10 de junho de 2026

MPRJ: Menos da metade de policiais usou câmeras corporais em megaoperação no Rio

O comandante do Bope explicou que o planejamento inicial previa uma operação de cinco a seis horas, mas a ação se estendeu por 12 horas
Tomaz Silva/Agência Brasil

Menos da metade dos agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil utilizou câmeras corporais durante a megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no último dia 28 de outubro. A informação consta em apuração do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

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Segundo o comandante do Bope, Marcelo Corbage, apenas 77 dos 215 policiais da tropa de elite estavam equipados com câmeras. Na Core, o número foi de 57 agentes entre 128.

Nos depoimentos prestados ao MPRJ, Corbage e o delegado Fabrício Oliveira, chefe da Core, afirmaram que não havia baterias reservas para os equipamentos. O comandante do Bope explicou ainda que o planejamento inicial previa uma operação de cinco a seis horas, mas a ação se estendeu por 12 horas. A estratégia era garantir que pelo menos um integrante de cada grupo portasse uma câmera.

A Operação Contenção terminou com 121 mortos e 113 presos. Um relatório técnico do Ministério Público encontrou indícios de mortes com características “fora do padrão de confronto”, entre os corpos examinados após a ação.

O documento, obtido pela TV Globo, relata que peritos identificaram ao menos dois casos atípicos: um corpo com marcas de disparo à curta distância e outro com sinais de decapitação.

Segundo o MPRJ, as necropsias foram acompanhadas por técnicos da Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (DEDIT/CI2) entre os dias 28 e 30 de outubro, no Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto.

Os especialistas observaram que todas as vítimas eram homens, entre 20 e 30 anos, com ferimentos compatíveis com munições de alta energia — típicas de fuzis. O relatório destaca, porém, que os dois casos mencionados destoavam do padrão.

Os promotores recomendam uma análise minuciosa das imagens das câmeras corporais e o escaneamento digital das áreas de confronto para esclarecer as circunstâncias das mortes.

Necropsias

A equipe técnica do MPRJ acompanhou todos os 121 exames de necropsia, com 378 varreduras periciais e escaneamentos corporais digitais. O objetivo foi identificar lesões que fugissem ao padrão de confronto armado.

A maioria dos corpos vestia roupas camufladas, coletes e botas operacionais — trajes associados a combate — e alguns portavam munição, drogas e celulares. Muitos apresentavam tatuagens ligadas a facções criminosas.

Apesar disso, o relatório reforça que os achados de disparos à curta distância e decapitação destoam das demais lesões, indicando que nem todas as mortes ocorreram sob as mesmas circunstâncias.

O Ministério Público ainda aguarda a conclusão dos laudos periciais e a identificação oficial dos corpos para relacionar os resultados com os registros de cada vítima.

Consequências

A megaoperação, que reuniu cerca de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar, teve como alvo o Comando Vermelho (CV). Além das mortes e prisões, foram apreendidos 93 fuzis, segundo o balanço oficial.

A ofensiva provocou retaliações de criminosos, com bloqueios em vias expressas como a Linha Amarela e a Grajaú-Jacarepaguá, e levou o município do Rio a entrar em estágio operacional 2, paralisando parte do transporte público.

De acordo com o governo estadual, a ação foi planejada para conter o avanço da facção. O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, afirmou que “a operação foi necessária, planejada e vai continuar”.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    14 de novembro de 2025 9:31 am

    Acham que eles iriam produzir provas contra si mesmos, filmando seus próprios crimes?

    Falta de baterias? Ah, me poupe. Tanto tempo preparando o mega-massacre, digo, megaoperação, e não descuidaram das baterias?

    Ou as baterias descarregaram durante a carnificina?

    Me enganem, Carniceiros.

  2. Rui Ribeiro

    14 de novembro de 2025 12:10 pm

    Quer dizer que se uma operação estiver prevista para durar no máximo 6 horas, os policiais estão dispensados de usar câmaras?

    Claro que eles não iriam produzir provas contra si mesmos.

  3. Rui Ribeiro

    14 de novembro de 2025 12:24 pm

    Victor Santos afirmou que “a operação foi necessária, planejada e vai continuar”. Ele só não disse se na próxima carnificina o planejamento vai contemplar/providenciar as baterias das câmeras dos matadores, na hipótese da próxima operação/carnificina estiver prevista para durar mais de 5 ou 6 horas?

    Por não poder, sozinho, dinamitar a Ilha de Manhattan, sou obrigado a aceitar o adiamento da felicidade coletiva para outro século, sou obrigado a aceitar a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição enquanto fogem a galope os anjos-aviões, carregando o cálice da esperança.

  4. Rui Ribeiro

    14 de novembro de 2025 12:28 pm

    O foco da próxima operação será a obtenção de dados, a prisão da cúpula ou uma nova carnificina?

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