10 de junho de 2026

A genialidade de Philip Roth e a miserável pobreza da literatura brasileira

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Por Sebastião Nunes

Podemos contar nos dedos nossos gênios literários, por mais discutível que seja a categorização “gênio”: 1) Machado de Assis, 2) Euclides da Cunha, 3) Simões Lopes Neto, 4) Augusto dos Anjos, 5) Carlos Drummond de Andrade, 6) Guimarães Rosa… e acabou-se. Uma mão cheia e o dedo mindinho de outra. Ninguém antes de Machado, ninguém depois de Rosa. Tivemos inúmeros ótimos escritores, vários deles quase alcançando a categoria de gênio, mas que ficaram no quase. Os motivos dessa escassez são facilmente detectados e podem ser resumidos em poucas palavras: pobreza econômica e miséria cultural.

            Costuma-se delimitar os anos áureos da literatura ocidental entre os séculos XVIII e XX. A metade final do século XIX e a inicial do século XX foram suficientes para acomodar, sem alarde ou empurrões, toda a literatura brasileira de alto nível. Não me cabe, aqui, discutir nossas conquistas em outras áreas, mas não creio que tenham sido mais relevantes, ou mais brilhantes. Também nas ciências imperam por aqui pobreza e miséria.

 

VIVER DE ESCREVER

            O judeu-estadunidense Philip Roth é um caso raro de insistência, resistência e, acima de tudo, coragem intelectual. Deu sorte também: seu primeiro livro de sucesso, “O complexo de Portnoy”, figurou na lista dos maiores best-sellers estadunidenses de 1969 e deu a ele o suporte financeiro para construir, sem pressa, sua obra.

            Parêntese: quantos de nossos escritores viveram ou vivem de sua obra literária? Creio que apenas dois, e não dos mais instigantes, sem contar jornalistas de sucesso: o apenas bom narrador Jorge Amado (que de vez em quando tropeçava na construção textual e nos desafios da sintaxe) e o intragável Paulo Coelho, capaz de sobreviver apenas através do apelo fácil ao mais provinciano e medíocre esoterismo ecumênico de segunda mão (seu pai espiritual foi o falso místico e antropólogo Carlos Castaneda, por sua vez mistificador filosófico, literário e religioso dos xamãs).

            Roth teve a precedê-los nomes de primeira linha: em seu próprio país, Herman Melville e William Faulkner; no exterior, os franceses Marcel Proust e Albert Camus, além do irlandês James Joyce, do judeu-tcheco Franz Kafka e dos russos Dostoievski e Tolstói, tão geniais quanto ele. Mas nenhum deles sobreviveu apenas de escrever. Vivendo nos Estados Unidos, e tendo a sorte de emplacar um best-seller, foi capaz de realizar o sonho impossível de todo escritor tupiniquim: ter ócio (com dignidade) suficiente para construir sua obra.

 

A MARCA DO GÊNIO

            Quando se toma ao acaso um livro de Proust ou Faulkner, a primeira impressão é a de chatice: frases intermináveis, parágrafos sem fim, absoluta ausência de intensidade narrativa. É preciso percorrer – como um andarilho no deserto de Atacama – pelo menos 50 ou 100 páginas antes de ocorrer a iluminação. Daí em diante nada é capaz de nos separar da hipnótica elaboração literatura e da extraordinária tessitura psicológica de sua poderosa inventiva ficcional.

            Quase o mesmo acontece com Roth. Embora ele seja capaz de nos prender desde a primeira frase, a acumulação de fatos, a superposição de episódios, a intromissão às vezes aparentemente aleatória de personagens e os contrapontos intermináveis podem – como muitas vezes acontece – angustiar o leitor, ameaçando perdê-lo num labirinto borgiano. Mas, uma vez apanhado na poderosa armadilha de pegar jacu de sua ficção, não há como escapar: o novo leitor foi cativado para sempre.

