O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal, deflagraram nesta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto. A ação cumpre 27 mandados de busca e apreensão em sete estados para aprofundar as investigações sobre uma organização criminosa acusada de lavar dinheiro do crime organizado por meio do setor de combustíveis.
O principal foco desta fase da apuração é a compra da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana. Segundo os investigadores, a aquisição da empresa serviu para ocultar patrimônio e movimentar recursos de origem ilícita.
Executivos do mercado financeiro na mira
A investigação aponta que profissionais do mercado financeiro tiveram papel central na montagem da engenharia societária e bancária do grupo. Entre os alvos das buscas estão o ex-diretor do Banco Genial, Humberto Arthur Tupinambá Neto e seus irmãos, André e Bruno Tupinambá.
Outro alvo da operação é o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, proprietário da Entre Investimentos. Freixo firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito do escândalo do extinto Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.
As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Criminal de Catanduva e abrangem endereços em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. A ação conta com o apoio da Procuradoria-Geral do Estado, da Secretaria da Fazenda paulista e das polícias Civil e Militar.
Liderança oculta e engenharia financeira
Apesar de não figurarem na lista de alvos desta etapa, Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, são apontados pelo Gaeco como os verdadeiros líderes da organização.
Segundo o Banco Genial, Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026. O executivo estava no banco desde agosto de 2022 e é investigado justamente por ligação com o esquema de ‘Beto Louco’ e ‘Primo’ entre 2024 e 2025, ainda na condição de executivo da instituição financeira.
O Ministério Público detalha que a compra da Terrana ocorreu por meio de fundos de investimento e empresas criadas exclusivamente para a transação, como os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além das holdings Berna e Branson.
Relatórios do Coaf, dados bancários e mensagens apreendidas indicam que mais de R$ 120 milhões passaram por empresas conhecidas como “contas de passagem” — entre elas Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi — antes de chegar à distribuidora. O esquema contava ainda com o uso de “laranjas” para ocultar os reais proprietários dos ativos.
O outro lado
Em nota, o Banco Genial afirmou ter entregue espontaneamente ao GAECO todos os documentos sobre o Fundo Radford e as empresas Berna e Branson Holdings, além de ter notificado o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
“A partir do conhecimento dos fatos, a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição“, declarou a instituição, em nota encaminhada ao G1, acrescentando que renunciou à administração do fundo e segue colaborando com as autoridades.
As defesas da Entre Investimentos e da Terrana não se manifestaram.
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