Operação Ouvidos Moucos: 4 meses e sem desfecho

Delegada que deflagou operação será transferida para Sergipe; inquérito soma 3 mil páginas desde suicídio de reitor e corregedor responsável pela denúncia afasta-se por conta própria dos corredores da UFSC 
 
Reitor da UFSC Carlos Cancellier de Olivo se suicidou após prisão espetacular Foto: Divulgação
 
Jornal GGN – A Operação Ouvidos Moucos segue com inquérito em aberto. A ação ganhou repercussão após o suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo preso e depois proibido de retornar às suas atividades junto com outros seis professores também suspeitos de participar de supostos desvios de recursos de dois cursos de Educação a Distância da Universidade Aberta do Brasil.
 
Segundo informações do jornal O Globo, a delegada federal Erika Marena que liderou um batalhão de policiais no dia 14 de setembro, quando a operação foi deflagrada, será transferida para Sergipe e o inquérito que já conta com 3 mil páginas com depoimentos recolhidos desde a morte do reitor, será tocado por uma equipe da PF com o auxílio de cinco funcionários da Controladoria-Geral da União.
 
Cancellier se jogou do 7º andar de um shopping carregando no bolso um bilhete que dizia: “A minha morte foi decretada quando fui banido da universidade!!!”. Ele foi acusado pela PF por tentativa de obstruir a investigação interna da corregedoria na Universidade, mas colegas próximos ao reitor negam. Em dezembro do ano passado, o jornal Folha de S.Paulo divulgou trechos da defesa de Cancellier onde esclarece que “não tentou proteger ninguém”, apenas determinou a convocação de uma sindicância interna para “empregar maior celeridade à apuração, visando ao esclarecimento dos fatos”.
 
A primeira denúncia que levou ao início das investigações partiu do corregedor Rodolfo Hickel do Prado apontado como desafeto do reitor e nomeado para o cargo pela ex-reitora e adversária de Cancellier, Roselane Neckel. Ele parou de frequentar os corredores da Universidade desde novembro do ano passado, por uma licença médica de 60 dias e veria ter retornado no início de janeiro, mas pediu férias adiando o retorno para fevereiro. 
 
Ao jornal O Globo, o superintendente da CGU de Santa Catarina, Orlando Vieira de Castro Junior, deu respostas vazias sobre o desfecho do caso, dizendo que os desvios eram recorrentes e pulverizados:
 
“Não sei te dizer se o reitor concordava ou mandava fazer isso (desviar). Mas que ele sabia, ele sabia”. Ainda, segundo a PF os desvios suspeitos seriam de R$ 80 milhões de pagamentos de bolsas ou de custeio de cursos de Física e Administração, mas os aliados do ex-reitor da UFSC contesto os números da investigação, ponderando que os recursos destinados para essas atividades não passavam de R$ 500 mil, por isso se confirmada a suspeita, esse seria o valor máximo dos supostos desvios. 
 
Atualmente, os seis professores que continuam afastados de suas funções investigados na operação evitam sair na rua, atender telefonemas ou dar entrevistas e a maioria faz tratamentos psiquiátricos e psicológicos, segundo suas defesas.  
 

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8 comentários

  1. Ou seja, com o respaldo desse

    Ou seja, com o respaldo desse cgu de sc, o crime continua comendo solto em relação ao caso que nunca existiu; existisse e, com certeza, estaria tudo apurado e comprovado. Erra a políça federativa ao promover quem tratou da morte do reitor. Erra o mpf, como sempre, pela total omissão depois da porcaria feita. Erra, mais ainda, a corregedoria dos desembargas quartanistas por deixarem correr solta essa desgraceira de responsabilidade (que não é responsabilizada) da juizeca de meia-pataca. Ou seja, bando é muito pouco; aliás, quadrilha já é muito pouco: trata-se de batalhão fascista a envergonhar este país. 

  2. Não tem desfecho porque é

    Não tem desfecho porque é impossivel alguem de qualquer escala da vaza jato conseguir admitir que cometeu algum erro aqui na face da terra, afinal se julgam anjos impecaminosos. O exemplo acabado desta perfeição atende pela sigla DD. Querem mais ?!!!

  3. Os bandidos estão quietos e

    Os bandidos estão quietos e na esperança de passarem desapercebidos.

    Depois de algum tempo de esquecimento arquivarão sorrateriamente o caso – em alguma sexta-feira a tarde ou véspera de feriado – por falta de provas e rezando para que ninguém perceba.

    Em ma empresa privada que não tiver desempenho compatível com o que se espera para o caro é demitido. E no serviço público, o que acontece?

    Será que poderão continuar a fazer merda ad eternum? Alguém tem de mudar isto.

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