O Supremo encontrou seu caso Dred Scott, diz Lênio Streck

Um dos grandes constitucionalistas brasileiros, dotado de ampla liberdade intelectual, o jurista Lênio Streck analisa o julgamento do habeas corpus de Lula pelo Supremo Tribunal Federal. Considera que o STF encontrou seu caso Dred Scott, um julgamento que a Suprema Corte norte-americana enfrentou em meados do século 19, e que até hoje envergonha a casa.

Considera que a decisão marcou o primeiro dia do resto das nossas vidas, onde o desafio maior será juntar os cacos do direito.

A entrevista foi concedida na 5ª feira à noite, depois do anúncio da ordem de prisão de Lula pelo juiz Sérgio Moro.

GGN – O que achou da decisão de Sérgio Moro de ordenar a prisão de Lula. Não havia recursos ainda?

Lênio Streck – Claro que sim. Mas não surpreende sabendo de onde vem. É de onde a Constituição não tem lugar. Um habeas corpus não concedido, eivado de contradições, tendo ainda embargos declaratórios, principalmente em uma questão que é bizarra. Você tem declaradamente 6 votos pela admissão da presunção da inocência conforme a Constituição, com duas variações, que são as posições dos Ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli para a questão do STJ. Mas a soma deles, com a Ministra Rosa Weber, dá 6. Ou seja, maioria.

Mas a Ministra acabou, de uma forma muito estranha e bizarra, dizendo que a posição dela, com relação à presunção, é positiva, mas, ao mesmo tempo, em relação ao habeas corpus ela estranhamente se coloca contra.

Ela diz que é pela questão da colegialidade. Isso é uma invenção da Casa dos Lordes, da Inglaterra, que já em 1966 sacou esse negócio. Se seguir à risca, nunca mudará as leis. O próprio Ministro Ricardo Lewandowski disse isso. Se seguir à risca a tese da Ministra, todo mundo vai continuar tendo a mesma posição. Não tem nenhum sentido.

Os Ministros, na sua grande maioria, disseram que estavam votando a tese, portanto estavam votando uma espécie de condição principal. O Ministro Barroso chegou a dizer que nem estava examinando o habeas corpus, porque estava votando só a tese. O Ministro Fux também disse. Então como aceitar o voto da Ministra Weber, que é a única que não vota na tese, mas vota contra o habeas corpus? Essa é a contradição sanável por embargos de declaração. Obviamente não transitou em julgado, não podia ser cumprido. Portanto, o pedido da prisão é inconstitucional.

GGN – Alguns advogados dizem que a defesa de Lula teria que ter impetrado paralelamente um HC no STJ. Poderiam?

Lênio – Agora cabe, em face da violação do habeas corpus, que comporta embargos declaratórios e, portanto, não poderia cumprir imediatamente a decisão. Veja bem, o HC foi negado. Quando se nega o HC, ela não pode ser cumprida antes dos embargos declaratórios. Cabe HC e cabe pedido de liminar em relação às ADCs (Ação Direta de Constitucionalidade), que Kakay pediu. (As ADCs discutem a constitucionalidade da prisão após sentença em segunda instância).

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Se Rosa Weber cumprir sua palavra, e ela disse a todo momento que é favorável à tese da OAB (que apresentou uma das ADCs), por que então o presidente e qualquer outro réu tem que ir para a prisão esperando uma decisão que já se sabe qual é? 

GGN – Quais as consequências dessa decisão para o Estado de Direito?

Lênio – Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas nas quais a moral venceu o direito, o voluntarismo venceu a Constituição. Hoje começamos a contagem regressiva e levaremos muitos anos para juntar os cacos.

Nos Estados Unidos, em 1857, houve o famoso caso Dred Scott, no qual a Supremo Corte negou a Dred, que era escravo, a condição de entrar em juízo, porque não era pessoa. Até hoje a Suprema Corte se envergonha dessa decisão.

Estou pensando se este caso não é o nosso caso Dred Scott, pelas circunstâncias, pela questão bizarra. Se Ministros disseram que estavam votando a tese, por que é que é a Ministra Rosa Weber levantou essa coisa da colegialidade?

Garantias fundamentais a gente reconhece nos direitos do inimigo. Mas não resisto a um comentário, ironia da história. Dos 6 votos que hoje são favoráveis à salvação do presidente, 3 não foram votados por Dilma e Lula: Celso de Mello, o decano, Gilmar Mendes, Marco Aurélio de Mello, que acabaram votando pela tese mais clara do mundo: onde está escrito xis, leia-se xis. Na clareza da lei, cessa a interpretação.

Em direito a coisa funciona assim: se tenho um dispositivo que diz xis, para eu não cumprir xis, eu tenho que dizer que essa norma não vale. O Supremo não diz que não vale e, na sua maioria, não cumpriu.

GGN – A gente vê abusos de toda ordem em procuradores, juízes, delegados. Qual vai ser o impacto dessa decisão na estrutura do Judiciário.

Lênio – Como dizia Nelson Rodrigues, tudo isso que está acontecendo é fruto de muito trabalho e esforço. Durante anos, a comunidade jurídica não se importou com o direito. Os concursos públicos passaram a ser preenchidos por pessoas despreparadas, se formando em torno de cursinhos, em uma estrutura meramente técnica, muito mais em decisões dos tribunais, dando pouca bola para a doutrina. Aí se criou um círculo vicioso. Os cursinhos perguntam coisas que os tribunais decidem, e os tribunais perguntam nos concursos o que os cursinhos ensinam. Criamos uma geração que não valoriza a Constituição e a doutrina. Apenas segue uma coisa tardia no Brasil, que chamamos de realismo tardio. Você não confia mais no direito, na Constituição, mas apenas naquilo que os juízes dizem. Criamos um pequeno estamento, isso dito pelo próprio Ministro Gilmar Mendes, que faz com que o direito dependa de opiniões pessoais. 

GGN – Vimos que, no comando de uma maioria, o Supremo pode reescrever a Constituição. Como enfrentar essa subversão?

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Lênio – é o problema do ativismo judicial, que venho denunciando há mais de 20 anos. Os próprios governos de esquerda se preocuparam pouco com o direito, deixando um pouco de lado essa discussão. Não se regulamentou a questão dos cursinhos de preparação, as faculdades de direito. Não se trabalhou o reforço de uma forte doutrina que tratasse a democracia brasileira, confiando na velha tese de que o direito é o que os tribunais querem que seja.

Hoje em dia, o direito brasileiro só falava em inglês, em common law, em colegialidade, como se um país de Terceiro Mundo, que precisa do Parlamento, fosse confiar mais na Inglaterra.

Nós estamos admitindo que o Supremo Tribunal reescreva a Constituição. E pior, colaboramos com isso, com as súmulas vinculantes. A soma disso tudo é uma tempestade perfeita.

GGN –  Nessa balbúrdia, qual o futuro da democracia?

Lênio – Vejo com muita preocupação. As democracias só sobrevivem quando direito e Constituição têm grau de autonomia. A grande conquista do Segundo pós-guerra para cá, foi mostrar que a democracia só se faz a partir do direito. A política tem que pagar pedágio para o direito. Agora, se o direito paga pedágio para a política e para a moral, não é mais direito. Nos pós-guerra, o direito viu que fracassou. Qual a saída? Uma Constituição que fosse forte e fosse cumprida. Quando tem crise, como na Espanha e em Portugal, quase um ano sem governo, ninguém pensou em mudar a Constituição, porque sabem que a política paga pedágio para a Constituição.

 GGN – A crise das constituições é tipicamente brasileira?
Lênio
– É mais acentuada em países como nosso, pelo dualismo metodológico. No século 19 se falava que as Constituições eram folhas de papel. Havia uma realidade social e podia se substituir as leis pela realidade social. Eram outros tempos. Hoje, em países como nosso, uma visão da realidade social para substituir a Constituição é uma temeridade. E aí viramos uma espécie de democracia plebiscitária e um judiciário plebiscitário. Quando um Ministro do Supremo diz “eu tenho que atender o anseio popular”, eu digo “alto lá! Como você afere isso? Tem uma pesquisa?”. E se tivesse a pesquisa, paradoxalmente o Judiciário não precisaria existir. Se o anseio popular vale mais que a Constituição, caio num paradoxo. Se pudesse comprovar esse tal de anseio popular, o Judiciário seria inútil.

 GGN – Porque no Brasil há mudança de perfil tão grande de pessoas que mudam suas convicções depois que se tornam Ministros?

Lênio – Eu diria que, nessas contas de débito e crédito, a comunidade jurídica está em insolvência epistêmica. Fracassamos, porque não conseguimos dizer uma coisa mínima: Constituição é remédio contra maioria; Supremo Tribunal não pode atender o reclamo das ruas; entre o clamor das ruas e da Constituição, vale o ronco da Constituição.

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Nenhuma democracia no mundo se fortaleceu com questões sazonais. Primeiro, porque a opinião pública é opinião publicada. Depois, porque é sazonal. Vou dar um exemplo, vou ser cruel. Você lembra como o Ministro Celso de Mello no mensalão? O que ele disse sobre quadrilhas, bandoleiros? Todos disseram, olha que absurdo! Passado um tempo, o Ministro deu ontem um voto belo. Eu não sei daqui a dois meses, como ele atuará. Em uma democracia, o direito só se sustenta com certo grau de ortodoxia. Tem limites para as interpretações.

No meu programa Direito e Literatura, discutimos a superinterpretação. Pode discutir de Capitu traiu ou não Bentinho. A única coisa que não pode escrever é que Capitu era um travesti.

Uma pessoa carregando um porco nas costas, se colocar cinco pessoas, cada qual vai ter sua interpretação. Mas não pode dizer que é uma ovelha

Como se faz direito no Brasil? Como o personagem Humpty Dumpty, que diz à Alice, eu dou às palavras o sentido que eu quero. Diz para ela, porque você só faz aniversário uma vez por ano? E ela, porque é assim. E ele, você pode fazer 364 desaniversários e ganhar 364 presentes. Ela diz “não pode ser assim”. E ele: “pode, porque eu dou às palavras o sentido que eu quero”.

Com essa liberdade interpretativa, não há mais fatos, há apenas relatos. O que é a prova hoje no processo penal brasileiro, uma espécie de processo penal 3.0, com direção hidráulica? Prova tem que ser provada. E hoje, como diz o Dallagnol, eu tenho convicção. É nesse sentido a prova é só uma crença, uma convicção na cabeça de quem acusa.

O Direito abriu mão dos conceitos

 GGN – Qual o impacto da desorganização mercado de opinião, com as redes sociais, mais o fundamentalismo religioso?

Lênio – O exemplo é o Dallagnol, que mistura religião com Estado e com direito. Ele não sabe que Estado não se mete com religião, nem religião com Estado. Aquilo que Dallagnol e outros propõem, é a mesma coisa que se dizer que a sociedade exige que se faça isso. Ou seja, as opiniões morais valem mais que o direito. O custo da democracia é você, mesmo contra sua vontade, preservar o direito do inimigo. Senão, tem efeito bumerangue. Um querido amigo, jurista alemão, diz: Cuidado, os textos jurídicos podem revidar, podem bater de volta.

