5 de junho de 2026

Justiça suspende edital da Unifal sobre mineração de terras raras

Caso foi denunciado pelo Jornal GGN em maio; suspeita de irregularidades e risco ambiental nortearam decisão
Sede da UNIFAL (Universidade Federal de Alfenas). Foto: UNIFAL

A Justiça Federal suspendeu os efeitos do Edital de Chamamento Público nº 01/2025 da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL/MG), para disponibilizar espaços do campus Poços de Caldas da universidade para empresas montarem espaços de inovação.

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O edital, que previa a celebração de parceria com a iniciativa privada, se tornou alvo de questionamentos e denúncias após indícios de direcionamento para a empresa Viridis Mineração Ltda., subsidiária da australiana Viridis Mining and Minerals Ltd — grupo que atua na exploração de terras raras.

Como revelou o Jornal GGN, a empresa australiana tem expandido suas operações no Brasil com foco na exploração de ítrio, neodímio e outros elementos de terras raras — recursos estratégicos usados em baterias, turbinas e equipamentos militares.

A liminar foi concedida pela juíza Rosilene Maria Clemente de Souza Ferreira, da 1ª Vara Federal de Poços de Caldas, a pedido da organização Aliança em Prol da APA da Pedra Branca.

Segundo a Ação Cautelar, a legalidade do processo foi afetada por diversas irregularidades, como a falta de transparência na publicação do edital, a restrição de acesso ao documento completo por meio do link divulgado no Diário Oficial da União, a ausência da data da sessão pública no edital original e suspeitas de favorecimento à única empresa participante do certame.

A denúncia apresentada à Justiça (e confirmada por professor da Unifal) destaca que a Viridis Mineração não possui licenciamento ambiental válido para atuar na área protegida.

Além disso, o edital teria sido suspenso apenas de forma administrativa pelo reitor da Unifal, sem revogação formal ou decisão homologada judicialmente — o que, para a magistrada, não elimina o risco jurídico e ambiental envolvido.

“A mera suspensão administrativa é precária e pode ser revertida a qualquer tempo pela própria universidade”, escreveu a juíza na decisão.

O Ministério Público Federal também se manifestou a favor da suspensão do edital, destacando a gravidade das falhas procedimentais e o potencial dano ambiental, caso a parceria com a mineradora avançasse.

A APA da Pedra Branca, que abrange remanescentes de Mata Atlântica, nascentes e comunidades tradicionais, permanece como um território estratégico sob disputa entre interesses econômicos e a preservação ambiental.

Para a Aliança em Prol da APA, a liminar representa uma vitória temporária, mas a luta continua: “O que está em jogo é o futuro de um ecossistema único, de relevância regional e nacional”, declarou a entidade em nota.

Caso foi alvo de denúncia na TV GGN

A aproximação entre a UNIFAL e a mineradora foi marcada por eventos institucionais promovidos dentro da universidade, como a inauguração do Centro de Estudos em Terras Raras (CETER), em maio de 2025.

O evento contou com a presença de executivos da Viridis, políticos locais e representantes do Ministério de Minas e Energia — mas também foi alvo de protestos e denúncias, tanto de pesquisadores quanto de ambientalistas da região.

Na TVGGN, especialistas em Direito Ambiental e representantes de organizações civis criticaram o uso da universidade pública para viabilizar interesses minerários em áreas protegidas, sem diálogo com as comunidades afetadas e sem as devidas salvaguardas legais e ambientais.

Veja abaixo a íntegra do programa

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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3 Comentários
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  1. J.Carlos

    2 de agosto de 2025 8:54 pm

    Já estou sentindo o cheiro de trambique no ar. Gente esperta (pra não falar logo de vez: EUA) vai terminar levando as Terras Raras do Brasil por alguns centavos de dólar e ficaremos a chupar o dedinho… do pé. O Brasil tem que ter gente, profissionais (descobrir quem são e onde estão), preparada(os) para fazer bem feito esse tipo de negócio! Não podemos colocar pessoas do tipo lesa-Pátria para vender nossos minerais (nem nada que é do povo do Brasil), pensando só no próprio bolso! Gente, um nível de BRASILIDADE irrefutável é necessária, até por vergonha na cara!!!

  2. CLÁUDIO RODRIGUES

    3 de agosto de 2025 8:45 am

    A esquerda brasileira parece que ainda não acordou para a importância das terras raras. O Brasil é a segunda reserva mundial de terras raras, é preciso uma conscientização nacional tipo petróleo é nosso e não deixar nas mãos de gente como Zema ou mesmo com o ministro das Minas e Energia.

  3. Anônimo

    4 de agosto de 2025 6:59 am

    Austrália faz parte do império, sabemos onde esses minerais irão parar.

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