11 de junho de 2026

TVGGN Justiça: É preciso jogar luz sobre a aberração que foi a Justiça Militar

Órgão foi uma aberração para julgar civis opositores; entrevistados contam detalhes de torturas cometidas pelos militares
Dilma Rousseff durante auditoria militar do Rio de Janeiro, em 1970 - Crédito: Arquivo Nacional da Comissão da Verdade

O programa TVGGN Justiça da última sexta-feira (5) recebeu o escritor Ivan Seixas e o ex-deputado Adriano Diogo para falar sobre os respectivos trabalhos desenvolvidos na Comissão da Verdade, que apura os crimes cometidos durante a Ditadura Militar. 

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Apesar do nome, a Justiça Militar não fazia, segundo Seixas, qualquer tipo de justiça. “Foi uma aberração criada como uma coisa exclusiva dos milicos. Quando houve a decretação do AI5, que foi uma declaração de guerra da ditadura ao povo brasileiro, eles criaram a figura da auditoria militar julgando civis em tempos de paz, porque não havia declaração de beligerância interna, guerra civil, nem nada, para os opositores. Então, a minha organização, que era uma organização de luta armada, o MRT [Movimento Revolucionário de Tiradentes], estaria em curso nisso”, lembra o escritor.

Seixas usa como exemplo ainda o caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que na época presidia o Sindicato dos Metalúrgicos e foi julgado pela Justiça Militar mesmo sem fazer parte de uma organização clandestina de luta armada. 

Defensores

Adriano Diogo ressaltou a importância dos advogados dos presos políticos durante este tempo obscuro da história brasileira, tendo em visto que os militares não destruíam os documentos. Pelo contrário: a principal função dos militares era gerar documentos. 

No entanto, tais documentos não chegavam às mãos dos presos e seus defensores. “Aqui no Brasil só conseguimos documentos da Ditadura quando as bibliotecas, principalmente as americanas que têm os documentos da CIA, liberam documentos”, continua Diogo. 

“Não é à toa que ninguém sabe onde estão os corpos dos guerrilheiros do Araguaia. Apenas quem viu uma foto foi da Petit e, quando estava preso, o [coronel] Ustra me mostrou uma foto da Sueli Kataiama. Eu deduzo que era ela porque ele me chamou e a menina que fazia letras na USP estava toda autopsiada, toda costurada”, contou o ex-deputado, torturado física e mentalmente durante 90 dias. 

Era comum, ainda, que os advogados de presos políticos fossem presos por uma ou duas noites, para ver o tratamento aos quais os detentos eram submetidos.  

Verdade

Lançada pela presidente Dilma Rousseff (PT) em 2011, a Comissão Nacional da Verdade foi presidida por Diogo e tinha como objetivo esclarecer crimes cometidos pela ditadura. 

Dilma chegou até a afirmar que todos os arquivos à disposição da comissão foram abertos e vasculhados, mas Diogo discorda desta declaração. “Acho que não é verdade, porque a morte de Rubens Paiva, o coronel Malhães foi depor e os caras mataram ele”, lembra o ex-deputado. 

Em 2014, o coronel reformado foi convocado para depor na Comissão Estadual da Verdade sobre a morte do engenheiro Rubens Paiva. Ele, então, detalhou não só o assassinato de Paiva, mas também de dezenas de outras pessoas que desapareceram durante a Ditadura. 

Ele repetiu as informações à CNM, mas pouco tempo após os depoimentos, foi decapitado no sítio onde morava. “No atestado de óbito consta morte natural. A partir desse dia nenhum militar mais depôs. E ainda o comandante do Exército baixou uma Ordem do Dia dizendo que nenhum militar mais iria depor perante a Comissão Nacional da Verdade”, afirmaram os entrevistados. 

Confira a íntegra do programa no nosso canal do YouTube:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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1 Comentário
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  1. +almeida

    7 de janeiro de 2024 7:32 pm

    E haja luz para quem atua muito nas sombras do poder, no breu dos covis e na escuridão das torturas.
    Seu nome é Trevas e possui três cabeças.

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