Polêmica dos dossiês envolvendo Gilmar atrapalhou investigação de auditor preso, diz PF

Delegada aponta que crime organizado que atuava dentro da Receita reduziu ligações após repercussão de dossiês sobre movimentação financeira de autoridades

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – Delegada responsável pela elaboração final da Operação Armadeira aponta que a polêmica gerada em torno do auditor da receita Marco Aurélio Canal, preso na ação deflagrada pela Polícia Federal na última quarta (3), e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes atrapalhou as investigações. As informações são da Folha de S.Paulo, que teve acesso ao documento.

“Foram seis períodos de interceptação telefônica que se mostraram consideravelmente complexos em razão da dificuldade em se identificar o número por meio do qual alguns investigados de fato se comunicavam, da postura precavida de não se comunicar, usualmente, por meio de ligações convencionais e do temor causado pelas notícias envolvendo Marco Aurélio Canal no caso do acesso a dados fiscais do ministro Gilmar Mendes e seus familiares”. escreveu a delegada.

Em fevereiro, o ministro Gilmar Mendes e outros 133 agentes públicos foram alvos de uma investigação da Receita Federal. A operação foi vazada pela revista Veja. O ministro Dias Toffoli enviou ofícios para a então procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, para o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra e também para o Ministro da Economia, Paulo Guedes, pedindo esclarecimentos à respeito do documento.

Segundo informações enviados à Procuradoria-Geral da República pela própria Receita Federal, Canal teria coordenado um dossiê que investigou Gilmar e os outros agentes públicos.

“Tenho curiosidade de saber quem mandou a Receita fazer [a investigação]. O que se sabe é que quem coordenou essa operação é um sujeito de nome Marco Aurélio da Silva Canal, chefe de programação da Lava Jato do Rio de Janeiro. Portanto, isso explica um pouco esse tipo de operação e o baixo nível. Às vezes, querem atingir fazendo esse tipo de coisa. Estão incomodados com o quê? Com algum habeas corpus que eu tenha concedido na Lava Jato?”, afirmou Gilmar à GloboNews.

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Como relator da Lava Jato do Rio, Gilmar já concedeu habeas corpus para alguns investigados na operação, como o empresário Eike Batista. A equipe da força-tarefa fluminense também entrou com dois pedidos de suspeição contra o ministro, que não foram atendidos pelo presidente do Supremo, Dias Toffoli.

Após a prisão de Canal, na Operação Armadeira, o chefe da força-tarefa, Almir Sanches, pediu uma retratação de Gilmar, explicando que o auditor fiscal era alvo de investigações bem antes do escândalo do dossiê.

“As autoridades que fizeram essas ilações, que nós julgamos bastante descabidas, não tinham como saber que a investigação estava em curso. Mas também não tinham por que supor que membros do Ministério Público, do Judiciário ou da polícia estavam envolvidos com isso. Agora há um novo fato. Espera-se alguma retratação de acusações graves que foram feitas”, disse o procurador.

As investigações que geraram a Armadeira começaram em novembro de 2018 e Canal se tornou alvo da operação em dezembro daquele ano. O grupo que atuava dentro da Receita Federal é acusado de “organização criminosa” em um esquema para extorquir investigadores da Lava Jato.

Apesar do monitoramento da PF, o chefe da força-tarefa do Rio diz que as apurações não detectaram movimentação do auditor da elaboração de dossiês sobre autoridades. Por outro lado, ele foi apontado na cobrança indevida de R$ 4 milhões para anular a autuação contra a Fetranspor (federação das empresas de ônibus do Rio de Janeiro), pelo ex-presidente da entidade, Lélis Teixeira, que se tornou delator após ser preso na Operação Ponto Final.

3 comentários

  1. Enxergo apenas uma diferença entre as figuras canalhas de Fernando Gabeira e Antonio Paloci.O primeiro recebe por dentro,o segundo por fora.

  2. Depois de tudo o que vem sendo revelado pela vazajato a partidária PF vir com essa história da carochinha… Fala sério doutora delegada.

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