A crise política aberta no Rio de Janeiro após a condenação e renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL) ganhou dois palcos simultâneos nesta semana: o jurídico, onde o TSE correu para corrigir documentos e definir os próximos passos institucionais, e o das redes sociais, onde a confusão na linha de sucessão rapidamente virou material para memes.
Na quarta-feira (25), o Tribunal Superior Eleitoral republicou a certidão do julgamento que condenou Castro e corrigiu um erro material no documento anterior. A primeira versão mencionava apenas a necessidade de “novas eleições”, sem especificar o tipo de pleito.
Com a correção, foram inseridos os termos “novas eleições indiretas”, a votação será realizada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O mandato de quem for escolhido vai até janeiro de 2027, quando uma nova chapa eleita pela população no pleito de outubro assumirá o governo.
Na terça-feira (24), o TSE condenou Castro à inelegibilidade por oito anos, tornando-o inelegível até 2030. O julgamento apurou o uso indevido da máquina pública nas eleições de 2022, com investigações apontando para um esquema de contratações irregulares na Fundação Ceperj, cerca de 27 mil cargos temporários que teriam sido usados para empregar cabos eleitorais e fortalecer a campanha de reeleição de Castro.
O motivo pelo qual a eleição precisará ser indireta é o próprio colapso da linha de substituição. O ex-vice-governador Thiago Pampolha foi condenado no mesmo processo, mas já estava fora de cena de qualquer forma, pois deixou o cargo em maio de 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado.
Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj e nome que seria o próximo na fila, também foi condenado pelo TSE e já estava afastado do cargo por decisão do STF. Ele é investigado em outro caso por obstrução de Justiça em operação ligada ao PCC.
Com todos os nomes da sucessão natural impedidos, o governo passou interinamente para o desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio. Pela lei sancionada neste mês, caberá a ele convocar a eleição indireta em até 48 horas, com o pleito devendo ocorrer 30 dias após a vacância.
Piada
O enredo, meio caótico, meio inacreditável, não demorou a abastecer as redes sociais. Internautas ironizaram que todo cidadão fluminense deveria estar preparado para assumir o Palácio Guanabara a qualquer momento. Alguém sugeriu o lateral Alex Telles, do Botafogo, por usar a braçadeira de capitão; outros indicaram o técnico Fernando Diniz, o humorista Rafael Portugal, o Rei Momo e até o Cacique Cobra Coral como candidatos à altura da situação.
Por trás do humor, a crítica é direta: as postagens tratam a crise como retrato de um estado que chegou a um ponto em que a troca de comando parece depender mais de acidentes políticos e decisões judiciais do que de qualquer normalidade institucional.
*Com informações da CNN e do Diário do Rio.
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Paulo Dantas
28 de março de 2026 10:09 amA eleição direta seria a melhor solução mas creio ser contra a CF.
Toda opinião que leio parece contaminada.
Triste a situação do RJ , difícil morar aqui.
Mas em outubro elegeremos outras quadrilhas …
🙂