Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – O depoimento do delator Sergio Machado divulgado pelo Estadão nesta terça (6) mostra que o juiz Sergio Moro, a despeito dos boatos de que está prestes a pendurar as chuteiras na Lava Jato, não perdeu um hábito que já foi bastante criticado pela defesa de Lula: o de fazer questionamentos sobre eventuais crimes que estão fora de sua alçada.
Moro quis saber de Machado – um colaborador recorrente nos processos julgados em Curitiba – quem eram os senadores do MDB que bancaram sua permanência na presidência da Transpetro.
Machado respondeu: “A base era Renan [Calheiros], [Edson] Lobão, [José] Sarney, Romero [Jucá] e Jader [Barbalho]. “Eram eles que ficavam com a maior fatia [das propinas na Transpetro], e às vezes, em ano eleitoral, eu pagava propina solicitada por outros partidos”, acrescentou.
A maioria dos citados possui foro privilegiado e, portanto, devem ser processados pela Procuradoria Geral da República e julgados pelo Supremo Tribunal Federal.
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Sem força para gerar, na jurisdição de Moro, ações penais contra quem tem mandato, os depoimentos à Lava Jato servem, pelo menos, para abastecer a grande mídia com manchetes que implicam políticos graúdos, em pleno ano eleitoral.
A bola da vez – pelo menos, no que tange a edição do Estadão – é Marcelo Crivella, atual prefeito do Rio de Janeiro.
O delator disse que foi o “senador Crivella” quem colocou na Transpetro um diretor da área financeira que poderia ter trabalhado pelos interesses do PRB, mas emendou que nunca ficou sabendo de que este executivo tenha arrecadado propina.
Além de perguntar sobre quem formava a bancada do MDB no Senado com poder de influência na Transpetro, Moro perguntou a Machado por que as empresas pagavam propina. Ouviu o que já sabia: “Era a regra do jogo.”
O interrogatório de Moro, com interesse em questões políticos, ocorreu um dia após a notícia de que ele teria pedido exoneração da Universidade Federal do Paraná. A instituição chegou a confirmar o fato à redação do GGN na tarde de segunda (5), mas depois recuou.
Benefícios
Machado também livrou qualquer executivo da Transpetro que tenha sido seu subordinado ao alegar categoricamente que ninguém, exceto ele próprio, participava do esquema de arrecadação de junto às empreiteiras.
No mesmo relato, Machado – o mesmo que gravou Jucá falando sobre o “grande acordo nacional, com o Supremo, com tudo” – admitiu que, só em 2008, levantou mais de R$ 70 milhões em propina na Transpetro. Ele afirmou que ficou com boa parte desses valores, já que o dinheiro desviado “não tinha carimbo”. O delator afirmou que devolveu tudo.
Ainda assim, Machado foi beneficiado pela Lava Jato, mas seu acordo de delação premiada o impele a, volta e meia, participar de algum processo na condição de testemunha de defesa ou acusação.
Almeid
6 de março de 2018 11:34 pmMas qual é o processo? se
Mas qual é o processo? se refere a que? qual o objeto?