No Brasil, cada vez que se descumpre a Constituição, ele pode de volta e bater. Pau que bate em Francisco bate em Chico. Qualquer homem de bem, qualquer pessoa sem antecedentes, agora, condenada em segundo grau, começa a cumprir a pena. Onde? Em presídios que o próprio Supremo declarou como masmorras medievais.

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36 comentários

  1. Há uma constatação feita pelo
    Há uma constatação feita pelo Lênio em tom de advertência que acho genial pela simplicidade e força de seus argumentos: “o direito é o que os tribunais querem que seja”.

  2. O PODER NASCE DA PONTA DO CANO DE UM FUZIL. Mao Tse- Tung

    O PODER NASCE DA PONTA DO CANO DE UM FUZIL.

    Mao Tse- Tung

    MINI-MANUAL DO GUERRILHEIRO URBANO

    Carlos Marighella

    Características da Técnica das Guerrilhas

     

    A técnica da guerrilha urbana tem as seguintes características:

    a. Uma parte é relacionada aos requisitos que se agrupam a estas características, requisitos representados por uma série de vantagens iniciais sem as quais o guerrilheiro urbano não pode completar seus objetivos;

    b. Uma parte concerne certos objetivos definitivos nas ações iniciadas pela guerrilha urbana;

    c. Uma parte é relacionada com os tipos e modos característicos de ação das guerrilhas urbanas;

    d. Uma parte concerne o método da guerrilha urbana realizar ações específicas.

    A técnica da guerrilha urbana tem as seguintes características:

    a. É uma técnica agressiva, isto é, tem um caráter ofensivo. Como é bem conhecido, a ação defensiva significa a morte para nós. Já que somos inferiores ao inimigo em poder de fogo e não temos nem seus recursos nem seu poderio, não podemos nos defender de uma ofensiva ou um ataque concentrado pelo exército. E esta é a razão pela qual a técnica urbana nunca pode ser de natureza permanente, nem pode defender uma base fixa nem permanecer em um só lugar esperando para repelir o círculo de reação;

    b. É uma técnica de ataque e retirada pelo qual preservamos nossas forças.

    c. É uma técnica que busca o desenvolvimento das guerrilhas urbanas, cuja função é desgastar, desmoralizar, e distrair as forças inimigas, permitindo o desenvolvimento e sobrevivência da guerrilha rural que esta destinada a um papel decisivo na guerra revolucionária.

    9.1 A Vantagem Inicial da Guerrilha Urbana

    As dinâmicas das guerrilhas urbanas consiste nos violentos choques do guerrilheiro urbano com as forças militares e policiais da ditadura. Nestes choques, os policiais tem a superioridade. O guerrilheiro urbano tem forças inferiores. O paradoxo é que o guerrilheiro urbano, a pesar de ser mais fraco, é sem dúvida o atacante.

    As forças militares e policiais, por sua parte, respondem ao ataque com a mobilização e concentração de forças infinitamente superiores na perseguição e destruição das forças guerrilheiras. Somente se pode evitar a derrota quando se conta com as vantagens iniciais e sabe como explorar com fim de compensar suas vulnerabilidades e falta de material.

    As vantagens iniciais são:

    a. Tem que tomar o inimigo de surpresa;

    b. Tem que conhecer o terreno de encontro melhor que o inimigo;

    c. Tem que ter maior mobilidade e velocidade que a polícia e as outras forças repressoras;

    d. Seu serviço de informação tem que ser melhor que o do inimigo;

    e. Tem que estar no comando da situação e demonstrar uma confiança tão grande que todos de nosso lado sejam inspirados e nunca pensem em hesitar, enquanto que os do outro bando estão atordoados e incapazes de responder.

    Surpresa

    Para compensar por sua debilidade geral e falta de armas comparado com o inimigo, o guerrilheiro urbano utiliza a surpresa. O inimigo não tem nenhuma forma de lutar contra a surpresa e se torna confuso ou é destruído.

    Quando a guerra de guerrilhas urbanas iniciou no Brasil, a experiência demonstrou que a surpresa era essencial para o êxito de qualquer operação de guerrilha.

    A técnica de surpresa baseia-se em quatro requisitos essenciais:

    a. conhecemos a situação do inimigo que vamos a atacar usualmente por meio de informação precisa e observação meticulosa, enquanto que o inimigo não sabe se será atacado ou não sabe nada em relação ao atacante;

    b. conhecemos a força do inimigo que será atacado e o inimigo não sabe nada sobre a nossa;

    c. atacando por surpresa, nós economizamos e conservamos nossas forças, enquanto que o inimigo não é capaz de fazer o mesmo e é deixado a mercê dos eventos;

    d. determinamos a hora e o lugar do ataque, combinamos sua duração, e estabelecemos seu objetivo. O inimigo permanece ignorante de tudo isto.

    Conhecimento do Terreno

    O melhor aliado do guerrilheiro é o terreno porque o conhece como a palma de sua mão.

    Ter o terreno como um aliado significa saber como utilizar suas irregularidades com inteligência, seus pontos mais altos e baixos, suas curvas, suas passagens regulares e secretas, áreas abandonadas, terrenos baldios, etc., tirando a vantagem máxima de tudo isto para o êxito das ações armadas, fugas, retiradas, encobrimento e esconderijos.

    Os lugares impenetráveis e os lugares estreitos, as ruas sob construção, pontos de controle de polícia, zonas militares e ruas fechadas, entradas e saídas de túneis e aqueles que o inimigo possa bloquear, viadutos que devem ser cruzados, esquinas controladas pela polícia ou vigiadas, suas luzes e sinais, tudo isto tem que ser completamente estudado para poder evitar erros fatais.

    Nosso problema é o de passar e saber onde e como esconder-nos, deixando o inimigo confuso em áreas que ele não conhece.

    O guerrilheiro urbano familiarizado com o terreno difícil e irregular, avenidas, ruas, estradas, entradas e saídas, esquinas dos centros urbanos, suas passagens e atalhos, os lotes vazios, suas passagens subterrâneas, seus tubos e sistemas de esgoto pode cruzar com segurança pelo terreno não familiar para a polícia, onde podem ser surpreendidos em uma emboscada fatal em qualquer momento.

    Por conhecer o terreno o guerrilheiro pode passar a pé, em bicicleta, em automóvel, 4×4, ou caminhão e nunca ser apanhado. Atuando em grupos pequenos com umas quantas pessoas, os guerrilheiros podem se reunir em uma hora em lugares determinados, prosseguindo o ataque, com novas operações de guerrilha, ou evadindo o círculo da polícia e desorientando o inimigo com sua audácia sem precedente.

    É um problema sem solução para a polícia, num terreno tipo labirinto do guerrilheiro urbano, prender a alguém que não pode ver, ou tratar de fazer contato com alguém que não podem encontrar.

    Nossa experiência é que o guerrilheiro urbano ideal é alguém que opera em sua própria cidade e que conhece completamente a cidade e suas ruas, suas vizinhanças, seus problemas de trânsito, e outras peculiaridades.

    O guerrilheiro estrangeiro, que vem a cidade na qual o terreno não é familiar para ele, é um ponto fraco e se é designado para certas operações, pode colocá-la em perigo. Para evitar erros graves, é necessário que o primeiro conheça bem a localização das diferentes ruas.

    Mobilidade e Velocidade

    Para assegurar a mobilidade e a velocidade que a polícia não pode alcançar, o guerrilheiro urbano necessita dos seguintes pré-requisitos:

    a. mecânicos;

    b. conhecimento do terreno;

    c. uma ruptura ou suspensão das comunicações e transportes do inimigo;

    d. armamento leve.

    Há que ter cuidado na execução de operações que duram escassamente uns momentos, e partindo do lugar em, veículos, o guerrilheiro urbano faz uma retirada rápida, escapando da perseguição

    O guerrilheiro urbano tem que saber o caminho em detalhe e, neste sentido, tem que praticar o itinerário antes de tempo como treinamento para evitar caminhos que não tenham saída, ou acabanando em engarrafamentos, ou terminar paralisado por construções do Departamento de Trânsito.

    A polícia persegue ao guerrilheiro urbano cegamente sem o conhecimento de que estrada ele vai tomar para sua fuga.

    Enquanto o guerrilheiro urbano foge rapidamente porque conhece o terreno, a polícia perde a pista e dão por terminada a perseguição.

    O guerrilheiro urbano deve lançar suas operações longe das bases logísticas da polícia. Uma vantagem inicial deste método de operação é que nos coloca a uma distância razoável da possibilidade de perseguição, o que facilita a evasão.

    Em adição a esta precaução necessária, o guerrilheiro urbano tem que estar preocupado com o sistema de comunicação do inimigo. O telefone é o alvo primário para prevenir o acesso inimigo à informação mediante a sabotagem de seu sistema de comunicações.

    Ainda tendo conhecimento da operação guerrilheira, o inimigo depende de transporte moderno para seu apoio logístico, e seus veículos necessariamente perdem tempo ao leva-lo pelo trânsito pesado das grandes cidades.

    É claro que o trânsito congestionado e perigoso é uma desvantagem para o inimigo, como também o seria para nós se não estivéssemos adiantados em relação ao inimigo.

    Se queremos uma margem de segurança e estar seguros de não deixar pistas para o futuro, podemos adotar as seguintes medidas:

    a. interceptar de propósito a polícia com outros veículos ou por inconveniências casuais ou danos; mas neste caso o veículo em questão não deve ser legal ou ter placas de licença verdadeiras;

    b. obstruir a estrada com árvores caídas, pedras, valas, letreiros de trânsito falsos, estradas obstruídas ou desvios, e outros meios engenhosos;

    c. colocar minas caseiras no caminho da polícia, utilizar gasolina, ou jogar bombas Molotov para incendiar seus veículos;

    d. disparar uma rajada de balas de metralhadora ou armas tais como a FAL contra o motor e pneus dos veículos envolvidos na perseguição.

    Com a arrogância típica da polícia e das autoridades militares fascistas, o inimigo virá lutar com armas pesadas e equipamento, e com manobras elaboradas de homens armados até os dentes. O guerrilheiro urbano tem que responder a isto com armas leves facilmente transportáveis, para que sempre possa escapar com velocidade máxima, sem aceitar uma luta aberta. O guerrilheiro urbano não tem outra missão do que atacar e retirar-se.

    Nos exporíamos a derrotas mais contundentes se nos sobrecarregamos com armamento pesado e com o peso tremendo das munições necessárias para disparar, na mesma perdendo o presente precioso da mobilidade.

    Quando o inimigo luta contra nos a cavalo não temos desvantagem sempre e quando temos veículos. O automóvel anda mais rápido que o cavalo. Desde o interior do automóvel também temos o alvo do policial montado, derrubá-lo com metralhadora, revólver ou com coquetéis Molotov e granadas.

    Por outro lado, não é tão difícil para um guerrilheiro urbano a pé fazer de um policial a cavalo um alvo. Acima de tudo, cordas estendidas ao longo de estradas, bolas de gude e rolhas são métodos muito eficientes de fazer ambos caírem. A grande desvantagem do policial montado é que se apresenta ao guerrilheiro urbano como dois alvos excelentes: o cavalo e seu cavaleiro.

    À parte de ser mais rápido que um cavalo, o helicóptero não tem melhores oportunidades em uma perseguição. Se o cavalo é muito lento comparado com o automóvel do guerrilheiro urbano, o helicóptero é muito rápido. 

