Novo depoimento: número 2 da PF pode dar pistas sobre interferência de Bolsonaro

Carlos Henrique Oliveira de Souza era o superintendente no Rio e ganhou "promoção forçada" para ocupar diretoria executiva da PF. Sabendo de episódios controversos de Bolsonaro, ele quer dar novo depoimento

Jornal GGN – O número 2 da Polícia Federal (PF), delegado Carlos Henrique Oliveira de Souza, já prestou depoimento sobre as acusações de que Jair Bolsonaro interferiu na corporação. Ele era o superintendente da PF no Rio e foi retirado do posto em uma “promoção forçada” para ocupar a diretoria executiva da PF. Agora, ele pediu para conceder um novo depoimento aos investigadores do caso.

Por ter subido de cargo, Bolsonaro argumenta que a retirada de Carlos do comando no Rio não foi uma interferência, já que agora ele é o número 2 da instituição. Em seu primeiro depoimento, Carlos Henrique Oliveira de Souza não trouxe muitos detalhes para a acusação de interferência contra Bolsonaro.

Mencionou um encontro que teve com o mandatário, organizado pelo então diretor da Abin e cotado por Bolsonaro para substituir Maurício Valeixo do comando da PF, Alexandre Ramagem, uma das peças-chaves na acusação de interferência por Bolsonaro. O encontro teria durado entre 20 a 30 minutos e ocorreu pouco antes de Carlos ser nomeado para a Superintendência do Rio, no final do ano passado.

Na época, Carlos era superintendente da PF em Pernambuco. A decisão de nomeá-lo ao Rio deveria ser de Maurício Valeixo, então diretor da PF, ou do então ministro da Justiça, Sérgio Moro (leia mais aqui). Mas nem Valeixo, nem Moro compareceram a este encontro. Somente Ramagem e Bolsonaro.

Ao narrar a rápida reunião, Souza disse que “não foi declarado nenhum objetivo específico para a sua audiência com o presidente Jair Bolsonaro” e que “o delegado Ramagem apenas pontuou que seria importante o depoente [Sousa] conhecer o presidente Bolsonaro”. Também sem se aprofundar no conteúdo desta reunião, Carlos disse que presidente teria tratado “de sua trajetória, como normalmente fala ao público”.

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Além dessa, outra declaração também foi foco de atenção dos investigadores. O delegado Carlos Henrique Oliveira de Souza foi questionado quais policiais do Rio seriam próximos a Jair Bolsonaro. Souza citou o nome de Márcio Derenne, hoje representante da PF na Interpol. Negou haver influência política na escolha de Derenne para o posto, mas disse que ele era amigo de um dos filhos de Bolsonaro, sem saber identificar qual.

E reportagem do Uol desta quarta (20) mostra que Derenne já foi homenageado por Flávio Bolsonaro, hoje senador (Republicanos-RJ). A cerimônia ocorreu em 2008, quando o filho 01 do mandatário era deputado estadual e concedeu ao delegado a Medalha Tiradentes.

A relação de Derenne com a família Bolsonaro e o encontro do então delegado prestes a ser nomeado superintendente da PF devem trazer avanços para a investigação contra Bolsonaro. E que podem ser esclarecidos pelo hoje número 2 da corporação, Carlos Henrique de Souza, que irá conceder novo depoimento aos investigadores.

 

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3 comentários

  1. Espero que a PF não desperdice esta rara oportunidade de se livrar de vez dos freios e cabrestos que os milicianos querem colocar em qualquer policial…
    depois de tantos anos de boa atuação, ser igualada a uma PM estadual, por exemplo, será muito humilhante para todos.

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