10 de junho de 2026

‘Lula transmite fortaleza’, diz Juca Kfouri após visitar ex-presidente

Procurador Afrânio Silva Jardim e jornalista Juca Kfouri visitaram o ex-presidente e relatam como foi o encontro. Dia 7 de abril completará um ano que Lula foi preso

Jornal GGN – Após visitar o ex-presidente Lula, preso desde 7 de abril de 2018, no prédio da Superintendência Regional da PF no Paraná, o procurador aposentado de Justiça Ministério Público do Rio de Janeiro, Afrânio Silva Jardim, e o jornalista Juca Kfouri, expuseram suas impressões dos 60 minutos que puderam conversar com líder político.

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Kfouri revelou que, apesar das condições, Lula transmite “fortaleza”.

“Primeiro, eu vim aqui dar um abraço de avô solidário pelo falecimento do neto do Lula. Eu tenho duas netas, eu sou perfeitamente capaz imaginar a dor que sente o presidente Lula pela perda que teve, pelo fato de não poder curtir o luto com os seus filhos, com a sua família, estar aqui. Evidentemente que ninguém que esteja aqui como ele está, praticamente em uma solitária, a gente pode dizer que está bem, embora ele seja essa fortaleza que todos nós conhecemos”, contou.

O jornalista destacou que imaginava encontrá-lo mais debilitado fisicamente, mas o que viu foi alguém preocupado com os “projetos do Brasil”. “Ele só fala ‘em quando sair daqui’ e naquilo que o PT precisa fazer”, destacou.

“[Ele diz que] os petistas têm que ser igual aos pastores, têm que todo o dia repetir as coisas para ensinar o que o Brasil precisa ser amanhã. Não adianta ter uma ideia brilhante e só manifestar a cada 40 dias na reunião do partido. Tem que ser uma pregação diária, tem que ser todo o dia”, exemplificou.

Lula chegou a dizer aos visitantes que “prefere ser um preso digno do que um rato solto”. Apesar do ânimo, o jornalista disse que saiu com sentimento ambíguo do encontro.

“Saio daqui com o sentimento de que não é possível que esse cara seja mantido ali, já há quase um ano, e a gente não sabe por mais quanto tempo. Embora tenha esperança de que cada vez esse tempo seja menor. Mas, saio daqui também otimista, porque não da para encontrar com ele e não ser otimista”.

Já o procurador aposentado Afrânio Silva Jardim demonstrou indignação com o estado de encarceramento de Lula. “Não faz nenhum sentido isolar esse homem por um ano. O maior líder político da história do Brasil isolado numa sala. A troco de quê?”, questionou.

“Juridicamente é um absurdo o que estão fazendo. Juridicamente e processualmente falando. Eu conheço isso, leciono sobre essas coisas há 39 anos. Estudei o caso dele”, pontuou.

“Não estou querendo pregar revolução infantil, nem ser um esquerdista inconsequente, mas eu acho que a gente tem que ficar mais indignado. A gente não pode ficar aqui gritando só ‘Lula boa tarde’, ‘boa noite’, Lula Livre’”, completou.

Emocionado, Afranio seguiu contando que externalizou sua indignação ao próprio Lula.

“Aquilo que via de longe, que me indignava, vendo [agora] pessoalmente, entrando lá, [na] sala de custódia. Semana passada estive na Argentina, fui visitar a ESMA, [Escuela de Mecánica de la Armada, a Auschwitz argentina onde presos políticos foram mortos e torturados na ditadura], e ao entrar na porta me lembrou um pouco. Ele tem um conforto aqui, está muito melhor, evidentemente”, ponderou, mas os procedimentos de revista, retirada de documentos e o isolamento do ex-presidente não deixam de ser uma outra forma de tortura, refletiu.

Redação

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5 Comentários
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  1. Sérgio Rodrigues

    4 de abril de 2019 9:42 pm

    Avante com o nosso preidente!,,,

  2. Sandra Mara

    4 de abril de 2019 10:27 pm

    Grandes homens são cercados de outros grandes homens! Que bom que o Presidente Lula, para confortá-lo nesses momentos difíceis, tenha amigos como Afrânio Silva Jardim e Juca Kfouri. E que honra deve ser para esses últimos ter um amigo como o Presidente Lula!

  3. republicano arrependido

    4 de abril de 2019 10:43 pm

    corajoso, Afrânio Silva Jardim ficou tão indignado
    que quase chegou a pedir luta armada para a libertação de lula…
    pungente e comovente…

  4. gilmar dias

    4 de abril de 2019 11:45 pm

    Para Vargas , em 1954, a decisao racional seria exilar-se.Mas para alguém que é um dos maiores estadistas da História, a lógica é diferente daquela que norteia o restante das pessoas. Lula sabia que a justiça que há na lava jato é a mesma “justiça ” de roubar um sanduiche de uma criança faminta, é um tribunal de exceção, fora-da-lei, apenas um instrumento do imperialismo. Mas Lula aceitou entregar-se a estas autoridades criminosas, talvez por ter consciência de que é o estadista mais importante e justo de nossa História ou por saber que se agisse igual Jango, exilando-se, o Brasil seria dominado pelo fascismo mais tosco e medieval.Mas nem o altruísta gesto de Lula de entregar-se a um tribunal de exceção, nem este gesto salvou o Brasil de ser governado pelos fascistas mais toscos e truculentos. Lula está há um ano numa solitária porque achou que entregando-se aos agentes da c.i.a. conseguiria impedir esta atual catástrofe que destrói o Brasil. Lula fez sua parte, da forma mais altruísta, idealista e generosa possível. Mas o povo preferiu alguém que fala em estuprar mulheres e em fuzilar a petralhada, elogia a tortura e as milícias. Foi a esquerda que não conseguiu transmitir a verdade a este povo, por incapacidade de comunicar-se de forma eficiente com o povo, ou grande parte desse povo identifica-se intensamente com a ideologia do ódio fascista? Que Lula tenha força pra resistir a essa brutal injustiça e que não seja destruido pelo sofrimento.

  5. Rui Ribeiro

    5 de abril de 2019 12:55 am

    Não há um requerimento da OAB no sentido de adiamento?
    Foi algum milico bucha de canhão que deu ordem?
    As ffazarmadas não sao porventura subordinadas ao poder civil?

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