    Movendo-se a 200 quilômetros por hora nunca terá êxito em atingir desde cima a um alvo perdido entre as multidões e os veículos da rua, nem tampouco pode aterrizar em ruas para capturar alguém. Além disso, quando tenta voar a baixas alturas torna-se extremadamente vulnerável ao fogo do guerrilheiro urbano.

    Informação

    As possibilidades que o governo tem de descobrir e destruir o guerrilheiro urbano diminuem a medida que o potencial dos inimigos do ditador tornam-se maiores e mais concentrados entre as massas populares. A concentração de oponentes da ditadura exerce um papel muito importante na obtenção de informação dos movimentos de polícia e de homens do governo, como também ocultar nossas atividades. 

    O inimigo pode ser enganado por informação falsa, o qual é pior para ele porque independente de seu significado, as fontes de informação a disposição do guerrilheiro urbano são potencialmente melhores que as dos policiais. O inimigo é observado pela população, mas desconhece quem dentre a população passa informações aos guerrilheiros urbanos. Os militares e a polícia são odiados pelas injustiças e violência que tem cometido contra a população, e isto facilita a obtenção de informação prejudicial às atividades de agentes do inimigo.

    A informação, que é somente uma pequena parte do apoio popular, representa um potencial extraordinário nas mãos do guerrilheiro urbano. A criação de um serviço de inteligência com uma estrutura organizada é uma necessidade básica para nós. O guerrilheiro urbano tem que ter informação essencial dos planos e movimentos do inimigo, onde se encontra, e como se movem, os recursos da rede bancária, os meios de comunicação e seus movimentos secretos.

    A informação confiável passada ao guerrilheiro urbano representa um golpe certeiro contra a ditadura. Não há forma de defender-se quando se enfrenta uma perda importante de informação que põe em perigo seus interesses e facilita nosso ataque destrutivo.

    O inimigo também quer conhecer que passos estamos tomando para que possa nos destruir ou prevenir de atuar. Neste sentido o perigo da traição esta presente e o inimigo o fomenta e nutre, e infiltra espiões na organização. As técnicas do guerrilheiro urbano usadas contra esta tática do inimigo é de denunciar publicamente os traidores, espiões, informantes e provocadores.

    Já que nossa luta toma lugar entre as massas e depende de sua simpatia – enquanto que o governo tem uma má reputação devido a sua brutalidade, corrupção e incompetência – os informantes, espiões, traidores, e a polícia vem a serem os inimigos da população sem apoiadores, denunciados aos guerrilheiro urbanos, e em muitos casos, devidamente castigados.

    Por sua parte os guerrilheiros urbanos não devem de evitar sua responsabilidade – uma vez que sabem quem é o espião ou informante – de liquidá-lo. Este é o método correto, aprovado pela população, e minimiza consideravelmente a incidência de infiltração ou espionagem inimiga.

    Para o completo êxito na batalha contra os espiões é essencial a organização de um serviço de contra-espionagem ou contra-inteligência. No entanto, com respeito à informação, não pode ser reduzida a somente saber os movimentos do inimigo e evitar a infiltração de seus espiões. A informação tem que ser ampla, tem que incluir tudo, incluindo os dados mais significativos. Há uma técnica de obter informação e o guerrilheiro urbano a tem que dominar. Seguindo esta técnica, a informação é obtida naturalmente, como uma parte da vida das pessoas.

    O guerrilheiro urbano, vivendo em meio da população e movendo-se entre eles, tem que prestar atenção a todo tipo de conversação e reações humanas, aprendendo a esconder seus interesses com grande juízo e destreza.

    Em lugares onde as pessoas trabalham, estudam e vivem, é fácil obter todo tipo de informação de pagamentos, negócios, pontos de vista, opiniões, estado de mente das pessoas, viagens, interiores de edifícios, oficinas e habitações, centros de operações etc. A observação, investigação, reconhecimento, e exploração do terreno também são fontes excelentes de informação.

    O guerrilheiro urbano nunca vai a nenhum lugar sem prestar atenção e sem precaução revolucionária, sempre alerta por se acontece algo. Olhos e ouvidos abertos, sentidos alertas, a memória gravada com todo o necessário para agora ou para o futuro, e para a continuação da atividade do soldado guerrilheiro.

    A leitura cuidadosa da imprensa com atenção particular aos órgãos de comunicação em massa, a investigação de fatos acumulados, a transmissão de notícias e tudo observado, uma persistência em ser informado e em informando os outros, tudo isto compõe a questão intrincada e imensamente complicada de informação que lhe dá ao guerrilheiro urbano a vantagem decisiva.

    Decisão

    Não é suficiente para o guerrilheiro urbano ter a seu favor surpresa, velocidade, conhecimento do terreno e informação. Ele também deve demonstrar seu comando em qualquer situação e uma capacidade de decisão sem a qual todas as demais vantagens lhe resultariam inúteis.

    É impossível levar ao fim qualquer ação, sem estar bem planejada, se o guerrilheiro urbano resulta ser indeciso, incerto ou irresoluto.

    Ainda uma ação que tenha sido começada com sucesso pode terminar em derrota sem o comando da situação e a capacidade para tomar decisões falhar em meio a execução do plano. Quando este comando da situação e a capacidade para a decisão estão ausentes, este vazio é preenchido pela hesitação e o temor. O inimigo toma vantagem desta falha e é capaz de liquidar-nos.

    O segredo para o sucesso de qualquer operação, simples ou complicada, fácil ou difícil, é o de confiar em determinados homens. No sentido estrito, não existe uma operação fácil: tudo tem que ser realizado com o mesmo cuidado praticado em casos mais difíceis, começando com a eleição dos elementos humanos, que significa depender da liderança e capacidade de decisão em qualquer situação.

    Pode se antecipar o resultado de uma ação pela forma em que os participantes atuam durante a fase preparatória. Aqueles que estão atrasados, que não fazem os contatos designados, são facilmente confundidos, esquecem coisas, deixam de completar os elementos básicos do trabalho, possivelmente são homens indecisos e podem ser um perigo. É melhor não incluí-los.

    A decisão significa colocar em prática, o plano que foi idealizado, com determinação, com audácia, e com uma firmeza absoluta. Somente basta uma pessoa que hesita perder tudo.

    9.2 Objetivos das Ações de Guerrilha Urbana

    Com suas técnicas desenvolvidas e estabelecidas, o guerrilheiro urbano baseia-se em modelos de ação que o conduzem a atacar e, no Brasil, com os seguintes objetivos:

    a. ameaçar o triângulo no qual os sistemas de dominação do estado brasileiro e norte-americano são mantidos no Brasil, um triângulo cujos pontos são Rio, São Paulo, e Belo Horizonte e cuja base é o eixo Rio-São Paulo, onde o gigante complexo industrial, econômico, político, cultural, militar, policial que sustenta o poder decisivo do país está localizado;

    b. debilitar os guardas locais ou os sistemas de segurança da ditadura, dado o fato de que estamos atacando e os militares defendendo, o qual significa capturando as forças governamentais em posições defensivas, com suas tropas imobilizadas em defesa de todo complexo de manutenção nacional, e com seu medo onipresente de um ataque em seus centros nervosos estratégicos, e sem saber onde, como, e quando virá o ataque;

    c. atacar em todos lados, com muitos grupos armados diferentes, pequenos em números, cada um independente e operando por separado, para dispersar as forças do governo em sua perseguição de uma organização extremadamente fragmentada em vez de oferecer-lhes à ditadura a oportunidade de concentrar suas forças repressivas na destruição de um sistema altamente organizado e estruturado operando em todo o pais;

    d. provar sua combatividade, decisão, firmeza, determinação, e persistência no ataque contra a ditadura militar para permitir que todos os inconformes sigam nosso exemplo e lutem com táticas de guerrilha urbana. Enquanto tanto, o governo, com todos os problemas, incapaz de deter as operações da guerrilha na cidade, perderam o tempo e sofreram desgastes, o que finalmente ocasionará que retirem suas tropas para poder vigiar os bancos, industrias, armarias, barracas militares, televisão, escritórios norte-americanas, tanques de armazenamento de gás, refinarias de petróleo, barcos, aviões, portos, aeroportos, hospitais, centros de saúde, bancos de sangue, lojas, garagens, embaixadas, residências de membros proeminentes do regime, tais como ministros e generais, estações de policia, e organizações oficiais, etc.

    e. aumentar os distúrbios dos guerrilheiros urbanos gradualmente em ascendência interminável de tal maneira que as tropas do governo não possam deixar a área urbana para perseguir o guerrilheiro sem arriscar abandonar a cidade, e permitir que aumente a rebelião na costa como também no interior do pais;

    f. para obrigar o exército e a policia, com os comandantes e seus assistentes, a mudar a acomodação e tranqüilidade relativa das barracas e seu relativo descanso, por um estado de alarme e tensão em aumento da expectativa de ataque ou a busca de pistas que se desvanecem sem deixar traço algum;

    g. para evitar batalhas abertas e combate decisivo com as forças do governo, limitando a luta a ataques rápidos e breves com resultados relâmpagos;

    h. para assegurar aos guerrilheiros urbanos um máximo de liberdade de ação e movimento sem ter que evitar o uso de violência armada, permanecendo firmemente orientado até o começo da guerra de guerrilha rural e apoiando a construção de um exército revolucionário para a libertação nacional.

     9.3 Sobre os Tipos e Natureza de Modelos de Ação para os Guerrilheiros Urbanos 

    Para poder alcançar os objetivos previamente enumerados, o guerrilheiro urbano está obrigado, em sua técnica, a seguir uma ação cuja natureza seja tão diferente e diversificada como seja possível. O guerrilheiro urbano não escolhe arbitrariamente este ou aquele modelo de ação.

    Algumas ações são simples, outras são complicados. O guerrilheiro urbano sem experiência tem que ser incorporado gradualmente em ações ou operações que correm desde as mais simples até as mais complicadas. Começa com missões e trabalhos pequenos até que se converta completamente em um guerrilheiro urbano com experiência.

    Antes de qualquer ação, o guerrilheiro urbano tem que pensar nos métodos e no pessoal disponível para realizar a ação. As operações e ações que demanda a preparação técnica do guerrilheiro urbano não podem ser executadas por alguém que carece de destrezas técnicas. Com estas precauções, os modelos de ação que o guerrilheiro urbano pode realizar são os seguintes:

    a. assaltos

    b. invasões

    c. ocupações

    d. emboscadas

    e. táticas de rua

    f. greves e interrupções de trabalho

    g. deserções, desvios, tomas, expropriações de armas, munições e explosivos

    h. libertação de prisioneiros

    i. execuções

    j. seqüestros

    l. sabotagem

    m. terrorismo

    n. propaganda armada

    o. guerra de nervos

    Assaltos

    O assalto é o ataque armado com o qual fazemos expropriações, libertamos prisioneiros, capturamos explosivos, metralhadoras, e outras armas típicas e munições.

    Os assaltos podem ser realizados de noite ou de dia. O assalto de noite é usualmente o mais vantajoso às guerrilhas urbanas. A idéia é que o assalto seja executado de noite quando as condições para um ataque de surpresa são mais favoráveis e a obscuridade facilita a fuga e esconde a identidade dos participantes. O guerrilheiro urbano tem que preparar-se, no entanto, para atuar baixo qualquer condição, de noite ou de dia.