 

GÓIS CONTRA JUDEUS

            Philip Roth não pretende abarcar o mundo com as pernas. Seu universo está bem próximo da aldeia de Tolstói. Tudo se passa praticamente em torno de Newark, uma cidade com menos de 300.000 habitantes, mas incrustrada na região metropolitana de Nova Iorque, o que lhe dá a importância geográfica e econômica que sempre teve.

            Por outro lado, sua ficção está alicerçada na difícil convivência dos judeus com os cristãos descendentes dos europeus colonizadores. É então que sua literatura deixa de ser apenas literatura, para ser um mergulho profundo na psicologia, na sociologia, na história e na economia dos EUA. Sua cultura é abissal. Seu comprometimento, total. Sua amargura, de uma intensidade quase absoluta.

            Com todos os seus defeitos, problemas e grandezas, os EUA dão a seus artistas espaço, tempo e grana suficiente, não apenas para viver e produzir, mas para produzir o melhor que puderem. E muitos, como Roth, chegam lá. E o que é melhor: têm leitores, essa maravilhosa e rara flor da cultura quase inexistente no Brasil.

 

UM EXEMPLO ENTRE MILHARES

            Apenas para criar suspense – e talvez predispor alguém a se aventurar pela literatura rothiana – reproduzo embaixo breve trecho de seu romance “Complô contra a América”, lançamento entre nós pela Companhia das Letras com tradução de Paulo Henriques Brito, um senhor tradutor, diga-se de passagem.

            “Não era nem preciso dizer que o sr. Mawhinnery era cristão, pertencia à maioria esmagadora que havia feito a Revolução Americana, fundado a nação, conquistado a natureza, subjugado os índios, escravizado os negros, emancipado os negros e segregado os negros, um dos milhões de cristãos bons, honestos e trabalhadores que haviam desbravado a fronteira, lavrado a terra, construído as cidades, governado os estados, ocupado o Congresso e a Casa Branca, acumulado riquezas, se apropriado da terra, das usinas de aço, dos times de beisebol, das estradas de ferro e dos bancos, até mesmo da língua inglesa, um daqueles protestantes nórdicos e anglo-saxões acima de qualquer suspeita que desde sempre mandavam e para sempre mandariam no país – generais, dignitários, magnatas, os homens que faziam as leis, davam as ordens e viravam a mesa quando bem entendiam – enquanto meu pai, claro, era apenas um judeu.”

            Mais ironia? Melhor resumo histórico da grande nação do norte? Impossível.

Sebastiao Nunes

Escritor, editor, artista gráfico e poeta brasileiro.

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30 Comentários
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  1. Marcos K

    15 de fevereiro de 2016 9:12 am

    Curioso. Estava mesmo

    Curioso. Estava mesmo pensando nisso. No Brasil a mediocridade é a média. Agora, as razões para tal é que devem ser discutidas, mas começam pela constatação básica: o péssimo sistema educacional, viciado de cima a baixo.

  2. jasantos

    15 de fevereiro de 2016 10:52 am

    E a Clarice?
    Desculpe a minha ignorancia mas Simão Lopes Neto não conheço, portanto não posso comentar a obra.

    Mas devemos incluir pelo menos a Clarice Lispector.

  3. Vini

    15 de fevereiro de 2016 10:56 am

    Por que começar o texto exaltando a ausência de gênios?

    Confesso que achei o início desse texto completamente sem sentido e de uma arrogância ímpar ao assertar sem apêlo a ausência quase completa de gênios na literatura e ainda mais, na ciência nacional.

    O Brasil é um país riquíssimo culturalmente, é só sair do eixo Rio-São Paulo para comprovar isso. Mas claro, é necessário tirar os óculos e as ideias colonizadas, eliminar esse eurocentrismo arcáico. 

    Quanto a Roth, sou um completo ignorante em literatura e nada posso dizer sobre qualquer escritor, mas a única ideia que a minha intuição me sugere é que, essa necessidade de imolar a cultura nacional no altar do vira-latismo é um grande clichê,  além, é claro, de ter se tornado de uma irrelevância completa em tempos de lava-jato, zelotes, morices etc e tal.

