A Procuradora Geral da República tem defeitos e virtudes. Os defeitos, dizem, são de temperamento; as virtudes são de caráter. É fechada, centralizadora, discretíssima e tem pouca visão de estratégias políticas. Por outro lado, é técnica, correta, ciosa do interesse público e, especialmente, do papel institucional do Ministério Público.
Em nome dessa defesa do MP, varreu para baixo do tapete os erros gigantescos cometidos pelo antecessor Rodrigo Janot e pela Lava Jato. E deixou para o último instante o questionamento da excrescência da fundação de direito privado financiada pela Petrobras, em cima de um acordo com autoridades norte-americanas. Só a questionou quando começaram a brotar críticas na imprensa, em uma demonstração da falta de timming sobre o momento de demonstrar sua coragem.
Nessa fundação está a chave da questão, para entender uma série de ações nebulosas de Janot e da Lava Jato nos Estados Unidos.
Informações sobre o acordo entre Lava Jato e Petrobras. Compartilhe.
Há fake news sendo espalhadas sobre o acordo entre Lava Jato e Petrobras. Na verdade, ele cria um fundo inédito em favor da sociedade e gerido pela sociedade, que investirá em controle de corrupção, cidadania, educação, saúde, segurança e em outros direitos. Assista e compartilhe.
Posted by Deltan Dallagnol on Friday, March 8, 2019
Ouça a explicação de Dallagnoll. Segundo ele, não se está tirando dinheiro da Petrobras, mas apenas impedindo que o valor da multa fique nos Estados Unidos.
Diz também que, como a União é controladora da Petrobras, as autoridades americanas não permitiriam que ficasse com os recursos das multas. Trata a Lava Jato como se fosse a legítima representante, no Brasil, dos interesses das autoridades judiciais americanas, que não confiariam sequer no estado brasileiro.
Há outras fakenews no discurso. Por exemplo, o acordo não está condicionado à criação de uma fundação. Fala em reparação de direitos difusos. E não aponta qual o direito difuso a ser reparado. Além disso, há um Fundo dos Direitos Difusos Lesados, que impede que o Tesouro se aproprie dos recursos.
Falsifica os fatos, também, quando minimiza a influência da Lava Jato na fundação. Caberá aos procuradores e ao juiz escolher as organizações que farão parte do Conselho, assim como colocar representantes em cada área e dar um enorme impulso à indústria do compliance, que terá nos procuradores da Lava Jato os consultores especializados.
Não é a parte mais gravde da história.
Vamos entender melhor a partilha do que pode ser chamado de “o golpe do século”, em relação a Petrobras.
A montagem do golpe do século
Coube a Ellen Gracie, ex-Ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) traçar a estratégia do acordo da Petrobras com a SEC (a CVM americana) e com o Departamento de Justiça (DoJ). Ao mesmo tempo em que se iniciavam as tratativas, Janot e o grupo da Lava Jato foram pessoalmente aos Estados Unidos compartilhar provas e delatores contra a Petrobras. Com essa estratégia, a Petrobras deixou de ser tratada como vítima para se tornar ré: esta foi a chave do golpe. Por aí se entende, também, o desmonte implacável da imagem da Petrobras pela Lava Jato.
Foram dois os motivos das quedas nas cotações da Petrobras:
- A queda nas cotações internacionais de petróleo, que afetou todas as petroleiras.
- A expectativa das multas a serem aplicadas pela SEC e pelo DoJ à Petrobras, em função da estratégia de acordo delineada. Ou seja, parte da queda no valor das ações da Petrobras tem relação direta com a estratégia encampada pela PGR de Janot somada à campanha para apresentar a Petrobras como a empresa mais corrupta do planeta.
As propinas não tiveram peso algum nos resultados da Petrobras, porque embutidas nos preços dos contratos e irrisórias perto do faturamento da empresa. Tudo isso poderia ter sido demonstrado para rebater as pretensões dos escritórios que decidiram processar a Petrobras.
Além disso, aqui mesmo, nosso colunista André Araújo mostrou caminhos alternativos que poderiam ter sido trilhados para evitar essas multas, passando pelos acordos diplomáticos governo a governo.