    Os alvos mais vulneráveis para o assalto são os seguintes:

    a. bancos e estabelecimentos de crédito

    b. negócios comerciais ou industriais, incluindo a produção de armas e explosivos

    c. estabelecimentos militares

    d. delegacias e estações de policia

    e. presídios

    f. propriedade do governo

    g. meios de comunicação de massa

    h. escritórios e propriedades norte-americanas

    i. veículos do governo, incluindo veículos militares e da polícia, caminhões, veículos armados, carregadores de dinheiro, trens, barcos, e aviões.

    O assalto em estabelecimentos são da mesma natureza porque em cada caso a propriedade e os edifícios representam um alvo fixo.

    Os assaltos aos edifícios concebidos como operações de guerrilha, variam de acordo a se são bancos, negócios comerciais, industrias, acampamentos militares, delegacias, presídios, estações de rádio, armazéns de empresas imperialistas, etc.

    Os assaltos em veículos – carros blindados, trens, barcos, aviões – são de outra natureza já que envolvem um alvo em movimento. A natureza da operação varia de acordo à situação e a possibilidade – isto é, se o alvo é estacionário ou móvel.

    Os carros blindados, incluindo veículos militares, não são imunes às minas. Estradas obstruídas, armadilhas, enganos, intercepção de outros veículos, bombas Molotov, atirar com armamento pesado, são métodos eficientes de assaltar veículos.

    Os veículos pesados, aviões em terra, barcos ancorados, podem ser tomados e as tripulações capturadas. Os aviões em vôo podem ser desviados de seu curso pela ação guerrilheira ou por uma pessoa.

    Os barcos e trens em movimento podem ser assaltados ou tomados por operações de guerrilha para poder capturar as armas e munições ou para evitar o deslocamento de tropas.

    O Assalto a Banco como Modelo Popular

    O modelo de assalto mais popular é o assalto à banco. No Brasil, a guerrilha urbana começou um tipo de assalto organizado em bancos como uma operação guerrilheira. Hoje este tipo de assalto é utilizado comumente e tem servido como um tipo de exame preliminar para o guerrilheiro urbano em seu processo de aprendizagem da guerra revolucionária.

    Tem se desenvolvido inovações importantes na técnica de assalto à bancos, o qual assegura a fuga, a retirada de dinheiro, e o anonimato das pessoas envolvidas. Entre estas inovações temos atirar nos pneus dos carros para evitar que sejamos perseguidos, trancar as pessoas nos banheiros dos bancos, obrigá-los a que se sentem no chão do banheiro; imobilizar os guardas do banco e tomar seu armamento, obrigar a alguém a abrir a caixa forte; e a utilização de disfarces.

    Tentativas para instalar alarmes de bancos, ou para utilizar guardas ou aparelhos de detecção eletrônicos de origem norte-americana, são de pouca utilidade quando o assalto é de tipo político e executado de acordo com as técnicas de guerrilha urbana. 

    Esta técnica trata de utilizar novos recursos para alcançar as mudanças táticas do inimigo, tem acesso a poder de fogo que esta em crescimento todos os dias, se faz mais astuta e audaz, e utiliza um grande número de revolucionários todas as vezes, todas para garantir o êxito das operações planejadas até o ultimo detalhe.

    O assalto à banco é a expropriação típica. Mas, como é certo para qualquer tipo de expropriação armada, o revolucionário esta em desvantagem por dois competidores:

    a. competição por delinqüentes;

    b. competição por contra-revolucionários de direita;

    Esta competição produz confusão, o qual é refletido em incerteza da população. Depende do guerrilheiro urbano prevenir que isto aconteça, e para conseguir isto utiliza dois métodos;

    a. tem que evitar a técnica de bandidos, o qual é o uso de violência desnecessária e da expropriação de mercadorias e posses da população;

    b. tem que usar o assalto para propósitos de propaganda, no mesmo momento em que esta acontecendo, e depois distribuir material, papéis, e todo meio possível de explicar os objetivos e os princípios do guerrilheiro urbano como expropriador do governo, das classes governantes, e do imperialismo.

    Batidas

    As batidas são ataques rápidos em estabelecimentos localizados na vizinhança ou até no centro da cidade, tal como unidades militares pequenas, delegacias, hospitais, para causar problemas, tomar armas, castigar e aterrorizar o inimigo, tomar represálias, ou resgatar prisioneiros feridos, ou aqueles hospitalizados baixo vigilância da policia.

    As batidas também são lançadas em garagens e estacionamentos para destruir veículos e danificar instalações, especialmente se são empresas e propriedades norte-americanas.

    Quando tomam lugar em certas extensões de estrada ou em certas vizinhanças distantes, os ataques podem servir para obrigar o inimigo a mover grandes números de tropas, um esforço totalmente inútil já que não encontraram ninguém com quem lutar.

    Quando são realizadas em certas casas, escritórios, arquivos, ou escritórios públicos, seu propósito é de capturar ou buscar papéis secretos e documentos com os quais denunciar o envolvimento, os compromissos, e a corrupção dos homens no governo, seus negócios sujos e as transações criminosas com os norte-americanos. As batidas são mais efetivas se são realizadas de noite.

    Ocupações

    As ocupações são um tipo de ataque realizado quando um guerrilheiro urbano se estaciona em estabelecimentos e localizações específicas, para uma resistência temporal contra o inimigo ou para algum propósito de propaganda.

    A ocupação de fábricas e escolas durante greves ou em outros momentos é um método de protesto ou de distrair a atenção do inimigo.

    A ocupação das estações de rádio é para propósitos de propaganda.

    A ocupação é um método muito efetivo para a ação mas, para prevenir perdas e danos materiais a nossas forças, é sempre uma boa idéia o contar com a possibilidade de retirada. Sempre tem que ser meticulosamente planejada e executada no momento oportuno. A ocupação sempre tem um limite de tempo e enquanto mais rápido se realize, melhor. 

    Emboscada

    As emboscadas são ataques tipificados por surpresa quando o inimigo é apanhado em uma estrada ou quando faz que uma rede de policiais rodeie uma casa ou propriedade. Uma mensagem falsa pode trazer o inimigo a um lugar onde caia em uma armadilha.

    O objeto principal da tática de emboscada é de capturar as armas e castigá-los com a morte.

    As emboscadas para deter trens de passageiros são para propósitos de propaganda, e quando são trens de tropas, o objetivo é de eliminar o inimigo e tomar suas armas.

    O franco-atirador guerrilheiro é o tipo de lutador ideal especialmente para as emboscada porque pode se esconder facilmente nas irregularidade do terreno, nos trechos dos edifícios e dos apartamentos sob construção. Desde janelas e lugares escuros pode mirar cuidadosamente a seu alvo escolhido.

    As emboscadas tem efeitos devastadores no inimigo, deixando o nervoso, inseguro e cheio de temor.

    Táticas de Rua

    As táticas de rua são usadas para lutar com o inimigo nas ruas, utilizando a participação das massas contra ele.

    Em 1968, os estudantes Brasileiros utilizaram táticas de rua excelentes contra as tropas da polícia, tais como marchar pelas ruas contra o trânsito, e utilizar estilingues e bolas de gude contra a polícia montada.

    Outras táticas de rua consistem na construção de barricadas, atirando garrafas, tijolos, e outros projéteis desde o telhado de apartamentos e edifícios de negócios contra a polícia; utilizando edifícios sob construção para sua fuga, para esconder-se, e para apoiar os ataques surpresa.

    É igualmente necessário saber como responder às táticas do inimigo. Quando as tropas de policiais vêm protegidas com capacetes para defender-se de objetos lançados, nos dividimos em duas equipes; uma para atacar o inimigo de frente, ou outra para atacá-lo desde a retaguarda, retirando um à medida que o outro avança para prevenir que o primeiro se converta em um alvo dos projéteis atirados pelo segundo.

    De igual forma é importante saber como responder a uma rede de polícias. Quando a policia designa uma certa área para que seus homens entrem em massa para prender a um manifestante, um grupo maior de guerrilheiros urbanos tem que rodear o grupo da polícia, desarmá-los, surrando-os e na mesma hora permitir que o prisioneiro fuja. Esta operação de guerrilha urbana se chama a rede dentro de uma rede.

    Quando a rede policial se forma em um edifício de escola, uma fábrica, um lugar onde as massas se congregam, ou algum outro ponto, o guerrilheiro urbano não deve render-se ou que o tomem por surpresa. Para assegurar que sua rede funcione o inimigo se vera na obrigação de transportar a polícia em veículos e carros especiais para ocupar pontos estratégicos nas ruas para invadir edifícios ou locais selecionados. 

    O guerrilheiro urbano, por sua parte, nunca deve de sair de um edifício ou uma área ou entrar nela sem primeiro conhecer todas as saídas, a forma de romper o círculo, os pontos estratégicos que a policia poderia ocupar, e as estradas que inevitavelmente conduzem até a rede, e deve apoderar-se de outros pontos estratégicos desde os quais possa golpear o inimigo.

    As estradas seguidas pelos veículos da polícia tem que serem minadas em pontos chaves e a pontos forçados de parada. Quando as minas explodem, os veículos voaram pelos ares. Os policiais cairão na armadilha e sofreram perdas ou serão vítimas de uma emboscada. A rede tem que ser quebrada por rotas de fuga desconhecidas para a polícia. O rigoroso plano de retirada é a melhor maneira de frustrar qualquer esforço de acercamento por parte do inimigo.

    Quando não há a possibilidade do plano de fuga, a guerrilha urbana não deve esperar reunir-se, agrupar-se, ou fazer qualquer outra coisa, já que fazê-lo evitará sua possibilidade de romper a rede do inimigo, que seguramente tentará atirar a redor dele.

    As táticas de rua têm revelado um novo tipo de guerrilheiro urbano, o guerrilheiro urbano que participa dos protestos em massa. Este é o tipo que designaremos como o guerrilheiro urbano manifestante, que se une à multidão e participa das marchas populares com fins específicos e definitivos.

    Estes fins consistem em atirar pedras e projéteis de todo tipo, utilizando gasolina para começar incêndios, utilizando a polícia como alvo para suas armas de fogo, capturando as armas dos policiais, seqüestrando agentes do inimigo e provocadores, disparar cuidadosamente aos chefes de polícia que vem em carros especiais com placas falsas para não atrair a atenção.

    O guerrilheiro urbano manifestante ensina aos grupos nas manifestações as rotas de fuga se é necessário. Coloca minas, atira bombas Molotov, prepara emboscadas e explosões.

    O guerrilheiro urbano manifestante também tem que iniciar a rede dentro da rede, revistando os veículos do governo, os carros oficiais, e os veículos da polícia para ver se tem dinheiro ou armas antes de virá-los e colocá-los fogo.

    Os franco-atiradores são muito bons para as manifestações em massa e, juntos com os guerrilheiros urbanos manifestantes, podem exercer um papel chave. Escondidos em pontos estratégicos, os franco-atiradores tem completo êxito, utilizando escopetas, metralhadoras, etc., cujo fogo e rebote causam perdas entre os inimigos. 