    1. tereza

      15 de fevereiro de 2016 12:06 pm

      É isso mesmo: por que começar

      É isso mesmo: por que começar o texto exaltando a ausência de gênios?

  4. hamilton damato

    15 de fevereiro de 2016 11:40 am

    E eu na minha santa

    E eu na minha santa ignorância achava que os judeus é que tinham ficado com os bancos…..

     

  5. Pedro Carlos Penido Veloso dos Anjos

    15 de fevereiro de 2016 12:05 pm

    Descupe, hein? Por favor….

    Descupe, hein? Por favor….

  6. Carlos Cunha

    15 de fevereiro de 2016 12:22 pm

    “…e o intragável Paulo

    “…e o intragável Paulo Coelho, capaz de sobreviver apenas através do apelo fácil ao mais provinciano e medíocre esoterismo ecumênico de segunda mão…”

    Cara, eu acho o Paulo Coelho um escritor mediano. Mas gosto de O Alquimista e Diário de um Mago. Claro, não é literatura de primeira grandeza, mas daí chamar o cara de intragável, diretamente e medíocre, indiretamente (assim como aos leitores do mesmo) é uma arrogância ímpar. 

    E Rubem Fonseca? E Erico Veríssimo? E Luís Fernando Veríssimo? E Moacyr Scliar? 

    O Sr. Sebastião cita William Faulkner como um nome de primeira linha na literatura estadunidense. Sinceramente, li o tão aclamado O Som e a Fúria, e achei um livro tremendamente chato e insosso (aguardando pedradas). Mas não vou chamá-lo de medíocre ou intragável, não por medo de desagradar os adoradores das vacas sagradas, mas por respeito mesmo.

  7. Evandro Trigueiro Tavares

    15 de fevereiro de 2016 12:36 pm

    Faltou citar Rubens Fonseca,

    Faltou citar Rubens Fonseca, Lima Barreto, Raduan Nassar, Tomás Antônio Gonzaga, Dias Gomes, Graciliano Ramos, Chico Buarque (músico e poeta. Obs.: não conheço os romances dele). 

     

    Nas histórias em quadrinhos temos figuras como Lourenço Mutarelli (autor também de romances e peças de teatro), Marcelo Quintanilha, Henfil e Wander Antunes entre outros.

    1. Antonio Carlos Viana

      15 de fevereiro de 2016 6:36 pm

      Rubens Fonseca

      Rubem Fonseca, por favor.

  8. Cris Kelvin

    15 de fevereiro de 2016 1:21 pm

    Cavernas…

    …não são seguras; e se classificacao tem alguma serventia é sob certo ponto de vista, e no caso, não me parece claro.  Em vez de insensar autores, seria saudável tomar como ponto de partida obras importantes ( aobra de Dostoiévski, por exemplo, escrita antes de 1860  éinferior à que veio depois). E não só as de escritores de carreira, mas daqueles que fizeram pouca literatura, mas de alta qualidade, como o brasileiro Raduan Nassar, o italiano Tomasi di Lampedusa, e o argentino Ernesto Sabato. São Bernardo e as Memórias do Cárcere seriam suficientes para colocar Graciliano entre os melhores, assim como a criativa Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima, e as Memórias do Escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto – que sofreu um verdadeiro assassinato em vida. Mas enfim…

    Fiquei sem entender a ginastica entre o escritor americano e o podiam de escritores brasileiros; e ao lembrar Balzac argumentar que o “panfleto” é obra de gênio, quedei me perguntando se o trecho escolhido de Roth foi  ilustrativa e “literariamente” feliz…

  9. Antonio Lobo

    15 de fevereiro de 2016 2:33 pm

    Acho que a literatura

    Acho que a literatura brasileira não é o destaque da cultura brasileira. Mas como dizia minha vó, nem tanto ao ar, nem tanto ao mar..

