4 de junho de 2026

Moraes cumpriu o seu dever, defendem ministros do STF

STF e TSE não tem "nada a esconder", diz Barroso. "Nós estamos diante de inusitada situação", disse Dino, que desmentem reportagens
Divulgação CNJ

“Tempestades fictícias” e “acusado de um crime gravíssimo: o de cumprir o seu dever”. Assim descreveram os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as reportagens da Folha de S.Paulo contra Alexandre de Moraes, iniciadas nesta terça-feira (13).

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Sob o argumento de ter tido acesso a “6 GB” de mensagens privadas entre assessores do ministro do STF e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em ambos os gabinetes, os jornalistas Glenn Greewald e Fabio Serapião imputavam supostas ilegalidades em pedidos do ministro, que solicitou demandas aos seus assessores diretos, para inquéritos nas Cortes dos quais ele têm competência.

Para Luis Roberto Barroso, as matérias são “tempestades fictícias”: “Todas as informações requisitadas referiam-se a pessoas que já estavam sendo investigadas e, portanto, em inquérito que já estava aberto perante o Supremo”, afirmou o presidente do STF, na abertura da sessão na tarde desta quarta-feira (14).

As informações eram voltadas à obtenção de dados diante da denúncia de reiteração das condutas de desinformação e de circulação de ataques à democracia e discursos de ódio. Em nenhuma hipótese houve ‘fishing expedition’ dirigida a qualquer pessoas de maneira aleatória”.

O “fishing expedition” é uma prática condenada de autoridades jurídicas ou policiais de buscar algo de forma aleatória, com o intuito de incriminar determinada pessoa, ainda que sem motivações.

Ainda assim, o presidente da Corte ressaltou que o Tribunal Superior Eleitoral, ao contrário do que divulgou a reportagem da Folha, tem o “poder de polícia” e de “fiscalizar e reprimir condutas”. Assim, os pedidos de Moraes junto ao TSE poderiam ter essa finalidade.

Segundo Barroso, o STF e o TSE não tem “nada a esconder” e que se preocupa com o que chamou de “interpretações equivocadas e narrativas” para descredibilizar o Judiciário.

O ministro ressaltou que Moraes estava “cumprindo o seu dever”, assim como manifestou mais cedo o ministro Flávio Dino: “neste momento, ele é acusado de um crime gravíssimo, qual seja, cumpriu o seu dever”, ironizou.

“Em relação a certos parâmetros de organização do mundo, aquele que cumpre o seu dever é atacado e nós estamos diante da inusitada situação em que se questiona o exercício de ofício do poder de polícia”, continuou Dino.

O ministro enfatizou que não conseguiu “encontrar em que capítulo, dispositivo, preceito” o ministro Alexandre de Moraes teria violado “qualquer tipo de determinação da nossa ordem jurídica”.

Logo após a divulgação da primeira reportagem, na noite de ontem, o gabinete de Moraes divulgou nota oficial esclarecendo que os procedimentos adotados por ele foram oficiais, regulares e estão documentados.

“Todos os procedimentos foram oficiais, regulares e estão devidamente documentados nos inquéritos e investigações em curso no STF, com integral participação da Procuradoria Geral da República”, afirmou.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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1 Comentário
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    15 de agosto de 2024 5:23 pm

    Sim, sem dúvida é possível dizer que Alexandre de Moraes não cometeu nenhuma ilegalidade. Mas por outro lado não podemos esquecer que foi o próprio STF que tornou o sistema constitucional brasileiro vulnerável ao VERGONHOSAMENTE impulsionar o golpe contra Dilma Rousseff com decisões absurdas. E foi o próprio STF que, DESCUMPRINDO ACINTOSAMENTE uma decisão da Comissão de Direitos Humanos da ONU, impediu Lula de disputar a eleição perdida por Fernando Haddad. Se o STF tivesse enjaulado aquele maldito presidente da Câmara que usou o cargo para se vingar de Dilma Rousseff iniciando um processo de Impeachment fraudulento a história do Brasil teria sido diferente, centenas de milhares de pessoas não teriam sido assassinadas pelo governo Bolsonaro e a nossa democracia não teria ficado tão instável a ponto de correr risco por causa dos ataques a um ministro do STF.

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