    Greves e Interrupções de Trabalho

    A greve é o modelo de ação empregado pelo guerrilheiro urbano em centros de trabalho e escolas para prejudicar o inimigo por meio da detenção do trabalho e das atividades de estudo. Já que é uma das armas mas temidas pelos exploradores e opressores, o inimigo utiliza um tremendo poder ofensivo e incrível violência contra. Os grevistas são levados à prisão, sofrem golpes, e muitos terminam assassinados.

    O guerrilheiro urbano tem que preparar a greve de tal forma como para não deixar indícios ou pistas que possam identificar os líderes da ação. Uma greve é bem sucedida quando é organizada por meio da ação de um grupo pequeno, se é preparado cuidadosamente em segredo e pelos métodos mais clandestinos.

    As armas, munições, Molotovs, armas caseiras de destruição e ataque, tudo isto tem que ser suprido previamente para antecipar o inimigo. Para que possa causar a maior quantidade de dano possível, é uma boa idéia estudar e por em prática um plano de sabotagem.

    As interrupções de trabalho e estudo, apesar de serem de breve duração, causam dano severo ao inimigo. É suficiente para eles surgir em pontos diferentes e em diferentes setores nas mesmas áreas, interrompendo a vida diária, ocorrendo, sem fim, um dia depois do outro, de forma autenticamente guerrilheira.

    Em greves ou simples interrupções de trabalho, o guerrilheiro urbano tem o recurso de ocupar ou penetrar no local ou simplesmente fazer um ataque. Nesse caso, seu objetivo é o de tomar reféns, capturar prisioneiros ou capturar agentes inimigos e propor um intercâmbio de prisioneiros (para liberar os grevistas).

    Em certos casos, as greves e as breves interrupções de trânsito podem oferecer uma excelente oportunidade para a preparação de emboscadas ou armadilhas cujo fim é o de destruição física da cruel e sanguinária polícia.

    O fato básico é que o inimigo sofre perdas em pessoal e material e danos morais, e é debilitado pela ação.

    Deserções, Desvios, Confiscos, Expropriações de Armas, Munições e Explosivos

    Deserções e desvios de armas são ações efetuadas em campos militares, hospitais militares, etc. O soldado da guerrilha urbana, o chefe, sargento, suboficial, e o oficial devem desertar no momento mais oportuno com armas modernas e munições, para entregá-las à guerrilha.

    Um dos momentos mais oportunos é quando a guerrilha urbana militar é chamada para perseguir e lutar contra seus camaradas guerrilheiros fora dos quartéis militares. Em vez de seguir as ordens dos oficiais, a guerrilha urbana militar deve juntar-se aos revolucionários dando-os as armas e munições que carregam, ou o veículo militar que ele opera.

    A vantagem deste método é que os revolucionários recebem as armas e munições do exército, marinha, força área, polícia, guarda civil, ou dos bombeiros sem nenhum trabalho, porque lhes chega em mãos por meio de transporte do governo.

    Outras oportunidades podem ocorrer nas barracas, e a guerrilha urbana militar deve estar alerta a isso. Em caso de descuido de parte dos comandantes ou em outras condições favoráveis, assim como as atividades burocratas ou o relaxamento de disciplina por parte dos suboficiais ou outro pessoal interno, a guerrilha urbana militar não pode esperar, mas tem que tratar de avisar os guerrilheiros e desertar sós ou acompanhados, mas com uma quantidade de armas tão grande como seja possível.

    Com a informação e a participação da guerrilha urbana militar, ataques em barracas e outros estabelecimentos militares com o propósito de capturar armas, podem ser organizados.

    Quando não há a possibilidade de desertar com as armas e munições, a guerrilha urbana deve se engajar na sabotagem, começando com explosões e incêndios em depósitos de munições e pólvora.

    Esta técnica de desertar com armas e munições, atacando e sabotando os centros militares, é a melhor maneira de cansar e de desmoralizar aos soldados, deixando-os confusos.

    O propósito da guerrilha urbana em desarmar um inimigo individual é o de capturar suas armas. Estas armas estão usualmente nas mãos dos sentinelas e outros que estão executando a guarda ou repressão.

    A captura das armas podem ser completadas por meios violentos ou pela astúcia ou armadilhas. Quando o inimigo esta desarmado, ele deve ser revistado em busca de outras armas que não sejam as que já foram retiradas. Se nos descuidamos, ele pode usar essas armas para disparar nos guerrilheiros urbanos.

    O confisco de armas é um método eficaz para adquirir metralhadoras, a arma mais importante da guerrilha.

    Quando executamos pequenas operações ou ações para confiscar armamentos e munições, o material capturado pode ser para uso pessoal ou armamento e abastecimento dos grupos de tiro. 

    A necessidade de prover um poder disparador para a guerrilha urbana é tão grande que, em ordem para começar do ponto zero as vezes temos que comprar uma arma, desviar, ou capturar uma só arma. O ponto básico é começar, e começar com um espírito de determinação e coragem. A posse de uma simples metralhadora multiplica nossas forças.

    Em um assalto a banco, devemos ser cuidadosos de confiscar as armas dos guardas. O resto das armas as encontraremos com o tesoureiro, o caixa, ou o administrador, e também devem ser confiscadas.

    O outro método que podemos utilizar é a preparação de emboscadas contra a polícia e os automóveis que usam para locomover-se.

    Realmente muitas vezes, nós tivemos êxito capturando armas em estações policiais, como um resultado de ataques repentinos.

    As vezes triunfamos em capturar armas em delegacias de polícia, como resultado de ataques repentinos.

    A expropriação de armas, munições e explosivos é a meta da guerrilha urbana em assaltar locais comerciais, industrias e quartéis. 

    Libertação de Prisioneiros

    A libertação de prisioneiros é uma operação armada designada para libertar guerrilheiros urbanos presos. Na luta diária contra o inimigo, a guerrilha urbana esta sujeita a prisões e podem ser sentenciados a ilimitados anos na cadeia. Isto não quer dizer que a batalha revolucionária acabe aqui. Para o guerrilheiro, sua experiência é aprofundada pela prisão e a luta continua igualmente até nos calabouços onde se encontram prisioneiros.

    O guerrilheiro urbano encarcerado vê a prisão como um terreno que deve dominar e entender para libertar-se por meio de uma operação da guerrilha. Não há prisão, nem uma ilha, ou uma penitenciária da cidade, ou uma fazenda, que seja inpregnável pela astúcia, perseverança e pelo potencial de fogo dos revolucionários.

    O guerrilheiro urbano que é livre vê os estabelecimentos penais do inimigo como um lugar inevitável da ação guerrilheira designada a libertar seus irmãos ideológicos que estão aprisionados.

    É a combinação do guerrilheiro urbano livre e o guerrilheiro urbano aprisionado que resulta nas operações armadas a que nos referimos como a libertação de prisioneiros.

    As operações de guerrilha que se podem usar para libertar os prisioneiros são as seguintes:

    a. ataques a estabelecimentos penais, em colônias de correção ou ilhas, ou transportes ou barcos de prisioneiros;

    b. assaltos a penitenciárias rurais ou urbanas, casas de detenção, delegacias, depósitos de prisioneiros, ou outros lugares permanentes, ocasionais ou temporários, onde se encontram os prisioneiros.

    c. assaltos a transportes de prisioneiros, trens e automóveis;

    d. ataques e batidas em prisões;

    e. emboscadas a guardas que estão movendo prisioneiros.

    Execuções

    Execução é matar um espião norte-americano, um agente da ditadura, um torturador da policia, ou uma personalidade fascista no governo que está envolvido em crimes e perseguições contra os patriotas, ou de um “dedo duro”, informante, agente policial, um provocador da policia.

    Aqueles que vão à polícia por sua própria vontade fazer denúncias e acusações, aqueles que suprem a polícia com pistas e informações e apontam a gente, também devem ser executados quando são pegos pela guerrilha.

    A execução é uma ação secreta na qual um número pequeno de pessoas da guerrilha se encontram envolvidos. Em muitos casos, a execução pode ser realizada por um franco-atirador, paciente, sozinho e desconhecido, e operando absolutamente secreto e a sangue-frio.

    Seqüestros

    Seqüestrar é capturar e assegurar em um lugar secreto um agente policial, um espião norte-americano, uma personalidade política ou um notório e perigoso inimigo do movimento revolucionário.

    O seqüestro é usado para trocar ou libertar camaradas revolucionários aprisionados, ou para forçar a suspensão da tortura nas cadeias de uma ditadura militar.

    O seqüestro de personalidades que são artistas conhecidos, figuras do esporte ou que são grandiosos em algum campo, mas que não tem evidência de um interesse político, podem ser uma forma de propaganda para os princípios patrióticos e revolucionários da guerrilha urbana sendo que ocorra baixo circunstâncias especiais, e o seqüestro seja manipulado de uma maneira que o público simpatize com ele e o aceite.

    O seqüestro de residentes norte-americanos ou visitantes no Brasil constituem uma forma de protesto contra a penetração e a dominação do imperialismo dos Estados Unidos em nosso país.

    Sabotagem

    O sabotagem é um tipo de ataque altamente destrutivo usando somente várias pessoas e as vezes requerendo somente uma para terminar o resultado desejado. Quando a guerrilha urbana usa a sabotagem, a primeira fase é a sabotagem isolada. Então vem a fase de sabotagem dispersada ou generalizada, levando a população.

    Um plano de sabotagem bem executado demanda estudo, planejamento e cuidadosa execução. Uma forma característica da sabotagem é a explosão usando dinamite, incêndio e a implantação de minas.

    Um pouco de areia, uma gota de qualquer tipo de combustível, ou pouca lubrificação, um parafuso removido, um curto-circuito, peças de madeira ou ferro, podem causar danos irreparáveis.

    O objetivo da sabotagem é para doer, danificar, deixar sem uso e para destruir pontos vitais do inimigo assim como os seguintes:

    a. a economia de um país;

    b. a produção agrícola e industrial;

    c. sistemas de comunicação e transporte;

    d. sistemas policiais e militares e seus estabelecimentos e depósitos;

    e. o sistema repressor do sistema militar-policial;

    f. empresas e propriedades norte-americanas no país.

    A guerrilha urbana deve pôr em perigo a economia do país, particularmente seus aspectos financeiros e econômicos, assim como as redes comerciais domésticas e estrangeiras, suas mudanças nos sistemas bancários, seu sistema de coleta de impostos, e outros.

    Escritórios públicos, centros de serviços do governo, armazéns do governo, são alvos fáceis para sabotagem. Não vai ser fácil prevenir a sabotagem da produção agrícola e industrial pela guerrilha urbana, com sua sabedoria completa da situação.

    Trabalhadores industriais atuando como guerrilheiros urbanos são excelentes para a sabotagem industrial já que sabem, melhor que ninguém, entendem a indústria, a fábrica, a maquinária, e talvez possam destruir toda a operação, fazendo mais dano que uma pessoa mal informada.

    A respeito dos sistemas de comunicações e de transportes do inimigo, começando com o tráfego ferroviário, é necessário atacá-lo sistematicamente com as armas de sabotagem.

    A única precaução é a de não causar a morte ou ferimento fatal aos passageiros, especialmente aos que viajam com regularidade nestes trens suburbanos ou de longa distância.

    Ataques a trens de carga, em movimento ou estacionados, parar os sistemas de comunicação e de transporte militar, são os maiores objetivo da sabotagem nesta área.

