18 de junho de 2026

“Juiz não é xerife”: Desembargador autor de carta após chacina no RJ defende “mais Estado” em comunidades

Buch defende que juízes ajam como “semáforos” e não “xerifes” e que o Estado invista em habitação e saneamento para superar a violência
O desembargador João Marcos Buch, do TJSC. Foto: Cristiano Estrela/TJSC
O desembargador João Marcos Buch, do TJSC. Foto: Cristiano Estrela/TJSC

Desembargador João Marcos Buch traz sensibilidade à tragédia no RJ em entrevista com Luis Nassif no programa “TV GGN 20 Horas”.

Buch expressa consternação com a chacina, defende políticas públicas e critica atuação do judiciário na criminalização dos vulneráveis.

Carta de Buch à Dona Alice visa sensibilizar para direitos humanos e justiça solidária, destacando a importância da esperança.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Na noite de terça-feira, 11 de novembro, o programa “TV GGN 20 Horas” [assista abaixo], transmitido ao vivo pelo canal TV GGN no YouTube, recebeu o desembargador do TJSC, mestre em ciência jurídica e criminólogo João Marcos Buch para uma entrevista com o jornalista Luis Nassif. Buch foi convidado por ter se solidarizado, por meio de uma carta, com o relato de uma mãe devastada pela Chacina na Penha, no Rio de Janeiro, mostrando uma face humana do poder judiciário.

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Durante a entrevista, o desembargador João Marcos Buch expressou sua profunda consternação com a chacina no Rio de Janeiro, classificando-a como uma tragédia que abalou qualquer cidadão brasileiro. Ele ressaltou que, embora resida em Santa Catarina e não tenha a mesma vivência das realidades vulneráveis, busca entender essas comunidades através de visitas e diálogos com coletivos. A sua reação foi particularmente motivada pelo desespero de uma senhora entrevistada na TV, que declarou ter “perdido as esperanças” na melhoria da vida na comunidade.

Diante desse sentimento, Buch decidiu elaborar uma carta, em licença poética, para essa senhora, a quem nomeou Dona Alice. Na carta, ele expressou sua sensibilização pela tragédia humana vivida pelas populações periféricas. “Quando eu publicizei essa carta, o meu objetivo foi de trazer um pouco de sensibilidade humana e ética a toda essa a gravidade que se está vivendo no nosso país”, explicou Buch.

Durante a entrevista, Buch fez duras críticas ao atual modelo de segurança pública e refletiu sobre o papel do Poder Judiciário diante da escalada da violência nas periferias. O desembargador defendeu que falta uma “formação humanística” aos colegas magistrados, para que possam entender que o sistema, como um todo, não está fazendo justiça contra todos os envolvidos no crime organizados, mas sim mirando apenas naqueles que estão na base dos esquemas.

“Para os magistrados, o que falta é essa concepção de que juiz não combate o crime. Juiz não é xerife, não é delegado, não é policial. Juiz julga. O juiz é um semáforo, e esse semáforo vai ser baseado na lei e na Constituição. Se o juiz tiver a formação humanística, souber que ele não é um combatente, não é um justiceiro, que ele está ali para limitar o poder do Estado, (…) a partir daí, ele vai começar a ter essa outra perspectiva, a de que só encarceramos o pequeno, o bagrinho. O pobre e o preto. Aquele grande traficante, aquele que tem apartamento à beira-mar, que lava dinheiro, que corrompe, esse não é alcançado”, comentou.

O desembargador também abordou a necessidade de políticas públicas que ouçam as pessoas das favelas e comunidades periféricas para superar a violência. Ele defendeu a presença do Estado em habitação, saneamento, empregabilidade, saúde e educação, argumentando que a ausência estatal torna essas comunidades violentas.

“Nós queremos o Estado presente para que o ‘estado paralegal’ não tome conta. Queremos o Estado presente em habitação, saneamento, empregabilidade, acesso à saúde, à educação. São esses equipamentos em que o Estado precisa comparecer para que nós consigamos superar esse mundo de violência. Essas comunidades não eram violentas, elas se tornaram violentas pela ausência do Estado”, disparou.

Assista a entrevista completa abaixo:

Nota da Redação: O Jornal GGN utiliza ferramentas de Inteligência Artificial para transcrever o conteúdo de vídeos do canal TV GGN, no Youtube. Os textos são gerados exclusivamente com base na programação, que contém entrevistas realizadas pelo jornalista Luís Nassif e sua equipe, além de análises e debates promovidos por outros coapresentadores e comentaristas do canal. As ferramentas não adicionam material externo ao conteúdo. Todo e qualquer material produzido com auxílio de I.A. é revisado e editado por um jornalista antes de sua publicação, para garantir a lisura das informações e coerência editorial.

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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1 Comentário
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  1. Rui Ribeiro

    13 de novembro de 2025 1:36 pm

    Com profundo respeito, quero discordar do Nobre Desembargador quando ele diz que “Essas comunidades não eram violentas, elas se tornaram violentas pela ausência do Estado”. Na verdade as comunidades não são violentas, elas são violentadas pelas elites sanguessugas.

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