Catarina e Jarirí – uma paixão sobre-humana, por Cafezá

Arte Heitor dos Prazeres

Catarina e Jarirí – uma paixão sobre-humana, por Cafezá

Entoncis, adispois di tumarem o café reforçado cum biscoito di quejo, eiles perceberu qui tinha cumeçado a batê um vento fórti di “é chuva qui invem”. Num passô nem cinco minutu, e o telhado da casa di Paisé ficô parecenu qui tava embaxo duma cachueira. O águáçár batia nas telhas, qui sortavam um baruio semelhanti a repique di vários tamboris em sintonia. E veio os truvões em estrondos tão grandis qui os zuvido deiles zuniam em estampidos. Paisé e Jarirí gritavam, mais mesmo anssim quasi num dava pá um iscuitá o otro. Os raios faiscavam no céu em fórma di serpentes incandescentes qui ondulavam feito loucas tentanu atingir a terra para acender fugueiras e fornalhas. A luz vremei neon das serpentes faiscando entrava pur todas as frestas e jinélas da casa e alumianvam todos os cantos. Jarirí foi inté uma jinéla e viu que as arves se contorciam, lutando pá não serem arracandas. Ouviu o barui dos gai e dos troncos qui si debatiam e quase deitavam nu chão ante a podérósa intensidadi das águas e da ventania.

– Arre, égua! Tudo vai saí vuanu! – gritô Paisé.

– Hein! hein! Se eu subéssi, teria construído uma arca. Eu sô maricinero!

Indaí, vinte minutos se esgotaram e a tormenta passou tão veloz quanto chegou. deixando o som di milhões di gotas que caíam solitárias sobre a terra como as nota musicais do piano de uma sinfonia de Mozart. Mais calmos, Jarirí e Paisé pegaram o qui restara dos biscoitos, encheram as xícaras de café e ficaram se olhando assustados.

Leia também:  Uma pausa na distopia que persegue a maior utopia negativa do século XX, por Sebastião Nunes

– Pois é, Paisé. Cuando passa um grandi pirigo é melhor esquecê lógo purqui foi uma cousa a quar a gente não pudia controlar. Se alguns pensam qui controlam o mundo, istão muito enganados, existem muitas cousas no mundo qui são incontroláveis.

– É a pura realidadi, meu rapaz. Maisi, se eu num istou enganado, ucê ia me respondê uma prigunta.

– Sim. Ieu vo cumessá pelo impiximam da ex-presidenta Dilma. Ucê, Paisé, qui acumpanhô cada sigundo daquilu, acha qui o povo intendeu aqueli circo armado pá destruir o país e acabá cum a democracia?

– É claro qui num entendeu nada, o povo passô batido, iguar boi qui vai pro matadouro. As tar das pedaladas fiscais, o povo num tem a menór ideia du qui seja isso. Na vérdadi, aquilo foi uma grandi mentira inventada pra engambelá o povo do Brasil. E aquelis deputados federais qui votaram pelo impiximam da ex-presidenta Dilma são verdadeiros palhaços, a maioria deiles com campanhas fianciadas pur eduardo cunha e michel temer. O impiximam pariu Temer. E Temer, junto cum otros, pariu a Besta. E os dois são cumu irmãos que se adóram. Continue falanu, Jarirí. Esse assunto é muitu impórtanti e pricisa ser esclarecido, poisi é uma das  causas de tudo o qui está acuntecenu hoji no Brasil.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome