
Jornal GGN – A sessão final do julgamento do impeachment de Dilma Rousseff (PT) começou nesta quinta (25), sem nenhuma perspectiva de que o Supremo Tribunal Federal atue na questão mais polêmica desse processo, que é o mérito da denúncia, uma vez que o Ministério Público Federal apontou que a presidente eleita não cometeceu crime com as pedaladas fiscais.
Para o jurista Pedro Serrano, o Supremo não deve acolher nenhuma das ações apresentadas à Corte em defesa de Dilma. “O Supremo me parece intimidado pela onda de opinião, pela mídia e pelo próprio Legislativo”, avaliou.
Em entrevista à RBA, Serrano disse que o Brasil vive um processo que tem se alastrado em países vizinhos. “O que se vê na América latina é que o Judiciário acaba, como em Honduras e Paraguai, coonestando com as ilegalidades do Legislativo. O Judiciário ajudou a desconstruir a imagem dos governantes de esquerda, anteriormente ao afastamento dos chefes de governo em Honduras e Paraguai, o que no Brasil foi exercido muito por operações da Polícia Federal, Ministério Público e Lava Jato, que tiveram o papel de desconstrução do governo da Dilma”, pontuou Serrano.
Por Eduardo Maretti
Na RBA
Aliados de Dilma e defensores da democracia atuam em duas frentes contra impeachment
Na reta final do processo do impeachment, as expectativas mais positivas, no contexto da luta travada no Judiciário e no Legislativo pelos aliados e defensores da legalidade e do mandato de Dilma Rousseff, parecem pender hoje para o Parlamento. Algumas informações dão conta de ser real a possibilidade de que a votação no Senado, na semana que vem, reverta a cassação do mandato de Dilma.
Em reunião conjunta da Câmara e do Senado na terça (23), parlamentares aliados de Dilma demonstraram esperança. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) diz que essa informação é correta, e que a expectativa não é recente. “A possibilidade de reversão existe, e isso a gente não manifestou ontem. Temos manifestado no cotidiano. Discutimos com vários senadores. A possibilidade é real”, afirma.
Segundo ela, há um conjunto de elementos que podem levar à mudança de vários votos. “Um deles é a projeção de que o governo de Michel Temer, se continuar, vai ser desastroso ao país. Os senadores falam isso, sabem do momento delicado, e que a crise econômica não vai acabar tão cedo”, conta. “Temer vai precisar começar a descumprir acordos, até para poder aplicar essa política de austeridade extrema. Isso está gerando um bocado de descontentamento”, acrescenta.
Temer tenta se calçar. Acena, segundo o noticiário, a senadores do Maranhão com a criação de uma zona de exportação no Porto do Itaqui, na capital São Luís, na tentativa óbvia de garantir os votos dos senadores do estado, Edison Lobão (PMDB), João Alberto Souza (PMDB) e Roberto Rocha (PSB). Lobão e Rocha já haviam votado a favor do impeachment no dia 12 de maio. Souza, que votou contra, mudou de posição e foi a favor do relatório de Antonio Anastasia (PSDB-MG) este mês.
Judiciário
Na frente jurídica, a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, ontem (23), de rejeitar o pedido pelo qual a defesa de Dilma questionava as regras no processo, parece indicar que o tribunal não vai se posicionar nem mesmo contra o mérito no impeachment, mesmo com todas as ilegalidades inerentes a ele.
No contexto judicial, e diante da decisão de Lewandowski, a tentativa de intelectuais e jornalistas de pedir a nulidade do processo com uma petição remedium iuris não deve ter sucesso. “Mesmo que fosse a melhor peça jurídica do mundo, neste momento não vai exercer qualquer tipo de influência no sentido de suspender julgamento”, avalia o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), ex-presidente da OAB do Rio de Janeiro. “O julgamento vai acontecer.”
Para o jurista Pedro Serrano, a possibilidade de o STF acolher o pedido de nulidade protocolado pelo escritor Fernando Morais, junto com os professores Laymert Garcia dos Santos e Stella Senra e os jornalistas José Trajano e Alípio Freire, é remota. “Acho que o Supremo não vai acolher de jeito nenhum. O Supremo me parece intimidado pela onda de opinião, pela mídia e pelo próprio Legislativo”, diz Serrano.
