos, não somente no plano interno do Ministério Público, mas com a contribuição de vossas excelências.”

Harmonia com Presidente e parlamentares

Augusto Aras também disse que manterá a independência dentro do órgão, pergunta feita diante da escolha de Bolsonaro ter contornado a prática democrática das eleições internas e da lista tríplice, considerada por críticos como uma forma de aparelhamento da PGR. Sem negar que tenha um alinhamento ideológico com o mandatário, respondeu que “não há alinhamento no sentido de submissão a nenhum dos Poderes, mas há evidentemente o respeito que deve reger as relações entre os Poderes e suas instituições”.

Defendeu que haja “harmonia” entre os Poderes, aqui incluindo o Judiciário representado por ele e o STF, o Legislativo, pelos parlamentares, e o Executivo, pelo presidente Jair Bolsonaro. “A independência por si só, excluída a harmonia, pode gerar conflito e o Estado conflituoso não ganha”, narrou.

Homossexual: interesse por “fenômeno” 

Em um dos momentos de maior desconforto na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado ocorreu com a pergunta do senador Fabiano Contarato (REDE-ES), sobre Aras ter assinado uma carta da Associação Nacional dos Juristas Evangélicos (Anajure), que defende que o casamento somente pode ser entre homem e mulher e que defende a chamada “cura gay”.

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O parlamentar, que é homossexual, questionou: “O senhor não reconhece a minha família como família? Eu sou doente?”. O subprocurador respondeu que não leu a carta e, ao tentar mostrar empatia com a temática, chamou as relações homoafetivas de “fenômenos”: “Sou um homem que estuda culturas, não posso deixar de compreender fenômenos culturais e humanos”. Emendando logo em seguida: “Posso dizer que respeito muito vossa excelência”.

Índio quer vida boa

Na mesma linha de Jair Bolsonaro, teve destaque também na sabatina o momento em que Aras defendeu que os índios possam produzir em suas terras e ao mostrar desconhecimento sobre a cultura dos povos indígenas, minimizou a vida destas comunidades como de “caçador e coletor”.

“Índio também quer vida boa, compatível com suas necessidades. Não quer pedir esmola, viver ao lado de quem produz e ter cem mil hectares disponíveis e não poder produzir porque tem dever de continuar como caçador e coletor”, disse.

Dodge limitou poder

Ainda, ao falar sobre sua antecessora, a então PGR Raquel Dodge, disse que ela praticou corporativismo, por meio de portarias que demitissem e recolocassem procuradores dentro do órgão. “Distribuíram as pessoas mais amigas da PGR por órgãos que mantivessem o poder da PGR bem definido”, disse.

“Outras portarias limitaram o poder do futuro PGR. Outras portarias administrativas proveram cargos para serem ocupados na gestão do futuro PGR, ou seja, inovou-se de tal forma que a ex-PGR queria simplesmente que o futuro PGR não gerisse nada, simplesmente ele recebesse um título e a gestão se fizesse nos termos da vontade da sua excelência, que é uma pessoa a quem eu tenho respeito”, acusou.

7 comentários

  1. Nenhuma novidade, pois, afinal, ser escolhido pelo bolsonazi, em si – e na contagem definitiva, só poderia resvalar num aras desses: cheio de vontade de sacrificar quem lhe passe pela frente ou pela frente do respeitoso senhor presidente desta república de merrecas. Elogiar o dalanzóis, depois de tudo o que foi revelado, traz o aras para o fundo do poço (tão fundo quanto, tão comprometido quanto). Além do mais, para minha leitura, demonstra profundo desconhecimento e descaso da questão social, da questão indígena e de todas as demais que digam respeito ao respeito pelos direitos humanos e pelo estado democrático de direito. E, esqueçam processar os bolsotodos e seus asseclas milicianos, quer nos entreveros cariocas, quer na escuridão que hoje circunda o poder executivo. Diria o outro: filho de bequinho, bequinho é (né, Miguel?).

  2. O TAL DO ARAS FOI SABATINADO MAS QUEM RESPONDEU FOI O PSICOPATA.
    ANIMEM-SE;APÓS TOFFOLI VEM FUX.
    UMA DESGRAÇA APÓS A OUTRA.
    A SAÍDA MAIS COMENTADA E QUE ACENDEU OS ÂNIMOS DA EXQUERDA É O PTTINDER.

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  3. Pelo que percebo, o nosso País não terá mais nenhum futuro. Não tenho mais nenhuma esperança. É o fim. Ponto final.

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  4. Esse senhor será um desastre no MPF, tanto na parte administrativa como na judicial. Não fará nada pelo país. Ele não gosta de trabalhar, mas de fazer politicagens. Não esperem decisões rápidas, nem inteligentes. Senadores irão se arrepender por aprovarem essa escolha. Ele não será um Geraldo Brindeiro, será muuuito pior!

  5. Toda vez que a verdadeira justiça parece avançar sobre a deles, cai por terra a ideia de que existem pessoas muito diferentes de Deltan e Moro…

    e a de que “modelo de excelência” não significa autoridade absoluta de proteção à família

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