Ministros do Supremo ironizam decisão do CNMP de não investigar palestras de Deltan

Crítica surge após revelações de que Dallagnol montou um plano de eventos e palestras para lucrar com a fama e contatos obtidos da Lava Jato

Deltan Dallagnol. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Jornal GGN – Em 2017 o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) arquivou um pedido de abertura de procedimento disciplinar, proposto pelos deputados federais Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous (PT-RJ), contra o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol.

Agora, segundo informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, ministros do Supremo Tribunal Federal questionaram e ironizaram os colegas do CNMP que acabaram avalizando as palestras de Dallagnol como legais e filantrópicas naquele momento. A crítica acontece após a mais recente revelação feita neste domingo (14) pela Folha e pelo The Intercept, mostrando mensagens de que Dallagnol montou um plano de negócios de eventos e palestras para lucrar com a fama e contatos obtidos da Lava Jato.

“Parte do colegiado foi questionada por ministros se o material não deixa claro que o procurador é mesmo um exemplo de ‘abnegação’ e ‘espírito público’”, escreve Daniela Lima, que assina a coluna Painel.

Ainda segundo ela, integrantes do CNMP que já estudavam reabrir a investigação sobre a relação de parceria entre Dallagnol e o ex-juiz Sergio Moro, após as novas revelações afirmam que é inevitável não investigar também o esquema de palestras do procurador da Lava Jato.

O grupo estuda reapresentar o pedido de investigação de Dallagnol no CNMP logo após o recesso, em agosto. Em junho, um pedido de apuração do caso foi arquivado pelo corregedor nacional do Ministério Público, Orlando Rochadel.

Em sua decisão, ele considerou que não era possível confirmar a autenticidade dos diálogos veiculados pelo The Intercept e, ainda, que as informações prestadas por Dallagnol e outros procuradores da Lava Jato “foram necessárias para corroborar o fundamento do arquivamento”. Em outras palavras, o corregedor usou a palavra dos próprios procuradores sob suspeita como ponto de apoio para concluir que o material divulgado pelo Intercept não era confiável e, assim, arquivar o pedido de investigação.

Nas revelações mais recentes, feitas neste domingo, em mensagens trocadas com colegas da Lava Jato, especialmente Roberson Pozzobon, Dallagnol diz ter recebido cerca de R$ 400 mil líquidos em um ano por realizar palestras.

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Por lei, procuradores podem aceitar convites para ministrar cursos e palestras gratuitos ou remunerados. Para realizar a atividade, Dallagnol argumentou que as palestras eram para promover cidadania e combate à corrupção. Entretanto, as mensagens divulgadas pela Folha e Intercept mostram claramente a intenção de buscar lucro.

Dallagnol chegou a abrir um grupo incluindo Pozzebon e as esposas dos dois procuradores onde articulavam abrir uma empresa em nome das mulheres a fim de maquiar que eles estariam por trás da gestão do empreendimento de palestras e cursos.

Ainda segundo a coluna Painel, ministros do STF passaram este domingo reavaliando os termos do tratado da “Fundação Lava Jato”. A proposta surgiu de um acordo realizado entre a Lava Jato em Curitiba para receber no Brasil R$ 2,5 bilhões da Petrobras, após um acordo entre a estatal e os EUA. A proposta foi barrada pela procuradora-geral, Raquel Dodge, em seguida o Supremo concedeu um pedido de suspensão cautelar contra a constituição da Fundação.

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Com as novas revelações sobre o plano de negócios para palestras e eventos de Dallagnol, o PT entrou com um pedido no CNMP para o órgão avaliar a relação entre o procurador e três empresas que organizaram palestras para ele. O pedido inclui o afastamento das atividades de Dallagnol e Pozzobon como procuradores por 120 dias, além da abertura de um processo disciplinar contra os dois. *Para ler a coluna Painel na íntegra, clique aqui.

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10 comentários

  1. Muito dinheiro público seria – efetivamente – economizado se as ditas corregedorias judiciais e dos procuradores/promotores fossem extinguidas. Servem apenas como sugadouro de verbas, sem quaisquer objetivos (a não ser os corporativos) de efetuar as devidas e necessárias correições.

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  2. O roto falando do rasgado. Talvez o Gilmar, com suas empresas de educação, foi o exemplo seguido pelo Delta.

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  3. Os ministros do STF deveriam,antes de tudo,se ironizaram de várias decisões proferidas por alguns de seus pares!

  4. Os ministros do STF deveriam,antes de tudo,se ironizarem de várias decisões proferidas por alguns de seus pares!

  5. Estes senhores obedeceram medrosos a lavajato, não têm o direito nem de ridicularizar quem quer que seja.
    Eles ainda absurdamente mantém o LULA preso. Há algo mais ridículo e criminoso?

  6. HELVÉCIO GOMES: então não se deve fazer nada.. é isso? Deixa tudo como está, melhor não mexer com Deltan e seus meninos! Continuemos com uma cenoura gigante enfiada na nossa garganta, pra não dizer em outro lugar. Já que está tudo CAGADO, melhor continuar! Não se mexe em nada pra não melindrar o MPF.. pra não melindrar o “grande juiz” e por fim para não melindrar Jair&Filhos&Malucos da Igreja. É isso? Preciso entender, helvécio! Se vc não for um ROBÔ, por favor, se manifeste escrevendo, pelo menos, 2 linhas sobre seu ponto de vista.

  7. É uma imensa fonte de renda esta farra da lava-jato. Mas, ao que parece, quem mordeu, mordeu.
    As figuras carimbadas, na realidade marionetes nesta pseudo operação “anti-corrupção”, já estão moribundas e tentando se esconder atrás dos poderosos que das sombras os comandaram através das cordinhas. Mas, breve, irão constatar que estão largados à sua sorte pois aqueles que os manipularam já tiraram o time de campo após atingirem seus objetivos de negócios.
    E graças a um grupo de deslumbrados, que desprovidos de um mínimo de bom senso se deixaram seduzir por holofotes de uma midia dominante e hipócrita, o país regrediu em tudo e a “virgem” brasil vêm sendo estuprada pelas multinacionais taradas e tão extremamente dotadas que a “virgem que todo tarado quer” levará décadas para se recuperar.

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