Segundo ele, o processo no Brasil se assemelha muito ao que tem sido visto em outros países do continente. “O que se vê na América latina é que o Judiciário acaba, como em Honduras e Paraguai, coonestando com as ilegalidades do Legislativo. O Judiciário ajudou a desconstruir a imagem dos governantes de esquerda, anteriormente ao afastamento dos chefes de governo em Honduras e Paraguai, o que no Brasil foi exercido muito por operações da Polícia Federal, Ministério Público e Lava Jato, que tiveram o papel de desconstrução do governo da Dilma”, analisa Serrano.
Ele avalia que, nesse contexto latino-americano, reproduzido no Brasil com outra estrutura e de maneira mais sofisticada, o Judiciário “acaba tendo dois papéis: da desconstrução simbólica, realizada antes do impeachment, e depois a confirmação da validade do impeachment, obviamente inconstitucional, depois de ele ter sido produzido”.
Em Honduras, lembra Serrano, aconteceu algo semelhante. Lá, o próprio Judiciário se responsabilizou por retirar o presidente Manuel Zelaya do poder. “Não foi nem impeachment, houve uma decisão sem processo. E no Paraguai houve um processo de impeachment (o presidente Fernando Lugo) muito viciado, cuja validade o Judiciário confirmou, mesmo o processo contrariando a Constituição. Em ambos os países houve atuações dos órgãos de apuração e investigação desconstruindo a imagem do presidente. Isso tende a se reproduzir no Brasil.”
Os intelectuais e jornalistas que foram ao Supremo tentar a nulidade do processo afirmam estar cumprindo sua obrigação. “Estamos entrando com uma iniciativa que registra e recenseia as irregularidades cometidas durante o processo de impedimento de Dilma no Senado. Tudo o que puder fazer para tentar ajudar a legalidade a gente tem que fazer. É um dever cívico”, diz o sociólogo Laymert Garcia dos Santos.
Fernando Morais vai na mesma linha. “Nossa função, como democratas e cidadãos, é derrubar o golpe com as armas que a gente tem. Eu tenho esperança de que o Supremo acate”, diz. Ele se diz muito preocupado com o que vê acontecer no Brasil nos últimos anos. “É uma espécie de ditadura togada. Nós, de minha geração, que penou e sofreu tanto nas mãos de uma ditadura fardada, estamos vivendo uma ditadura togada capitaneada de um lado pelo Ministério Público, e de outro por setores dos meios de comunicação. Cada um que faça sua obrigação. A minha, do Trajano, do Laymert, do Alipio e da Stella é tentar derrubar o golpe com os instrumentos que a gente tem.”
Almeid
25 de agosto de 2016 6:51 pmNo Supremo.
Lewandowski
No Supremo.
Lewandowski apenas preside,
Os tempos dados, no STF e Senado são diversos – este tempo de 3 e 6 minutos não existem no STF.
Bonobo de Oliveira, Severino
25 de agosto de 2016 6:55 pmO que será, então, o inferior?
Se isso aí é o Supremo…. o que será, então, o Mediano e o Inferior, por Tutatis??!!
Luís A. Silva
25 de agosto de 2016 7:06 pmAcrescento mais um item: “O
Acrescento mais um item: “O Supremo me parece intimidado pela onda de opinião, pela mídia e pelo próprio Legislativo”, diz Serrano”. Reajuste do Judiciário, a Presidenta Dilma vetou, o cunha e renam quebraram o veto e o temer está para aprovar.
Somebody
25 de agosto de 2016 7:45 pmOs membros do seu Supremo têm
Os membros do seu Supremo têm poder demais para serem “intimidados”, graças à sua constituição ingênua. Não, os membros do Supremo são parte dos escravocratas que estão patrocinando o golpe de estado e é muita ingenuidade de vocês brasileiros esperar resolver as coisas em uma “justiça” corrupta e viciada quando deveriam estar nas ruas pendurando os golpistas e seus colaboradores pelo pescoço. Vocês estão insistindo em soluções que só funcionam em países maduros quando vocês na verdade vivem em um país medieval, parem com isso.
Luiz Mattos1
25 de agosto de 2016 8:14 pmCoragem é palavra que deriva
Coragem é palavra que deriva da junção de duas palavras em latim: “cour” e “atcum”. Juntas, a palavra coraticum significa: ação do coração.
Quem tiver coragem, lutará até o fim, irá até onde preciso for, enquanto bater o coração.(MALU AIRES)
Porque a mídia de esquerda não possui a mesma coragem e ousadia nas palavras que a mídia de direita?
A Suprema cortesã com seus cafetões e cafetinas das leis são CÚMPLICES do golpe.