    Vagões podem ser danificados e retirados, assim como os trilhos. Um túnel bloqueado depois de uma explosão, uma obstrução de um vagão descarrilado, causam tremendo dano.

    O descarrilamento de um trem de carga contendo combustível é um dos maiores danos que se podem fazer ao inimigo. Assim como dinamitar pontes de vias. Num sistema onde o peso e o tamanho do equipamento rodante é enorme, leva-se meses para reparar ou reconstruir a destruição ou o dano.

    As rodovias, podem ser obstruídas por árvores, veículos estacionados, valas, deslocação de barreiras por dinamite e pontes destruídas por explosões.

    Os barcos podem ser danificados enquanto ancorados em portos marítimos, ou de rios, ou em estaleiros. Os aviões podem ser destruídos ou sabotados na pista.

    As linhas telefônicas e telegráficas podem ser sistematicamente danificadas, suas torres serem destruídas, e suas linhas ficarem sem uso algum.

    As comunicações e o transporte devem ser sabotados imediatamente, porque a guerra revolucionária já começou no Brasil e é essencial impedir o movimento de tropas e munições do inimigo.

    Oleodutos, instalações de combustível, depósitos de bombas e munições, armazéns de pólvora e arsenais, campos militares e bases, devem tornar-se alvos de operações de sabotagem por excelência, enquanto que os veículos, caminhões do exército, e outros automóveis militares e policiais podem ser destruídos ao encontrá-los.

    Os centros de repressão militares e policiais e seus específicos e especializados órgãos, devem também chamar a atenção do sabotador da guerrilha urbana.

    As empresas e propriedades norte-americanas no país, por sua parte, devem ser alvos tão freqüentes de sabotagem que o volume das ações dirigidas sobrepasse o total de todas outras ações contra os pontos vitais do inimigo.

    Terrorismo

    O terrorismo é uma ação, usualmente envolvendo a colocação de uma bomba ou uma bomba de fogo de grande poder destrutivo, o qual é capaz de influir perdas irreparáveis ao inimigo.

    O terrorismo requer que a guerrilha urbana tenha um conhecimento teórico e prático de como fazer explosivos.

    O ato do terrorismo, fora a facilidade aparente na qual se pode realizar, não é diferente dos outros atos da guerrilha urbana e ações na qual o triunfo depende do plano e da determinação da organização revolucionária. É uma ação que a guerrilha urbana deve executar com muita calma, decisão e sangue frio.

    Ainda que o terrorismo geralmente envolva uma explosão, há casos no qual pode ser realizado execução ou incêndio sistemático de instalações, propriedades e depósitos norte-americanos, fazendas, etc. 

    É essencial assinalar a importância dos incêndios e da construção de bombas incendiárias como bombas de gasolina na técnica de terrorismo revolucionário. Outra coisa importante é o material que a guerrilha urbana pode persuadir o povo a expropriar em momentos de fome e escassez, resultados dos grandes interesses comerciais.

    O terrorismo é uma arma que o revolucionário não pode abandonar.

    Propaganda Armada

    A coordenação das ações da guerrilha urbana, incluindo cada ação armada, é a principal forma de fazer propaganda armada.

    Estas ações, feitas com determinados e específicos objetivos, inevitavelmente se fazem material de propaganda para o sistema de comunicação das massas.

    Assaltos a bancos, emboscadas, deserções, resgate de prisioneiros, execuções, seqüestros, sabotagem, terrorismo e a guerra de nervos são todos casos em ponto.

    Aviões com rotas de vôo trocados pela ação revolucionária, barcos e trens em movimento assaltados e capturados por guerrilheiros, podem ser usados somente para efeitos de propaganda.

    Mas a guerrilha urbana nunca deve fracassar em instalar uma imprensa clandestina e deve poder fazer cópias mimeografadas usando álcool ou pranchas elétricas ou outros aparelhos duplicadores, expropriando o que não pode comprar em ordem de produzir um jornal pequeno, panfletos, volantes e estampas para a propaganda e agitação contra a ditadura.

    A guerrilha urbana comprometida com a imprensa clandestinas facilita enormemente a incorporação de um grande número de gente na batalha revolucionária, abrindo um trabalho permanente para aqueles que desejam trabalhar com a propaganda revolucionária, mesmo que quando fazê-lo signifique trabalhar sozinho e arriscar sua vida como revolucionário.

    Com a existência de propaganda clandestina e material agitador, o espírito inventor da guerrilha urbana expande e cria catapultas, artefatos, morteiros e outros instrumentos com os quais distribuir os panfletos anti-governo a distância.

    Gravações em fita, a ocupação de estações de rádio, o uso de alto falantes, desenhos em paredes e em outros lugares inacessíveis são outras formas de propaganda. Em usá-las, a guerrilha urbana deve dar-lhes um caráter de operações armadas.

    Uma propaganda consistente de cartas enviadas a endereços específicos, explicando o significado das ações armadas da guerrilha urbana, isto produz consideráveis resultados e é um método de influenciar certos segmentos da população.

    Se esta influência é exercitada no coração das pessoas por todo possível mecanismo de propaganda girando em torno da atividade da guerrilha urbana, isto não indica que nossas forças tem o suporte de todos.

    É suficiente ganhar o suporte de parte da população e isto pode ser feito popularizando uma frase: “Deixe que aquele que não quer fazer nada pelos revolucionários, faça nada contra.”

    Guerra de Nervos

    A guerra de nervos ou guerra psicológica é uma técnica agressiva, baseada no direto ou indireto uso dos meios de comunicação de massas e notícias transmitidas oralmente com o propósito de desmoralizar o governo.

    Na guerra psicológica, o governo esta sempre em desvantagem, porque impõe censura nas massas e termina numa posição defensiva por não deixar nada contrário infiltrar-se.

    Neste ponto desespera-se, envolve-se em grandes contradições e perda de prestígio, perde tempo e energias num cansado esforço ao controle, qual é sujeito a romper-se em qualquer momento.

    O objeto da guerra de nervos é para enganar, propagar mentiras entre as autoridades na qual todos podem participar, assim criando um ar de nervosismo, descrédito, insegurança e preocupação por parte do governo.

    Os melhores métodos usados pela guerrilha urbana na guerra de nervos são os seguintes:

    a. usando o telefone e o correio para anunciar falsas pistas à polícia e ao governo, incluindo informação de bombas e qualquer outro ato de terrorismo em escritórios públicos e outros lugares, planos de seqüestro e assassinato, etc, para obrigar as autoridades a cansar-se, dando seguimento à falsa informação que foi alimentada;

    b. permitindo que planos falsos caiam nas mãos da polícia para desviar sua atenção;

    c. plantar rumores para deixar o governo nervoso;

    d. explorando cada meio possível de corrupção, de erros e de falhas do governo e seus representantes, forçando-os a explicações desmoralizantes e justificações nos meios de comunicação de massas que mantém baixo censura;

    e. apresentando denúncias a embaixadas estrangeiras, às Nações Unidas, a nunciatura do papa, e as comissões internacionais judiciais defensoras dos direitos humanos ou da liberdade de imprensa, expondo cada violação concreta e o uso de violência pela ditadura militar e fazendo conhecer que a guerra revolucionária irá continuar seu curso com perigos sérios para os inimigos da população.

    9.4 Como Executar a Ação 

    A guerrilha urbana que corretamente passa através de seu aprendizado e seu treinamento deve dar grande importância a sua tática de executar sua ação, por isso não se deve cometer o mais pequeno erro.

    Qualquer descuido na assimilação do método e seu uso, convida certo desastre, assim como a experiência nos ensina cada dia.

    Os bandidos cometem erros freqüentemente por seus métodos, e esta é uma das razões pela qual a guerrilha urbana deve estar tão intensamente preocupada por seguir a técnica revolucionária e não a técnica dos bandidos.

    Não há guerrilha urbana merecedora do nome que ignore a tática revolucionária de ação e fracasse em praticar rigorosamente o planejamento e a execução de suas atividades.

    O gigante é conhecido por seus dedos. O mesmo pode ser dito da guerrilha urbana que é conhecida tão longe como seus métodos corretos e sua fidelidade absoluta aos princípios.

    O método revolucionário de execução de uma ação é fortemente baseado no conhecimento e no uso dos seguintes elementos: 

    a. investigação de informação;

    b. observação e vigilância;

    c. reconhecimento ou exploração do terreno;

    d. estudo e tempo das rotas;

    e. mapas;

    f. mecanização;

    g. cuidadosa seleção de pessoal;

    h. seleção do poder de fogo;

    i. estudo e prática em êxito;

    j. êxito;

    l. disfarce;

    m. retirada;

    n. dispersão;

    o. libertação e troca de prisioneiros;

    p. eliminação de pistas;

    q. resgate de feridos.

    Algumas Observações nas Táticas

    Quando não há informação, o ponto de saída do plano de ação deve ser investigação, observação e vigilância. Este método também da bons resultados.

    Em qualquer evento, incluindo quando há informação, é essencial fazer observações para ver se a informação esta a par com a observação ou vice-versa.

    Reconhecimento ou exploração do terreno, estudo e o tempo das rotas, são tão importantes que quando omitidos seria como tentar apunhalar no escuro.

    Mecanização, em geral, é um fator subestimado no método de conduzir uma ação. Freqüentemente a mecanização é deixada para o fim, antes de que se faça algo sobre isso.

    Isto é um erro. A mecanização deve de ser considerada seriamente, deve ser colhida com ampla vista e de acordo com um plano cuidadoso, também baseado na informação e observação, e deve ser executado com cuidado rigoroso e precisão. O cuidado, conservação, manutenção e camuflagem dos veículos expropriados são detalhes bem importantes da mecanização. 

    Quando o transporte falha, a ação principal falha com sérias conseqüências morais e materiais para a atividade da guerrilha urbana.

    A seleção de pessoal requer grande cuidado para evitar a inclusão de pessoas indecisas e vacilantes que presentes com perigo possam contaminar os outros participantes, uma dificuldade que deve ser evitada. 

    A retirada é igual ou mais importante que a operação em si, ao ponto de ter que ser planejada rigorosamente, incluindo a possibilidade de falha.

    Deve-se evitar o resgate ou a transferência de prisioneiros com crianças presentes, ou qualquer coisa que atraia a atenção das pessoas em trânsito casual na área. O melhor é fazer o resgate tão natural quanto seja possível, sempre passando ao redor, ou usando estradas diferentes ou ruas estreitas que quase não permitam a passagem a pé, para evitar o encontro dos carros. 

    A eliminação das pistas é obrigatório e demanda grande precaução ao esconder as impressões digitais e outras classes de indícios que informem o inimigo. A falta de cuidado na eliminação dos vestígios e das pistas é um fator que aumenta o nervosismo em nossas patentes que o inimigo as vezes explora.

    Resgate de Feridos

    O problema com os feridos na guerrilha urbana merece atenção especial. Durante operações da guerrilha na zona urbana pode ocorrer que algum camarada seja ferido acidentalmente ou atingido pela policia. Quando um da guerrilha esta num grupo de atiradores tem o conhecimento de primeiros socorros e pode fazer algo pelo camarada ferido. Em nenhuma circunstância pode ser abandonado o guerrilheiro e ser deixado em mãos do inimigo.

