5 de junho de 2026

Parceria polêmica entre Unifal e empresa australiana levanta alerta ambiental

O convênio, que envolve a cessão onerosa de 2 mil metros quadrados no campus da Unifal para instalação de uma planta-piloto
Shutterstock

Uma parceria firmada entre a Universidade Federal de Alfenas (Unifal) e a empresa australiana Viridis Elements para a implantação de um centro de pesquisa em terras raras em Poços de Caldas (MG) provocou uma onda de críticas, denúncias e preocupações sobre a legalidade do processo, o impacto ambiental e o possível favorecimento a um setor minerário considerado ainda não regulamentado no país.

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O convênio, que envolve a cessão onerosa de 2 mil metros quadrados no campus da Unifal para instalação de uma planta-piloto, gerou questionamentos de ambientalistas e moradores da região.

Segundo os entrevistados da TVGGN Justiça da última sexta-feira (23), Daniel Tygel, físico e morador de Caldas, e Ana Paula Lemos de Sousa, ambientalista e advogada, o processo foi conduzido com “falta de transparência” e indícios de direcionamento à empresa australiana.

“A chamada pública não foi devidamente divulgada, o processo foi extremamente rápido, e apenas uma empresa — a Viridis — participou. Isso levanta suspeitas legítimas sobre o favorecimento e a legalidade do convênio”, afirmou Tygel.

A Viridis foi criada em 2023, não tem histórico na mineração e propõe instalar uma planta-piloto para teste de métodos de extração de terras raras, um recurso estratégico global, mas cuja exploração, segundo os entrevistados, ainda carece de regulamentação ambiental específica no Brasil.

A denúncia levou ao ajuizamento de uma ação civil pública na Justiça Federal com pedido de liminar para suspender o edital. “A assinatura do contrato foi anunciada antes mesmo da homologação pelo Conselho Universitário, o que infringe normas internas da Unifal”, ressaltou Ana Paula. A proposta da empresa envolve investimentos de cerca de R$ 1,4 milhão em infraestrutura e bolsas de pesquisa.

Terras raras: riqueza e risco ambiental

Além das suspeitas sobre a parceria, a discussão revela uma preocupação mais ampla com o avanço da mineração de terras raras na região vulcânica do Sul de Minas, considerada rica nesses minerais. Quatro empresas estrangeiras — todas australianas e com menos de três anos de existência — já manifestaram interesse na extração: Viridis, Meteoric, Enova e Axel REE.

“Essas empresas são startups com ações especulativas em bolsa e sem histórico no setor. E querem aplicar um modelo de lixiviação por sulfato de amônia, banido na China por seus riscos ambientais. Estão tratando a região como laboratório”, alertou Tygel.

Segundo ele, apenas a Viridis e a Meteoric já protocolaram pedidos de licenciamento, mas ambos ainda estão em fase preliminar. A planta-piloto da Viridis — que seria instalada dentro da universidade — ainda não obteve licença ambiental, o que também é alvo de contestação jurídica.

“Estamos falando de processar 10 milhões de toneladas de argila por ano, utilizando ácidos e devolvendo esse material ao solo fraturado da região. Há risco real de contaminação do lençol freático e da bacia do Rio Grande, que abastece parte do Sudeste e chega à Argentina”, complementa Ana Paula.

Pressão por transparência e planejamento regional

As críticas também apontam para a ausência de uma política nacional de gestão das jazidas de terras raras, o que expõe as cidades a uma corrida predatória por licenciamento e exploração. As lideranças locais defendem que os municípios se unam para realizar estudos independentes antes de conceder autorizações territoriais às mineradoras.

“Hoje, não estamos apenas licenciando empreendimentos. Estamos decidindo o futuro da identidade econômica, ambiental e cultural da nossa região”, enfatizou Tygel.

Diante do avanço de projetos que envolvem altas quantidades de extração e uso intensivo de químicos em áreas próximas a fontes de águas minerais e termais — como Poços de Caldas, Caldas e Águas da Prata —, o movimento pela cautela e planejamento estratégico começa a ganhar força entre moradores, ambientalistas e entidades civis.

Assista ao debate na íntegra:

Nota da redação: Este texto, especificamente, foi desenvolvido parcialmente com auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial na transcrição e resumo das entrevistas. A equipe de jornalistas do Jornal GGN segue responsável pelas pautas, produção, apuração, entrevistas e revisão de conteúdo publicado, para garantir a curadoria, lisura e veracidade das informações.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Robert Red

    24 de maio de 2025 5:28 pm

    Quando vai haver uma “reforma universitária”? A academia não é o nono planeta.

  2. João

    24 de maio de 2025 7:46 pm

    empresa
    ar-condicionado
    insalubridade
    que não é salubre, que não é saudável.
    o ar-condicionado é útil para proporcionar um ambiente confortável
    este equipamento é responsável por climatizar ambientes, proporcionando temperaturas ideais
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    alta temperatura
    “o trabalhador alega que é submetido a alta temperatura”
    estado
    o estado é negligente
    que merece apreço
    pois é notável que o estado é tolerante com o “favelado”
    o favelado é “criminoso”
    “lâmpada acesa no período diurno”
    CÓDIGO PENAL
    DECRETO-LEI N. 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940
    TÍTULO II
    DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
    CAPÍTULO I
    DO FURTO
    Furto
    Art. 155. Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:

    a energia é um desígnio
    intenção de realizar algo, propósito
    indefensável
    casa de acolhimento
    não é dano moral
    Dano Moral
    A reparação por dano moral visa compensar a vítima pelo sofrimento causado.

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