    Mas quero comentar a questão do leitor. Nos EUA, o leitor é produzido aos milhões nas escola. Ler, e ler qualidade é parte integral da educação. Por isso, onde vc vai tem leitores. Nos parques, nas ruas, nos aeroportos. E se vc tem leitor, automaticamente tem escritor.

    No Brasil não temos leitores. Mesmo nas melhores escolas, le-se pouco e mal. Versões dos clássicos para idiotas. E se não há leitor, não há escritor.

  10. André W.

    15 de fevereiro de 2016 2:35 pm

    Texzto presunçoso, bobo e

    Texzto presunçoso, bobo e errado. Pode ir para a Veja.

  11. ANA CLAUDIA VARGAS

    15 de fevereiro de 2016 3:46 pm

    Em alguns pontos concordo com

    Em alguns pontos concordo com sua ‘tese’: Philip Roth é um escritor genial e eu gosto muito das suas narrativas, não sou grande conhecedora, devo avisar, mas aos poucos vou desbravando a obra dele. Eu o acho genial (assim como outro que admiro, Roberto Bolaño) porque consegue fazer um grande e diversificado monumento aos muitos ‘dramas’ humanos, mas faz isso de forma até simples (se analisarmos com vagar) construindo em torno dos personagens e a partir deles, é claro, suas narrativas. Assim, tudo aquilo que fica encoberto e que alguns autores abordam ‘por cima’, em Roth (e Bolaño) transparecem de forma quase palpável. Esse é o grande mistério e o que faz com que alguns autores sejam tão exatos e outros sequer consigam ficar na nossa memória. Acho que à altura dele, no Brasil, só mesmo o Guimarães Rosa e o Machado de Assis…mas não sou especialista em literatura nem nada disso, apenas alguém que acha que bons autores como ele oferecem, em suas obras, um aprendizado da vida tão vasto que vale como um curso de anos e anos sobre qualquer assunto. Vale muito a pena ler, se embrenhar pelas narrativas dele e do Bolaño (sou fã): aulas de vida.

  12. Wilson Luques Costa

    15 de fevereiro de 2016 4:34 pm

    O texto procura apontar a
    O texto procura apontar a necessidade de um suporte mecênico ao escritor. Entendo. Mas na literatura, que amo e admiro, não há gênios. Nem nos EUA, Rússia, Romênia. Talvez Nietzsche e Cioran. Mas aí é philosophia.

  13. Gabriel Spits

    15 de fevereiro de 2016 6:20 pm

    Equívoco.

    “Quantos de nossos escritores viveram ou vivem de sua obra literária? Creio que apenas dois”. Crê errado, Sebastião. Acho que conhece pouco do mercado literário atual. Há muita gente vivendo de literatura, ainda que literatura de gosto discutível, principalmente no mercado infantojuvenil. Há uma molecada muito jovem que vende MUITO. Para além desses, grande parte dos autores de hoje sobrevivem, se não da venda de livros, de atividades derivadas do fazer literário (oficinas, traduções, eventos literários, jornalismo, etc). 

  14. Escobar Nogueira

    15 de fevereiro de 2016 9:47 pm

    Não é um comentário.
    Não é um comentário. Sebastião, talvez não recordes de mim, mas há muito tempo escreveste algo sobre um livro meu , o Milongol. Pois bem, perdi teu endereço. Quero te enviar meu novo trabalho. Acredito que não meti os pés pelas mãos, como alertaste na época.  Abraço Escobar

  15. Otavio Barros

    15 de fevereiro de 2016 10:01 pm

    No dia em que o comentarista

    No dia em que o comentarista começar a ler Graciliano Ramos, o maior escritor brasileiro, que inventou o texto telegráfico (texro curto),sua maneira de escrever vai mudar, como dizia o velho Graça, “escrever é cortar palavras”, ou, que “escrever é reescrever o mesmo texto”. 

