Sérgio Moro confere fé pública à palavra de Bolsonaro, por Luis Nassif

O juiz Sérgio Moro vive seus últimos momentos de jornalistas exclusivos. Ou seja, da fonte que pode escolher o jornalista para suas declarações. Como Ministro, terá que abrir mão dessas regalias e enfrentar perguntas incômodas, de repórteres que provavelmente não ficarão passivos ante narrativas inconvincentes. Algo sugere que Moro não dispõe do necessário jogo de cintura para responder a questões espinhosas.

Prova disso é a entrevista que concedeu a Fausto Macedo, do Estadão, um de seus repórteres exclusivos.

Sobre o caso do motorista, buscou uma saída esperta: livrar Jair Bolsonaro e exigir explicações da rapa (clique aqui). Segundo ele, o presidente já esclareceu “a parte que lhe cabe no episódio”. Faltaria o esclarecimento dos demais.

O juiz ladino, implacável, capaz de aceitar denúncias baseadas exclusivamente em delações premiadas, ignorar provas documentais, condenar sem sequer definir relações de causalidade entre benefício e concessão, aceita de pronto uma explicação que não convenceria sequer um leigo em temas penais. O motorista, que arrecadava R$ 1,2 milhão por ano, que recebia repasses de salários de pessoas lotadas no gabinete do filho, passou por dificuldades, recebeu um empréstimo e quitou transferindo dinheiro para a conta da futura primeira dama, porque ele, Jair, não tinha tempo de frequentar banco. Ou seja, uma explicação totalmente inverossímil.

Moro não só acreditou piamente, como achou desnecessária a apresentação de documentos, comprovação do empréstimo, nada. Seria simples para Moro lembrar que, para comprovar versão de Jair (perdão pela intimidade do primeiro nome, mas é que há tanto Bolsonaro na parada, que usar o sobrenome provocaria confusão), bastaria o futuro presidente apontar o depósito feito anteriormente na conta do motorista-arrecadador. Se existir, estará registrado em seus extratos bancários. Se não se lembrar, bastará solicitar ao COAF.

Nem isso lhe foi exigido. Aceitou a palavra de Jair como se já fosse dotada de fé pública.

Definitivamente, o ar seco de Brasília não facilitará a vida do futuro Ministro.

 

15 comentários

  1. A vara deles é mais embaixo

    va·ra 

    substantivo feminino
    “Vara”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa:

    13. [Figurado]  Poder, jurisdição.

    15. Conjunto de porcos. = PORCADA

     

     

  2. Jair…. já era……….
    E
    Jair…. já era……….

    E vai levar o justiceiro de araque com ele………

    O clã bizarro com dinheiro sobrando, não sabendo explicar de onde vem………..

    E nós pobres mortais, tendo que explicar que não temos de onde tirar dinheiro…………

    Será que pedindo desculpas no mercado o dono “moroa” nossas dívidas?????……….

  3. Duvido

    Repórteres que não ficarão passivos ante narrativas inconvenientes?

    Duvido, Nassif.

    Os repórteres de todos os grandes jornais e noticiários da TV vão dançar conforme a música indicada por seus patrões, os donos de mídias.

    E os donos de mídias estão quase todos orbitando o esquema de poder que elegeu o Fascista.

  4. Fraquinho…

    O juiz imoral é fraco em tudo, principalmente no intelecto. Chegou aonde está hoje exclusivamente por causa da fraqueza maior dos outros, a começar por Lula, Dilma, Zé Eduardo, todo o PT e a terminar pelo supreminho. O primeiro vento contra o derrubará com a bunda no chão.

  5. coxas

    O povo coxa ainda continua no torpor da hipnose.

    Experimentei fazer um comentário desse cheque para um coxa. Respondeu:

    -Quem, o filho? O que ele tem a ver com o filho? E o filho do Lula então, limpava bosta de elefante e agora é o dono da Friboi!

    …..

    Cadê a tv sem partido?

  6. Prática tão comum quanto antiga

    “…que recebia repasses de salários de pessoas lotadas no gabinete do filho…”

    Parlamentares ( deputados estaduais, federais, senadores, vereadores) têm uma cota generosa de assessores. Por óbvio, contratam pelo teto. Não precisam de todos, nem haveria espaço no gabinete pra tanta gente. Daí surgem os assessores lotados na base do parlamentar, no estado de origem, até aí tudo bem. E há os fantasminhas camaradas, aqueles que são contratados apenas para “reforçar” os proventos do parlamentar. De acordo com o combinado, restituem tudo ou uma parte que pode chegar até a 80% às mãos do deputado/senador/vereador. Vide Wal do Açaí, ficava com 2 mil e o resto devolvia.

    Imaginemos 10 assessores devolvendo, por hipótese, 8/10 mil cada um. Nada mal, 80/100 mil livres de impostos, só que frios, sem origem. Daí a utilização de laranjas. 

    A prática é tão comum quanto antiga. Só tem um porém: é prática restrita a parlamentares chinfrins, obscuros, vagabundos, pés-de-chinelo, sub-baixo clero. Que é o presente caso. Dá para imaginar Delfim Netto, que passou 30 anos no parlamento, cobrando pedágio de assessores?  Ulisses Guimarães? O boníssimo Suplicy? 

