Inquéritos sobre milícias digitais e fake news são unificados por Alexandre de Moraes

Moraes citou a live de Bolsonaro, de julho do ano passado, quando prometeu apresentar "prova bomba" sobre supostas fraudes nas urnas

Foto: Isac Nóbrega/PR

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou que o inquérito das milícias digitais seja fundido à investigação das fake News divulgadas por Bolsonaro sobre as urnas eletrônicas. A decisão foi em resposta ao pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) que precisa definir se denuncia ou não o presidente.

Moraes citou a live de Bolsonaro, de julho do ano passado, quando prometeu apresentar uma ‘prova bomba’ sobre supostas fraudes nas eleições em 2014 e 2016. Só que depois o presidente disse que tinha apenas indícios de supostas irregularidades e falhas nas urnas.

“Como se vê, os elementos de prova colhidos nesta petição incidental, instaurada para apuração dos fatos envolvendo a live realizada pelo presidente da República na data de 29/7/2021, devem ser analisados em conjunto com a investigação principal conduzida no inquérito 4.874/DF, cujo objeto é uma organização criminosa complexa, de forte atuação digital e com núcleos de produção, publicação, financiamento e político, com objetivo de atacar o Estado democrático de direito”, escreveu o ministro.

Na investigação da suposta existência das milícias digitais, há a suspeita de que o Palácio do Planalto foi usado para promover ataques virtuais a opositores do presidente e a instituições, e disseminando notícias falsas.

De acordo com Denisse Ribeiro, delegada da Polícia Federal e responsável pelos inquéritos das fake News e das milícias digitais, esse grupo teria usado o tão falado ‘gabinete do ódio’, seria composto por aliados do presidente e financiados com dinheiro público.

O ministro Moraes permitiu o compartilhamento de material entre as duas investigações atendendo à Polícia Federal e endossado pela PGR. No mesmo mês, o ministro determinou o envio dos dados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A decisão, agora, vem em meio à crise instaurada pelo presidente, que envolveu as Forças Armadas e a Justiça Eleitoral.

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