O acordo abriu espaço para um enorme butim, acertado entre três partes: a Petrobras, através de seu presidente Pedro Parente, as autoridades norte-americanas, e a Lava Jato. O butim foi dividido da seguinte maneira:
- US$ 2,95 bilhões para um acordo extrajudicial com os acionistas nos EUA, o triplo das previsões mais otimistas de seus advogados. Parte relevante de honorários para escritórios de advocacia. Tudo isso sem que a Lava Jato esboçasse uma reação sequer.
- US$ 400 milhões para contratação de escritórios para atender às demandas do DoJ na Petrobras. Depois da Petrobras, Ellen Gracie aplicou a mesma estratégia na Eletrobras, alvo da Lava Jato em cima de informações trazidas por Janot na sua visita ao DoJ. E graças às mudanças ocorridas na presidência e no Conselho da empresa, ampliando enormemente o escopo de trabalho dos escritórios contratados.
- R$ 2,45 bilhões para serem administrados por uma fundação montada e controlada pela República do Paraná.
Reza o acordo firmado:
A cooperação da Petrobras incluiu a realização de uma investigação interna minuciosa, compartilhamento proativo em tempo real de fatos descobertos durante a investigação interna e compartilhamento de informações que não estariam disponíveis ao Departamento, fazendo apresentações regulares ao Departamento, facilitando entrevistas e informações de testemunhas estrangeiras e coletando, analisando e organizando voluntariamente volumosos evidências e informações para o Departamento em resposta a solicitações, incluindo a tradução de documentos-chave.
Por aí se entende as inúmeras homenagens recebidas pelos bravos integrantes da Lava Jato nos principais centros de lobby dos Estados Unidos e do mundo.
Agora se chegou a um ponto de não retorno, que exigirá da PGR e dos Ministros do STF uma determinação que até agora não demonstraram, em defesa da institucionalidade brasileira, e para impedir a desmoralização final das instituições e a intimidação pelo uso das milícias paraestatais










A mim não causou qualquer surpresa
Os PGR do PR sempre visaram o dinheiro quando aventaram ter direito a honorários. Ve-los soltos é ainda uma surpresa maior.
Como sempre o grande Nassif trazendo à tona fatos que, sem ele, estaríamos no escuro.
Como diz o Chico Buarque:
A nossa pátria distraída em tenebrosas transações.
O mais dramático é que essa famigerada lavajato virou uma instituição. Venerada pelo povão e ai de quem a criticar.
Mas nós, os que estão percebendo esse golpe no país, nas instituições e empresas brasileiras, temos a obrigação de denunciar.
Só faltou dizer Lula livre, e que ele é inocente. Brincadeira! A Petrobras não é vítima, as vítimas são os acionistas. Não só a Petrobras, mas, outras empresas já pararam multas aos investidores Americanos.
Lula livre. Ele é inocente.
Ladrão é Parente e Temer que de uma canetada garfaram US$2,95 bilhões de dólares e a globo nem um pio!
Algo como 10 mil triplex!!!
Concordarei se consultarem o Tacla Duran
Tamu junto!
Prendam-se Moro, Dalagnol e sua quadrilha como traidores da Pâtria!
Mas a Petrobrás é uma empresa que tem ações na bolsa, não é? Bem investidor investe na empresa para ter lucro e principalmente se existe confiabilidade na estrutura política da empresa em relação aos seus negócios, bem você então afirma que tais fatos dantescos que aconteceram nos altos escalões da empresa não refletiria nos investidores? Óbvio que sim, óbvio que teria processos, óbvio que não poderia se esconder, propina foi ínfima? Sim parece que sim mas tem país que primeiro ministro renuncia por ter recebido 30 mil dólares, era natural que os investidores sairiam do negócio se ficassem exigiriam profundas reformas, essa festa de dinheiro público acontecia em refinarias isso não precisa a lava jato dizer, Brasil eu sempre falo que precisa de um grande acontecimento para sairmos desse longo período de alucinações e fantasias que criamos.
Gostaria de saber qual foi o benefício que essa operação deu às Petrobrás e quais os prejuízos. Tá me parecendo que o molho ficou mais caro que o peixe
Tá me parecendo que o molho ficou mais caro que o peixe