Discurso de Bolsonaro na ONU visa eleições presidenciais de 2022, avalia Alberto Carlos Almeida

‘Os políticos buscam se manter dentro de um certo autocontrole, dentro de algumas regras do chamado decoro e ele [Bolsonaro] não se conteve no discurso’, observa cientista político

Bolsonaro durante discurso na ONU. Foto: Alan Santos/PR

Jornal GGN – O discurso do presidente Jair Bolsonaro na abertura do Debate Geral da 74ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas teve dois pontos altos: um voltado para deixar sua posição ideológica muito clara aos líderes de outros países e outro para o seu eleitorado, visando as eleições de 2022.

A avaliação é do cientista político, diretor do Instituto BRASILIS e autor do best-seller “A Cabeça do Brasileiro”, Alberto Carlos Almeida.

“[Bolsonaro] falou, textualmente, o nome de Sergio Moro. [Com isso, o ministro] fica mais dependente dele e mais agradecido”, observa o analista político acrescentando que, de quebra, Bolsonaro atinge grande parte do seu eleitorado que gosta de Sergio Moro.

“[Bolsonaro também] mencionou religiões, não chegou a mencionar textualmente os evangélicos, mas estava claro que era para eles [trecho do discurso], mencionou os militares [brasileiros] nas missões internacionais e os policiais”, prossegue Carlos Almeida.

De quebra, Bolsonaro discursou contra o PT abrindo uma ideia de forte polarização entre seu governo e as gestões petistas. “Isso aí já é campanha eleitoral de 2022, claramente”, pondera o cientista político.

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Outro, e não menos importante, aspecto que resume o discurso de Bolsonaro nesta terça-feira (24), segundo o cientista político, foi o fato de deixar claro o posicionamento do governo brasileiro à extrema-direita.

Carlos Almeida aponta que a leitura de lideranças internacionais sobre o discurso do presidente brasileiro se resume nos seguintes pontos: primeiro, sua posição ideológica de mundo.

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Segundo, “aí uma leitura mais sutil”, pontua o analista, é a inabilidade de Bolsonaro em falar em público, “até mesmo lendo um texto no teleprompter. Isso não passa despercebido por nenhum líder”, observa o cientista político.

Bolsonaro fez questão também de mandar recados para os líderes de outros países quando afirmou que a ONU não deve defender interesses globais. Em outras palavras, destaca Carlos Almeida, Bolsonaro diz que não irá se envolver em propostas de âmbito mundial como, por exemplo, a luta contra o aquecimento global.

Por fim, Carlos Alberto aponta que os dirigentes internacionais devem observar Bolsonaro como um líder que “não sabe uma regra básica da política” que é a do decoro.

“Os políticos buscam se manter dentro de um certo autocontrole, dentro de algumas regras de protocolo, do chamado decoro, autocontenção e ele [Bolsonaro] não se conteve no discurso”.

Além disso, Bolsonaro claramente mentiu em diversos momentos, como, por exemplo, sobre a preservação da floresta Amazônica no seu governo e o interesse da população indígena para que a demarcação de terras seja revista.

“Uma coisa é o presidente dos Estados Unidos, a nação mais poderosa do mundo, mentir. Outra coisa é o presidente do Brasil fazer isso. Ele mentiu inúmeras vezes w isso é ruim junto a esses líderes”.

Veja a seguir a análise de Alberto Carlos Almeida na íntegra.

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5 comentários

  1. Ficam procurando cálculo de um abestado desses…

    Não é: a única coisa que o besta sabe falar são esses slogans anti esquerda. Virou até neoliberal na economia, pois era “o que tinha”. Afinal, defender estatais Direitos Sociais é coisa de “comunista”, não é? Não é isso que o “mercado” e a mídia falam?

    O resto, Direitos Humanos, Direitos Civis de minorias, ambiente, etc., ora, ora… Os próprios “liberais” jamais deram uma palavra pra defender! Agora botam Luciano Huck, Arminio Fraga pra falarem de desigualdade…

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  2. UM MENTIROSO CONTUMAZ.
    Em discurso no plenário da Câmara em 2013, Bolsonaro afirmou ‘está na Medida Provisória: cada médico cubano pode trazer todos os seus dependentes. A gente sabe como funciona a ditadura castrista. Então, cada médico vai trazer 10, 20, 30 agentes para cá’”,

  3. Alguém pode explicar por que o bozarro, digo bizarro presidente adolinquente discursou com os olhos apertadinhos?
    Será que tinha lentes de contato de alta tecnologia com tele-prompter?
    Será que achava estar atemorizando a assembléia?
    Ou será que estava com medo de tomar uma chuva de tomates na cara?
    Eu hein!

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    • Hehe, explicado: os dois teleprompters, à esquerda e à direita deveriam estavam fora de foco ou de alcance dos olhinhos do vergonhoso. Steve Bannon não foi bem assessorado…

  4. Muito mais que isto, por trás do discurso de Bolsonaro, das falas de Trump, da negação do olavismo pelo climatismo e na ida do filho 02 para embaixada nos EUA, estão as mãos e a cabeça do Steve Bannon. Com sua Cambridge Analytics já interferiu em diversas eleições e vai lustrando o projeto supremacista, separatista e desumanista. Foi um discurso para o mundo direitista. Preparemo-nos para ver mais cenas witzerianas, mundo afora. Para mim, eles apenas disfarçam na falsa descrença na urgência climática para poderem de fato atacarem e exterminarem populações. Os mais pobres primeiro.

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