Ivan de Union
25 de agosto de 2016 8:17 pmVai tomar no cu…
Como ja dizia Cris Nicolloti… (Eles, nao Serrano!)
Gersier
25 de agosto de 2016 8:25 pmSoy loco por ti américa…
Intimidado? Por quem?
Eita nóis, em menos de seis meses voltamos a ser uma republiqueta bananal de quinta categoria.
Milton Murilo
25 de agosto de 2016 8:25 pmSupremo está intimidado demais
Quando o stf não esteve intimidado ?
Em tempos recentes, casualmente após a posse de Lula, NUNCA o stf se sobrepos à opinião publicada.
Aceitou a validação da Lei de Anistia acatando o voto de Eros Grau.
Promoveu o horrendo “julgamento” da AP 470 e suas diversas maracutaias: um inquérito paralelo para arquivo de provas, transferiu a Visanet para o BBrasil mas só na papelada judicial, importou teoria que, como foi aqui utilizada, serviu apenas a Hitler e seu nazismo liquidar a oposição – alguma verossemelhança ? – agora observa sonolento o rasgamento da Constituição Federal.
Mas, por outro lado, resolveu com propriedade o embróglio das pipocas, “aceitou” que a presidente eleita usasse a palavra GOLPE, risível.
Agora vemos a descarada manobra para livrar tucanos na vazajato e suas milhares delações prosseguir tranquilamente.
Bom, é o que temos para o momento.
anarquista sério
25 de agosto de 2016 9:38 pmAguém ainda quer suspender o
Aguém ainda quer suspender o impedimento de Dilma ? Nem o PT quer.
Mais 2 anos na berlinda ?
E fazemos o que nesses 2 anos com essa desorientada ?
Fala sério !
Jossimar
25 de agosto de 2016 10:07 pmO Gilmar Mendes não me parece
O Gilmar Mendes não me parece nada intimidado. O Marco Aurélio também não.
Se os outros nove estão, que peçam para sair justificando que não tem condições emocionais de permanecerem ministros(sic).
Marília-MG
25 de agosto de 2016 10:12 pmTemos que avisar a Carmen
Temos que avisar a Carmen Lucia, que com todo seu amor à língua pátria, ela faz parte, frequenta e preside uma Suprema Cortesã. Rsrars
Jose de Almeida Bispo
26 de agosto de 2016 3:41 pmMas é, de fato, só isso:
Mas é, de fato, só isso: cortesã!
Perfeita, a sua colocação.
Dilma inocente de crimes comuns
26 de agosto de 2016 2:11 amDilma não cometeu crime comum
“uma vez que o Ministério Público Federal apontou que a presidente eleita não cometeceu crime com as pedaladas fiscais”.
Dilma não cometeu mesmo nenhum crime comum no caso das pedaladas.
Não existe denuncia de crime comum no pedido de impedimento que esta em andamento, mesmo porque não seria o senado que julgaria crime comum.
Dilma é acusada de cime de responsabilidade.
Serjão
26 de agosto de 2016 6:59 amPetralha, vá para Cuba
https://www.youtube.com/watch?v=Ida6atEPVc8
Adão Paim
26 de agosto de 2016 11:52 amintimidados coitadinhos !
Intimidados?
Estão de joelhos.
Quem se importa com essa nação?
Adão Paim
26 de agosto de 2016 11:55 amque geração é essa que o pt colocou no stf?
Estão de joelhos nossos juízes.
Jose de Almeida Bispo
26 de agosto de 2016 3:40 pmCargos meramente decorativos,
Cargos meramente decorativos, de fato. A fonte de poder é absolutista e está em outro endereço. Lula e o PT não tinham alternativa.
boavenura
26 de agosto de 2016 3:07 pmSTF , refém das mordomias
É risivél o papel deste supremo,, frouxo e parcial, sem falar em outras verdades,
Jose de Almeida Bispo
26 de agosto de 2016 3:38 pmQUEM MANDA são os irmãos
QUEM MANDA são os irmãos Marinho e suas gavetas cheias de fotos, videos e áudios, com capacidade para destruir quem bem quiserem e a hora em que quiserem.
Não esqueçam que seu pai, ROBERTO MARINHO “enfrentou” o “ditador militar” João Figueiredo deitando e rolando em cima do seu ministro da Justiça, EM PLENA DITADURA.
O poder foi completamente capturado por uma única família a quem hoje se associam todas as demais de grande porte, por convicção, por medo, ou ambos.
Os “príncipes absolutistas do Brasil” (já que o imperador é invisível e transita entre Wall Street e a City londrina).