  16. José Vicente de Magalhães

    15 de fevereiro de 2016 10:15 pm

    Bem, então eu não sei ler.

    Bem, então eu não sei ler. Achava que “Capitães de Areia”  era uma obra magistral, e para mim é uma obra magistral. Esses comentaristas todos não falaram ainda dele, do Jorge Amado, pera aí num é….Vão ter preconceito lá no escambau

  17. Caio Tardelli

    15 de fevereiro de 2016 10:34 pm

    Essa lista de “gênios” parece

    Essa lista de “gênios” parece ter sido tirada de um livro didático. Basicamente, residem nela os autores postos, do propagandismo Modernista para frente, como os pilares da nossa literatura. Porém, comete erros básicos, que passam longe de gostos ou opiniões pessoais. Cruz e Sousa, por exemplo, é considerado mundialmente como um dos melhores simbolistas da literatura e foi, sem dúvida alguma, genial. Inegavelmente, Bilac também (principalmente em sua fase final). Por mais que eu não goste, os poetas que fundaram o concretismo (sobretudo os irmãos Campos) foram geniais.

     

    Outros: Sousandrade, Castro Alves, Gilka Machado.

    Agora, é-me evidente que há uma carência de gênios contemporâneos. Aqui, ali, acolá. A literatura mundial passa por uma crise entre o breve e o profundo, entre a realidade em demasia e a fantasia, da qual ainda dá passos pequenos para a saída. 

  18. droubi

    15 de fevereiro de 2016 11:22 pm

    Inclui aí o Graciliano e
    Inclui aí o Graciliano e troca o Drummond pelo João Cabral, vai

  19. Luís Otávio Hott

    15 de fevereiro de 2016 11:38 pm

    Seu texto é tendencioso e

    Seu texto é tendencioso e desinformado. Quem decidiu que esse é o cânone literário do Brasil? Muitos escritores foram deixados de fora, além disso, as editoras desempenham um papel fundamental nessa “falta” de “gênios” da qual você fala em seu texto, seu interesse em lucros é desenfreado, não há espaço para autores iniciantes, todo o mercado editorial brasileiro é voltado à ficção estrangeira, auto-ajuda ou livros infanto-juvenis. Não há tantos leitores quanto gostaríamos no Brasil por fatores socioeconômicos e políticos, não somente literários, não é a “falta” de “gênios” que faz de nossa literatura desvalorizada em relação à americana, mas fatores políticos também estão envolvidos. Vivemos em um país onde a maior parcela da população não atingiu a alfabetização funcional, ou seja, não compreende o que lê, dificilmente essa parcela da população estaria interessada em literatura. Mas este fenômeno não é privilégio do Brasil, o americano médio também não consome literatura. Com o crescimento das editoras independentes e o fim dos conglomerados editoriais do Brasil, com programas de distribuição de renda, de diminuição da pobreza e de acesso ao ensino superior em breve superaremos estas dificuldades e então o Brasil estará cheio desses “gênios” literários dos quais você fala. 

    Concordo sim, que Philip Roth é um gênio, mas não pelos motivos que você listou. 

  20. azzisem

    16 de fevereiro de 2016 12:42 am

    Se autor confessar que nunca

    Se autor confessar que nunca leu Graciliano, João cabral, Raduan Nassar e Clarisse Lispector, eu perdoo a ausência destes. Não Chega a ser um escritor genial, mas não conheço início de livro mais bonito que o Memória de lázaro de Adonias Filho.