    Abaixo, um relato: 

    Fernando J.

    Gasparzinho, o fantasminha camarada

     

    Gasparzinho, o fantasminha camarada

     

    Ano de 1996 – há 20 anos – Campinas (SP). O gerente financeiro e faz-tudo de uma construtora de porte médio pede ao Banco do Brasil um “papagaio”, ainda era a época da nota promissória de 90 dias, o CDC  parcelado em até 12/24/36 meses só viria dali alguns anos. Informalmente, o Banco admitia amortização de 20% no vencimento e renovação do saldo por mais 90 dias, na prática um papagaio levava mais de ano para ser quitado. O problema era o valor pretendido de R$ 15 mil, para uma renda de R$ 3 mil (muito boa para a época). Daí começa a negociação. O patrão avaliza? Não, responde ele, um colega do escritório, deixa ele fora disso, é negócio meu. Então não tem como levar a operação para o comitê de crédito, está fora dos parâmetros. Daí o Maurício, que foi preparado, saca do bolso o ás de paus e diz entre envergonhado e constrangido: “Eu tenho outra renda” e apresenta um contracheque recente da Assembleia Legislativa de São Paulo, cargo de assessor parlamentar de um deputado do PTB,  remuneração líquida de R$ 4.700,00. Olhei para o documento e para a cara dele e por um breve momento fiquei imaginando em que hora do dia ele trabalhava em São Paulo, se falava com ele pessoalmente ou por telefone no mínimo 3 vezes por dia. Sem perguntas, estava tudo explicado. Fui até a xerox e tirei cópia do documento para atualizar o cadastro, entreguei a ele e avisei para vir no dia seguinte pegar a promissória e levar para o avalista assinar. Daí ele solta a cereja do bolo e comete sincericídio:

    – Tem um problema aí.

    – Qual?

    – Eu não fico com todo o salário não, fico só com 50%, o resto eu deposito na conta do deputado.

    (longo suspiro)

    – Maurício, meu filho, você quer esse papagaio? Precisa dele?

    – Claro que quero, preciso muito.

    – Então vamos combinar, uma coisa: você não disse isso e eu não ouvi, certo? Por um motivo muito simples, o cadastro informatizado do Banco não dispõe de campo para inserir essa “informação”, o programador não pensou nesse tipo de situação. Aqui diz que vc recebe um salário mensal, o que vc faz com esse dinheiro não é da minha conta. Estamos entendidos?

    No dia seguinte cedo, o comitê de crédito reunido tomou ciência da história com exceção do detalhe do fifty-fifty entre o deputado e o assessor-fantasma. Como o mandato do deputado só terminava em janeiro/1999, tudo bem falaram, manda bala, libera a grana pro Gasparzinho. Pegou o apelido.

    O Gasparzinho pagou tudo direitinho. 

     

  7. “Definitivamente, o ar seco

    “Definitivamente, o ar seco de Brasília não facilitará a vida do futuro Ministro.”

    Eu penso exatamente o contrário.

  8. Tudo vai depender do tamanho

    Tudo vai depender do tamanho e do alcance do Estado policial. Se for amplo, geral e irrestrito, Moro terá o suporte total dos militares, da grande mídia e do judiciário. Nesse caso, poderá escolher o que falar e a quem falar. Lembrando ainda que Bolsonaro tornou-se um objeto descartável, ao passo que o infiltrado da CIA continua sendo útil, podendo, inclusive, descartar de vez o capitão, no momento em que isso for conveniente para os superiores do inquisidor.

  9. deboche
    O ju-ex Moro, ao avalizar a palavra de um suspeito (Bolsonaro, no momento, está como suspeito) não pode fingir que negou a Lula a mesma regalia. Não pode fingir que se esqueceu dessa maldade, porque ele o fez. Não pode fingir que se confundiu, porque ninguém acredita em sua ingenuidade. Não pode fingir que cunpriu a lei, porque a lei não permite ser corrompida por perseguição, por preconceito ou seja lá por que for. Aliás, a lei é incorruptível e o mesmo não pode ser dito sobre o ser humano. E disse mais: ““O ministro da Justiça não é uma pessoa para ficar interferindo em casos concretos”Vamos ver até onde o ju-ex vai sustentar esta pérola de justificativa. Façam suas apostas e palpitem por quanto tempo a pérola se transformará em um falso brilhante. Pode até ser que o ministro da justiça não seja pessoa de interferir, mas a autoridade pública do ministro da justiça o é, e desdizer isso para depois se contradizer, como se fazia em Curitiba, será esculhambar definitivamente a república.

     

  10. Mr Moro vai deitar e rolar …

    Sofrimento à vista, pessoal! Vai fazer o que bem entender. Vai criar suas próprias leis. ‘Cala boca e vai pra casinha’… Com um TRF, um STF, um CNJ sorrindo e aprovando tudo que o “grande juiz” fizer. Só o Altíssimo nos livra desta gente do mal. Como eu acredito Nele, tenho este consolo e perspectiva. Quem não crê .. sei lá, fica dificil.

  11. + comentários

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