    Uma das precauções que devemos tomar é de treinar a homens e mulheres em cursos de enfermaria, nos quais guerrilheiros podem matricular-se e aprender técnicas de primeiros-socorros. O doutor da guerrilha urbana, estudante de medicina, enfermeiro, farmacêutico ou simplesmente uma pessoa treinada em primeiros-socorros, é de necessidade numa batalha revolucionária moderna.

    Um pequeno manual de primeiros-socorros para a guerrilha urbana, impresso ou em mimeógrafo, pode ser compreendido por uma pessoa que tenha suficiente conhecimento.

    No planejamento ou execução de uma ação armada, a guerrilha urbana não pode esquecer a organização logística médica. Isto pode ser completado por meio de uma clínica móvel ou motorizada. Você também pode estabelecer uma estação de primeiros-socorros e utilizar os conhecimentos de um camarada da guerrilha que esperará com equipamentos num lugar designado onde os feridos são trazidos. 

    O ideal seria ter uma clínica bem equipada, mas é bem custoso a menos que usemos materiais expropriados. 

    Quando tudo falha, as vezes é necessário recorrer a clínicas legais, usando a força se necessário para que os doutores atendam aos nossos feridos.

    Na eventualidade que recorrermos a bancos de sangre para comprar sangue ou plasma completo, não deveremos usar endereços legais e certamente endereços onde feridos poderiam ser encontrados, porque eles estão baixo nossa proteção e cuidado.

    Nem deveríamos dar endereços destes que estão envolvidos no trabalho clandestino da organização que trabalham nos hospitais e nas clínicas de onde os colhemos. Essas preocupações são indispensáveis para cobrir qualquer pista.

    As casa onde os feridos ficam não pode ser conhecida por ninguém com exclusiva exceção de um pequeno grupo de camaradas que estão responsáveis pelo tratamento e transporte.

    Cobertores, roupa ensangüentada, medicamentos e outros tipos de indícios de tratamento de um camarada ferido em combate com a polícia, deve ser completamente eliminado dos lugares que eles visitam para receber tratamento.

  3. Será que Moro se precipitou novamente?

    Segundo o ditado, apressado come cru.

    Da última vez, tentou executar uma prisão preventiva ilegal, agora, antes de exaurido todos todos os recursos da segunda instância. E, além do mais, acho que fez isso de maneira tíbia. Enfim, piscou. Pois, ao invés de executar a prisão de surpresa e de forma rápida, pediu para Lula se apresentar no dia seguinte, dando tempo para uma reação de sua base social. E, pior de tudo, com um bom álibi. Ainda faltam recursos para serem julgados.

    Será que a precipitação do moço não está ameaçando a eficácia da Operação Lava Jato, cujo objetivo é eliminar a principal liderança de esquerda brasileira e, por tabela, seu partido e seu projeto nacionalista com forte influência na América Latina e nos Brics. E, como cereja do bolo lavajatense made in USA, rifar os recuros naturais e ativos estratégicos.

    Veremos.

  4. O ato do judge murrow é CRIMINOSO

    O que difere a prisão ilegal de um sequestro?

    Me parece um crime de igual gravidade e mereceria cominação equivalente na lei.

    Aonde está escrito que justiceiros de toga estão autorizados a cometer crimes e afrontar a lei?

  5. Romero Jucá: “Com o Supremo, com tudo”

    Romero Jucá: “Com o Supremo, com tudo”

    Será que ainda não entenderam que quem foi para rua bradar contra Lula, Dilma e o PT só estava sendo manipulado por grandes grupos econômicos insatisfeitos com os rumos da política dos governos petistas, que beneficiava o pobre?

    Vou desenhar…

    No impeachment, os inocentes úteis falavam assim: “primeiro, a gente tira a Dilma. Depois, Michel Temer”. Entretanto, o presidente usurpador já está concluindo o mandato e dizendo que vai ser candidato a reeleição (pausa para risos).

    Sem falar que numa dessas delações premiadas o operador de propinas para políticos do PMDB, Lúcio Funaro, disse que repassou R$ 1 milhão para Eduardo Cunha comprar votos de deputados no processo do impeachment. Sendo assim, os manifestoches foram pra rua só para servir de massa de manobra, o impeachment já estava comprado.

    Agora, com a decretação da prisão de Lula, os mesmos inocentes úteis dizem: “primeiro, a gente prende Lula. Depois, Aécio Neves, Michel Temer, José Serra, Romero Jucá”.

    Desenhando novamente:

    – A presidenta do STF, Carmem Lúcia, se encontrou com Michel Temer, que é investigado no próprio Supremo, fora da agenda, causando uma enorme suspeita de podridão;

    – Aécio Neves foi salvo pelo STF quando este definiu que era o Senado quem deveria decidir sobre seu mandato;

    – José Serra teve inquérito arquivado pelo STF, onde era acusado de receber do empresário Joesley Batista, da JBS, doações não contabilizadas, por meio de contratos simulados com empresas que teriam sido indicadas pelo tucano, na campanha presidencial de 2010;

    – O STF, cumprindo o seu papel no golpe, rejeitou denúncia contra Romero Jucá por corrupção.

    Essa galera aí, está limpinha e cheirosa, pronta para serem candidatos nas próximas eleições.

    Precisa desenhar mais?

    Portanto, os manifestoches são indiscutivelmente massa de manobra daqueles que conspiram contra os interesses do povo – grupos econômicos que controlam o poder executivo, legislativo, judiciário e a mídia.

     

  6. Posso estar errado,…

    mas o judiciário corrupto, da ainda mais corrupta #repúblicadosladrões, e o “juiz” da NSA, sérgio moro, dançaram esta semana no seu baile da ilha fiscal,…. foi o último momento de glória das oligarquias no Brasil…

  7. #

    “Quando um Ministro do Supremo diz, eu tenho que atender o anseio popular, eu digo, alto lá! Como você afere isso? Tem uma pesquisa?”

    O pior é que tem: Lula é disparado o preferido dos eleitores, com chance de ganhar até no 1º turno.

    Que raio de “anseio popular” é esse que os ministros dizem atender?

    Lula estava certo: “Temos um Supremo acovardado”.

     

  8. Eu não vejo diferença ,

    Eu não vejo diferença , nenhuma, entre policiais que jogam drogas dentro do carro das pessoas para dar flagrante e essas armações que o MPF e O STF inventam pra condenr pessoas, inocentes. Não tenho mais esperança no sistema judiciário. nunca foi grande coisa mas, agora, virou caso de polícia.

  9. …como aceitar a voto da

    …como aceitar a voto da Ministra Weber, que é a única que não vota na tese, mas vota contra o habeas corpus?

    Faço uma nova aposta aqui… Caso Lula seja efetivamente preso e tudo se mantenha calmo e dentro da normalidade, Rosa Weber não terá o menor escrúpulo em mudar sua posição contrária à prisão em 2ª instância para manter a ordem das coisas. Pois está mais do que evidenciado que a defesa do status quo é o verdadeiro princípio que ela busca manter coerência. Anotem.

     

  10. excelente…

    foi direto na ferida, a péssima preparação desses jovens……………………….

    não investigam, não processam nem julgam, apenas brigam como se a fazer justiça com as próprias mãos

    maioria se recusa ou não foi bem preparada a ponto de reconhecer que é o direito que exprime a justiça

    e não eles………………….brigam como se o direito tivesse a pretensão de dominá-los

    exprimir no sentido de fazer-se reconhecer…………….sacaram?

    dizem que só querem fazer justiça, acabar com a impunidade, mas ao brigarem com ela mesma, com a justiça que é ou que a todos pertence, nos mostram claramente que só querem fazer a justiça deles

    é por isso que eles acreditam que são adorados pelos seus mestres americanos, quando na realidade não passam de reles serviçais de ocasião, pagos para festas das quais serão expulsos na primeira oportunidade como são os vis traidores

    • ilusão que predomina nessas amebas decorativas de altar…

      é a de que prender o Lula é uma providência capaz de sanar todos os problemas do Brasil, incluindo corrupção e impunidade, mas do jeito que os americanos gostam e que já aplicaram em vários países sem que nada tivesse melhorado, só piorado

  11. eu já dormi ontem?……………….não, peregrino

    ontem você ficou tentando se logar num site que tava como uma bosta de prisão de ventre de tão lento

    eu já dormi amanhã?……………………não, peregrino

    mas vai dormir feito anjo, não se preocupe, se não cair fora rapidinho, chutado pela equipe técnica do site

  12. Brasil “neo-judicial”

    Pobre constituição! A justiça é feita por convicção, sem necessidade de provas. A velha guarda do STF, que mantém a mentalidade cívica de 1988, tenta conter a debandada de neojuristas empolgados, turbinados pela TV e alimentados com a luz dos holofotes globais. Parece uma horda, misturando fanatismo religioso com autoritarismo e, ainda, com um sentimento coxinha no fundo da alma, onde se encontra a memória da primeira visita a Disney e o sonho da casa própria em Miami. Vamos ter que passar tudo a limpo. A campanha política deve focar no legislativo primeiro, com deputados e senadores progressistas em todos os Estados. O Presidente será consequência, pois, pela história recente, é melhor isso que o inverso.

  13. dar um upgrade a luta..

    .. é preciso deixar de delongas e partir pro pau.. Lula devia se refugiar na embaixada da Venezuela, em Sampa.. tudo devidamente negociado com – pelo menos – os RICS Plus, claro.. é preciso expor essa guerra.. o julgamento do ex-presidente é uma farsa, o pedido de prisão é ilegal.. é preciso colocar isso claramente para o mundo.. e lembrar que estamos na iminência de uma mudança brusca no sistema, me refiro especificamente à decadência do império..

  14. Manipualações

    Uma aula sobre os dias de hoje e os fascistas que querem que suas “visões” de mundo prevaleçam sobre todas as demais.

    Ontem no jornal da televisão France 2, a matéria totalmente sem explicação de nada, simplesmente mostrando o tal triplex como um prédio e apartamento de grande luxo (risivel) do qual Lula fora beneficiado como propina. Eu fiquei com a boca aberta de ver o descaramento do canal publico francês em fazer um jornalismo porco desse.

    Le Monde hoje fala da prisão de Lula dentro de algumas horas. A inacreditavel Claire Gatinois (no passado, ela escrevia no caderno de economia e o Paulo Paranagua parece que não escreve mais para o jornal) diz que Sergio Moro desmente categoricamente (sic) os advogados de Lula, dizendo que não ha mais nenhum recurso e que Lula deve se entregar. Essa frase dentro do artigo, que ela divide com outro jornalista, esta la sem nenhuma explicação de fundo. Eles tentam parecer neutros, mas esta subjacente que o “messianismo de Lula” é uma demagogia popular e de que ele e o PT são corruptos. Alias, os comentarios na pagina do jornal Le Monde são dignos de um panfleto como O Globo.

    Realmente, precisamos reescrever essa historia, pois atualmente esta dificil de explicar as pessoas o quão jogam com as palavras para dizer que Lula realmente se locupletou e de que o judiciario brasileiro é o mais novo heroi da nação.