    “Infinita é a estrada com suas curvas, suas colinas e suas árvores. Não é uma estrada como outra qualquer, com pássaros e ladeada de grama, mas uma linha sinuosa no chão avermelhado e seco. Onde começa, ninguém sabe. Onde termina, ninguém sabe também. Tão íntima quanto os rudes objetos das habitações primitivas, para nós que a conhecemos desde crianças, existe quase como uma criatura humana. Insensível, acolhe-nos com desprezo, sem bondade. Ficássemos cegose localizaríamos com facilidade todos os cactos que a tornam agressiva, perdessemos o tato e diríamos sem esforço qual das suas pedras é mais áspera…”

  21. Eduardo Pereira

    16 de fevereiro de 2016 12:47 am

    enganoleitor
    Gente , inicialmente quero dizer não sou um leitor assíduo , de carteirinha , mas conheço alguma coisa .
    Eu acho que o autor do texto quiz mostrar por caminhos tortuosos a genialidade de Roth na sua crítica ácida à filosofia dominante que formou o inconsciente americano e seu desprezo pelas minorias .
    Só acho que Sebastião exagerou quando subestimou personagens importantes de nossa literatura , como Graciliano Ramos ou Érico Verissimo , só para citar dois exemplos entre tantos tantos ditos pelos comentaristas aqui .
    Outra coisa , e aí penso que foi seu engano maior , o fato de afirmar que em outra áreas da Cultura também ( no seu conceito , é claro ) seriamos medíocres !
    E a nossa Música , principalmente a popular , seguramente uma das duas mais ricas do mundo , e seus monstros sagrados , como Noel , Ari , Luiz Gonzaga , Pixinguinha , Cartola , Tom Jobim ( considerado o maior compositor do mundo da 2a metade do Séc XX) , Chico Buarque ( um gênio universal ) , dentre outras centenas de compositores e musicos que não devem nada aos seus congêneres americanos ( e que rivalizam c a gente como a maior música popular do planeta ) ?
    Para não falar de Villa-Lobos , o maior compositor erudito fora da Europa !
    Ou o Sr. acha George Gershwin , a quem os ianques incensam como seu maior compositor classico ( a critica seria diz q de erudito não tem nada ) , se compara a Villa , que fundiu a música de Bach aos nossos ritmos de raiz , criando uma música maravilhosa e única em todo o mundo ?
    Queria finalizar dizendo que conheço um pouco da cultura americana , pois vivi naquele país durante um tempo . Acho a sua literatura ( salvo raras e honrosas exceções ) medíocre , se comparada com a europeia . Muita gente citada pelo Sr. vive mais de fama ( e propaganda ) , o que é frequente comum por lá , do que possui substância .
    E ainda penso que o seu maior legado cultural para a humanidade é o musical , o bom e velho Jazz , fusão da Africa com a Europa , temperado com ritmos originalmente negros como o Blues , e uma das bases para a música moderna .
    O resto são gostos , preferências e opiniões pessoais …

  22. Frederico Firmo

    16 de fevereiro de 2016 2:59 am

    Brasileiros e Roth

    Acho que faltou citar muita gente,  Roth é  brilhante, mas não sei porque sempre que se vai elogiar alguem, tem-se que menosprezar outros, principalmente se for brasileiro.

  23. Rodrigo Arantes Melo

    16 de fevereiro de 2016 10:45 am

    Digite aí….
    Carmo

    Digite aí….

    Carmo Bernardes…Xambioá

    Só isso.

  24. Dimas Jayme Trindade

    16 de fevereiro de 2016 12:56 pm

    L. F. Veríssimo poderia dizer

    L. F. Veríssimo poderia dizer esta citação exemplo com mais graça e contundência..

  25. Fernando Che

    16 de fevereiro de 2016 1:38 pm

    ???

    Graciliano Ramos? Erico Verissimo? João Cabral? Sem mais…

  26. Nira

    16 de fevereiro de 2016 3:45 pm

    Cada coisa que aparece.

    Cada coisa que aparece. Pretensão e água benta, hein…

     

  27. Márcio-André

    16 de fevereiro de 2016 11:46 pm

    Eita complexo de vira-latas

    Eita complexo de vira-latas que nunca morre.

  28. edu planchez

    22 de fevereiro de 2016 6:17 am

    diz GLABER ROCHA, “os

    diz GLABER ROCHA, “os inlectuais brasileiros são analfabetos”, é o caso do no querido Sebastião.

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