5 de junho de 2026

Caso Pequiá: Justiça decreta prisão de donos de escola suspeitos de maus-tratos

Recomenda-se cuidado com esse tipo de acusação, para não repetir erros do passado.
Caso escola Pequiá
Criança foi amarrada em viga como castigo por ter feito xixi na roupa. Crédito: Reprodução

Atenção – recomenda-se cuidado antes da condenação dos donos da escola. Podem ser culpados, pode ser que não. Já temos experiência com climas de linchamento que induziram outros pais a interpretar cenas prosaicas como sendo criminosas. GGN menciona os fatos divulgados mas com as devidas ressalvas.

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A Justiça decretou a prisão temporária de Eduardo Mori Kawano e Andrea Carvalho Alves Moreira, responsáveis pelo escola particular Pequiá, sediada no Cambuci, em São Paulo. Ambos são acusados de cometer maus-tratos e tortura contra crianças de um a seis anos.

Entre as denúncias estão o registro de um menino amarrado em uma viga de madeira dentro da escola por ter feito xixi nas calças. Em um vídeo, uma menina de um ano e oito meses é erguida violentamente pelas mãos enquanto guardava brinquedos. Os gritos registrados no vídeo seriam de Kawano.

Outro aluno foi chamado de louco na frente de outras crianças por apresentar dificuldade para fazer necessidades fisiológicas.

Cenário

As investigações começaram no último dia 15. Desde então, foram ouvidos 13 pais e três professores da instituição, além de uma ex-funcionária.

Mais que constatar mudanças no comportamento das crianças, como maior agressividade, os pais também trouxeram outros relatos de tortura vividos pelas crianças.

Uma prática comum cometida na escola era punir alunos deixando-os sozinhos em uma sala escura. Algumas crianças também ficavam frequentemente sem café da manhã porque “precisavam comer rapidamente”. Não foi explicado porque, tendo informações sobre esses episódios, os pais mantiveram os filhos na escola.

O boletim de ocorrência registra ainda o relato de uma mãe, cujo filho contou que viu Eduardo Kawano batendo na cabeça de uma criança que urinou nas calças. O aluno ficou apenas de fralda na presença de outros alunos e foi deixado na chuva nu como castigo.

Mais uma vez, é necessário cuidado com versões contadas por crianças, que podem ser induzidas a fantasias, como ocorreu no caso Escola Base.

Eduardo Kawano e Andreia Moreira
Eduardo Kawano e Andreia Moreira, suspeitos de maus-tratos, estão foragidos. Crédito: Reprodução

Caso antigo

Eduardo Kawano e Andreia Moreira foram denunciados pela primeira vez em 2016, por uma ex-professora da escola. Naquela época, de acordo com a ex-funcionária, os episódios de tortura e maus-tratos já eram frequentes. Se eram frequentes e conhecidos, o que explicaria o fato de pais manterem filhos na escola?

A denúncia foi registrada na Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, mas por falta de provas, o caso não foi levado adiante.

Segundo a testemunha, uma criança foi obrigada a comer o próprio vômito. Já os estudantes inadimplentes ficavam sem refeições e os meninos eram pendurados no portão como forma de punição. A testemunha foi uma professora demitida, pelo que se depreende dos relatos

Por fim, um menino de três anos que fez xixi na calça sofreu um corte na cabeça, depois de ter sido arrastado pelo diretor até o banheiro e escorregado no chão. Aos pais, o diretor atribuiu o ferimento a uma queda no parquinho, segundo o relato da ex-professora.

Se provadas as denúncias, a pena prevista para o crime de tortura varia de dois a oito anos de prisão e é inafiançável. Mas – reforçamos – São Paulo tem histórico de linchamentos que, depois, não são comprovados. E de delegados ansiosos para aparecer na mídia.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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