    • sabe porque vc se sente

      sabe porque vc se sente perplexa diante dessa situação? Em grande parte porque vc acha que nós somos vítimas de um complô local, que por trás da nossa “desgraça” está a nossa elite e a nossa mídia e que os europeus são os civilizados bonzinhos.. é um engano.. o que está acontecendo é um fenômeno global, é o fim do império anglo-saxonico-sionista do qual a própria França faz parte.. nesse momento, a França está enviando soldados para combater o daesh na Síria, sendo que todo mundo já sabe que esse grupo terrorista é na verdade mantido, sustentado pelo ocidente, inclusive a França.. false flag, fakes, perfis falsos, tudo está sendo usado neste momento para embaralhar a realidade e impedir a queda do império.. Lula, e sua política nacionalista e independente, era uma ameaça, e nós fomos atropelados por uma guerra híbrida neste contexto.. a mídia hegemônica na Europa e os EUA é propriedade da banca.. é ela que vem sustentanto durante todo esse tempo esse sistema absurdamente desigual.. é normal que nesse momento se volte contra Lula, assim como chamou de impeachment o golpe indecoroso, aquela farsa grosseira que usaram para tomar o mandato que o povo deu para Dilma.. não se iluda.. não confunda o povo francês (ou inglês ou alemão) com a banca.. são todos mais ou menos vítimas (mas vale lembrar que e “eles” estão votando sistematicamente na direita a fim de manter os seus privilégios e afastar refugiados)..

      • Caro JRuiz

        Não tenho ilusões sobre a propalada democracia dos estados europeus. Conheço um minimo de realpolitik ou a politque polititienne em francês para não ter essa ingenuidade. Minha perplexidade se da com dois jornais que até alguns anos tinham a credibilidade de serem bons jornais, que procuravam bem informar, com relativa profundidade. O canal France 2 era tido como mais à esquerda, assim como Le Monde. E eis que o jornal Le Monde com uma correspondente no Brasil que copia a imprensona brasileira vai a reboque dos jornais brasileiros e trata o PT, agora – e não era assim – , como um partido populista e Lula como um lider messiânico (isso é pejorativo), demagogo e que se deixou corromper. Eh isso que a imprensa francesa tem dito sobre o caso Lava Jato, com exceção de Libération, que fica no mais ou menos.

        • oi Maria Luisa
          desde as

          oi Maria Luisa

          desde as últimas presidenciais francesas, o Le Monde e a France 2 escancararam o macronismo. Aqui no Brasil a TV5 retransmite o telejornal da TF2, eu ficava pasma de ver o tratamento que era dado ao Mélénchon por exemplo.

          triste de ver, viu… só sobrou o Canard Enchainé!

    • boa lembrança.

      Geralmente os correspondentes estrangeiros erram feio na analise dos acontecimentos no Brasil.

      Mesmo os de Portugal, que não têm problemas com a lingua.

      Não sei se é preguiça, desconhecimento ou má vontade mesmo!

      Ultimamente passei a ouvir (ver)  o canal Le Media, no youtube, que tem um foco mais de esquerda. Basicamente fala de assuntos franceses.

      Ainda que tenha alguns erros fruto de pouco dinheiro e conhecimento tecnico, passam para mim, credibilidade.

      E è isso que me interessa!

       

    • Cara Malu
      Aqui na França eles estão ocupados demais em tentar desacreditar os grevistas. Mas o país vai parando e nada como o exemplo de um ex sindicalista que jamais se entregou ao estrelismo para servir de exemplo. Os ventos da derrocada do neoliberalismo sacodem também a França!

  15. O pior tudo comandado

    O pior tudo comandado pelos uomini d’onori da cosca de Curitiba.

    Nota: 

    uomini d’onori: a 2 categoria de agente de uma organização mafiosa siciliana, logo acima dos soldati (estes, os criminosos comuns; a linha de frente de uma rede; agentes encarregados das ações delituosas comuns e violentas). 

    Os uomini d’onori, ou sejam, os homens de “aparente” honra, são criminosos mais sofisticados do que os soldati. 

    Os uomini d’onori são encarregados das relações institucionais e sociais da rede criminosa, revestindo-as de legitimidade e inuspeitas como também em dar proteção a cosca (rede) mafiosa e aos seus agentes.

    Os uomini d’onori se infiltram, estão plantados, nos Governos, nos Parlamentos, na Magistratura, no Ministério Público, nas Polícias, nas Igrejas, nas Mídias, nas Empresas Públicas e Privadas, nas Organizações Sociais e, até mesmo, no Vaticano e administração da Santa Sé…

    Por isso, se diz que “l’ uomini d’onori è il centro di un piccolo universo”

  16. A ministra ou é incoerente ou mau intencionada

    Lembra aquela fabula que um juiz passeava no parque e ouviu no lago proximo uma pessoa se afogando.

    Constatou que na margem havia uma boia e corda; talvez exatamente para essas emergencias.

    Uma duvida de logo lhe saltou à mente.   Correr para salvar pelos caminhos tortuozos calçados até o lago ou

    transgredir as placas de “não pise na grama” e cortar caminho ganhando tempo precioso.

    A ministra optou por percorres os longos caminhos tortuozos.

    Ah na fabula a pessoa morreu afogada!  No caso real em metafora Moro e seus dalagnetes, um verdadeiro estamento concurseiro fora da le, ainda tenta amarrar uma pedra no pescoço do afogado

    Cabe saber se com direito de embargos ainda no TRF-4 e sobre o próprio HC negado os advogador permitirão que

    Lula se entregue.

  17. O Supremo encontrou seu caso Dred Scott, diz Lênio Streck

    O voto de estapafúrdio da ministra deixou claro sua parcialidade.

    Como ser favorável a uma decisão técnica e contra um caso específico ?

    Mais claro que isso para revelar sua parcialidade não é possível.

    “Sou a favor mas como é o Lula voto contra”

    É o justiçamento à luz do dia pelas convicções dos lavadores a jato da ética, da dignidade do cargo que ocupam e do respeito à Constituição.

    Até creio na verdade oculta por trás do nome escolhido: lava jato. O objetivo era a derrocada a jato das instituições, da democracia e do Estado brasileiro. Os atropelos lavaram a jato o devido processo legal contra uns e esqueceram a jato as delações contra outros.

     

     

  18. SIMPLES QUESTÃO DE GEOGRAFIA

    Nassif: gostei do paralelo traçado pelo mestre Lenio. Porém, deste feita o imoralidade aconteceu contra um Povo, uma Nação, na figura de uma pessoa.

    Realmente, como Scott, o Povo brasileiro foi “contaminado” com a liberdade, com o direito de ter um pouco mais, de alcançar um dia-a-dia decente. E a Corte norteamericana, àquela altura dos acontecimentos, disse que Scott nem pessoa era. Apenas, “uma coisa”, uma mercância humana. Não foi o que os 6 do Delcídio disseram? Somos ou não simples objeto da mercância elitoral da elite, dos empresários inexcrupolosos, de grande parte do Judiciário e, agora, dos homens da toga fardada, homens de verde-oliva?

    A diferença é que lá os magistrados até hoje morrem de vergonha. Os 6 do Delcídio (que representam uma maioria na classe) sequer vergonha têm…

  19. Sacrifício Pessoal pela Nação

    Se a Democracia voltar ao Brasil a tempo, será necessário que Lênio Streck, Pedro Serrano e outros juristas democratas façam um sacrifício pessoal. 

    Aceitem serem nomeados Ministros do STF para recolocarem o Direito no mesmo caminho da Liberdade e da Igualdade.

  20. O quarto poder
    Paulo Moreira Leite, ontem, 5/4, trouxe a pedra de toque para entender o que representa a prisão do Lula em Curitiba. Com o debate jurídico, a discussão das decisões do supremo (supremo?? – virou artifício de linguagem) etc., por muito tempo acabamos desfocando do poder que serve de pano de fundo e que é totalmente pró ativo até quando quer parecer não ser.

    A mídia hegemônica precisa de prova gravada por suas próprias câmeras para mostrar à opinião pública manipulada há 50 anos (falo só da história recente) que tem razão nas acusações e estratagemas e guardar os arquivos para serem usados quando lhes couber. O fascista de Curitiba estuda e é aconselhado por vários atores, nacionais e americanos, que pensam e trabalham com afinco nas estratégias de ação dos seus movimentos, como numa partida de xadrez.

    A esquerda (que precisa ser toda repensada) se agarra com os fiapos das unhas na justiça e demais instituições que nos “regem”?! Pergunto: e a leitura sobre isso, a base do discurso, dos fundamentos da esquerda que vem da história antiga, dos diálogos socráticos, da República de Platão, de Aristóteles, dos modernos, iluministas, cientistas sociais, dos críticos que escreveram como funciona essa porra toda, como e onde fica? Não tem ninguém aí que se preste a agir fora do quadrado? Já dizia Florestan Fernandes que não se muda o sistema seguindo os ditames do próprio sistema. É uma máxima pertinente! Como dar ao algoz o privilégio de decidir sobre a inocência da sua vítima, perseguida, caçada por ele próprio? Onde, em que universo se deve respeitar isso?

    Mas, voltando ao Paulo Moreira, a Globo e o juiz querem reunir no seu bunker do Paraná todos os manifestoches, pixulécos, rojões, buzinaços e gritos de humilhação para, com sorrisos de lagarto, se afirmarem como defensores da lei e da ordem e prenderem politicamente (recurso dos covardes escondidos em postos autoritários) aquele que é símbolo e liderança dos oprimidos pelo sistema.

    Por isso e mais um caminhão cheio de razões – LULA NÃO PODE SE ENTREGAR! – Seria o mesmo que virar de bunda pra tudo e assumir a culpa. É a caricatura da humildade covarde e resignada de milhões de habitantes dominados por igrejas, resilientes, no jargão liberal. Sempre bom lembrar a obra de Max Weber sobre o protestantismo e sua relação com o capitalismo versus o catolicismo e sua subserviência, referência exaustiva na obra do Jessé Souza.

    Não, não voto mais no Lula e nem é por isso que comento alguns artigos que trazem o assunto! É sentimento de justiça que me faz imparcial nas questões humanitárias, tipo o que Hegel disse sobre o idealismo que desencadeou a Revolução francesa. É por isso!

  21. LULA, COMO PERSEGUIDO

    LULA, COMO PERSEGUIDO POLÍTICO, PODERÁ SER TORNAR HOJE PRESO POLÍTICO. O QUINTA COLUNA SERGIO MORO E SEUS COMPARÇAS DA FARSA A JATO ENTREGARÃO AOS SEUS CHEFES DA CIA, A TAREFA CONCLUIDA. E AI?

    Estou com um leve zumbido me alertando, não descartar a possível eventualidade de tudo isso dar em merda, Ou seja, esse tiro de canhão dos golpistas pode sair pela culatra, ou, acertar na bunda dos próprios contraventores. Fiquem ligados!

    Orlando

  22. O Prof Lenio fala algumas

    O Prof Lenio fala algumas bobagens nessa entrevista. Primeiro que não há 6 votos a favor da presunção de inocência conforme a CF. Os votos do Toffoli e Gilmar, que ele contabilizou nessa soma, são a favor da prisao após decisão do STJ e não após o trânsito em julgado. Então, na verdade temos 7 votos contra o trânsito em julgado. Em segundo lugar, o voto da Min Rosa Weber não é certo contra a prisao após segunda instância. Ela enfatizou muito claramente no voto que a jurisprudência da Corte não deve mudar em função da mudança de composição ou de opinião de Ministros. Então se as ADCs forem votadas agora é muito natural ela votar a favor da prisao em segunda instância.

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