prece
livra-me de mim
fernando ‘profundo’ pessoa
Senhor, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte!
O sol és tu e a lua és tu e o vento és tu!
Tu és os nossos corpos e as nossas almas e o nosso amor és tu também.
Onde nada está tu habitas e onde tudo está – (o teu templo) – eis o teu corpo.
Dá-me alma para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.
Torna-me puro como a água e alto como o céu. Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como a um pai.
Minha vida seja digna da tua presença. Meu corpo seja digno da terra, tua cama. Minha alma possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.
Torna-me grande como o Sol, para que eu te possa adorar em mim; e torna-me puro como a lua, para que eu te possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu te possa ver sempre em mim e rezar-te e adorar-te.
Senhor, protege-me e ampara-me.
Dá-me que eu me sinta teu.
Senhor, livra-me de mim.
Fernando Mágico Pessoa em ‘O Eu Profundo’ – 1912(?)
Paulo Monteiro
16 de agosto de 2014 2:52 pmProfundo e Edificante!
Profundo e Edificante!
jns
16 de agosto de 2014 6:53 pmÁlvaro de Campos
Do baú cheio de maresia do Luciano Hortêncio
[video:http://youtu.be/d6rDixTSxgk%5D
lucianohortencio
17 de agosto de 2014 12:56 pmObrigado, meu Rei!
Meu velho baú está cheio de maresia, de poeira do tempo, de saudades, de alegrias e tristezas, de alentos e desalentos, de amor e desamor, de seriedade e humor, etc e tal!
Agora faço um grande esforço para preenchê-lo com pérolas, não para os pobres porcos, porém para distribuí-las com os amigos como JNS… Sacou, bicho??? rsrsrs
Gilberto Cruvinel
16 de agosto de 2014 2:56 pmComigo me desavim
Pessoa quando escreve “livra-me de mim” traz para dentro de sua poesia a influência de outro poeta português, um dos fundadores da língua, Sá de Miranda.
Comigo me desavim,
sou posto em todo perigo;
não posso viver comigo
nem posso fugir de mim.
Com dor da gente fugia,
antes que esta assi crecesse;
agora já fugiria
de mim, se de mim pudesse.
Que meo espero ou que fim
do vão trabalho que sigo,
pois que trago a mim comigo
tamanho imigo* de mim?
* inimigo
jns
16 de agosto de 2014 6:48 pmCaeiro em Tom Maior
[video:http://youtu.be/n4z3Rm5y1hI%5D
Sérgio T.
16 de agosto de 2014 4:19 pmFernando Pessoa
Tenho amigos para saber quem eu sou,
pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos,
nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.
jns
16 de agosto de 2014 6:57 pmMarrento Vovô Abu
“A alma humana é um manicômio”
[video:http://youtu.be/KVGppn3pn64%5D
Sérgio T.
16 de agosto de 2014 4:24 pmHorizonte
[video:http://youtu.be/i-_pgqvmKrw%5D
jns
16 de agosto de 2014 7:52 pmescribado
jns
16 de agosto de 2014 7:21 pmPartiu Pessoa!
CÉSAR RAMOS
Morou na mesma rua que Pessoa também residiu
Do Alfobre Blog
30 de Novembro de 1935
“Lisboa foi surpreendida pela notícia da morte brusca de FERNANDO PESSOA, um dos maiores Poetas de Portugal e uma das grandes figuras da sua geração. O prestígio do autor de ‘ORPHEU’ e da ‘MENSAGEM’ era imenso nos nossos meios intelectuais. Deixa uma obra notável, em grande parte inédita, e cujo nome irá crescendo à medida que o tempo for passando… representa uma perda irreparável para a inteligência nacional”
Comunicação da morte do Poeta, dada pelo Semanário ‘BANDARRA’.
ÚLTIMA FRASE ESCRITA PELO PUNHO DO POETA NO DIA DA MORTE:
“I know not what tomorrow will bring”
“É talvez o último
dia da minha vida.
Saudei o Sol, levanto
a mão direita, mas
não o saudei dizendo-lhe
adeus. Fiz sinal de
gostar de o ver ainda,
mais nada.”
F. Pessoa
REPRODUÇÃO DA NOTÍCIA DA MORTE E ENTERRO DADA PELO “DIÁRIO DE NOTÍCIAS”
MORREU FERNANDO PESSOA
Grande Poeta de Portugal
“Fernando Pessoa, o poeta extraordinário da «Mensagem», poema de exaltação nacionalista, dos mais belos que se tem escrito, foi ontem a enterrar.
Surpreendeu-o a morte, num leito cristão do Hospital de S. Luiz, no sábado à noite.
A sua passagem pela vida foi um rastro de luz e de originalidade. Em 1915, com Luiz de Montalvor, Mário de Sá-Carneiro e Ronald de Carvalho — estes dois já mortos para a vida — lançou o «Orpheu», que tão profunda influência exerceu no nosso meio literário, e a sua personalidade foi-se depois afirmando mais e mais.
Do fundo da sua «tertúlia» a uma mesa do Martinho da Arcada, Fernando Pessoa era sempre o mais novo de todos os novos que em volta dele se sentavam. Desconcertante, profundamente original e estruturalmente verdadeiro, a sua personalidade era vária como vário o rumo da sua vida. Ele não tinha uma actividade ‘una’, uma actividade dirigida: tinha múltiplas actividades.
Na poesia não era só ele: Fernando Pessoa; ele era também Álvaro de Campos e Alberto Caeiro e Ricardo Reis. E era-os profundamente, como só ele sabia ser. E na poesia como na vida. E na vida como na arte.
Tudo nele era inesperado. Desde a sua vida, até aos seus poemas, até à sua morte. Inesperadamente, como se se anunciasse um livro ou uma nova corrente literária por ele idealizada e vitalizada, correu a notícia da sua morte. Um grupo de amigos conduziu-o ontem a um jazigo banal do Cemitério dos Prazeres. Lá ficou, vizinho de outro grande poeta que ele muito admirava, junto do seu querido Cesário, desse Cesário que ele não conhecera e que, como ninguém, compreendia.
Se Fernando Pessoa morreu, se a matéria abandonou o corpo, o seu espírito não abandonará nunca o coração e o cérebro dos que o admiravam. Entre eles fica a sua obra e a sua alma. A eles compete velar para que o nome daquele que foi grande não caia na vala comum do esquecimento.
Tinha 47 anos o poeta que ontem foi a enterrar. Quarenta e sete anos e um grande amor à Vida, à Arte, à Beleza. Quando novo, acasos do Destino, a que ele obedecia inteiramente — Fernando Pessoa teósofo, cristão, que conhecia todas as seitas religiosas e as negativistas, pagão como só os artistas sabem ser, Fernando Pessoa obedecia cegamente ao Destino — levaram-no para a África do Sul. E na Universidade do Cabo cursou o inglês. E de tal maneira estudou a língua que Shakespeare e Milton imortalizaram que, anos passados, apresentava aos «cercles» literários da serena Albion quatro livros de poemas – ‘English Poems, I, II, III, IV’; ‘Antinuous’ e ’35 Sonnets’. E num concurso de língua inglesa alcançou o primeiro prémio.
Depois, uma vez em Portugal, a sua actividade literária aumentou. É de então que data a sua colaboração na ‘Águia’, onde o seu messianismo metafísico, num célebre e elevado estudo, anunciou o aparecimento do Super-Camões da literatura portuguesa.
1915. ‘Orpheu’. Movimento intenso de renovação. Entretanto, colabora no ‘Centauro’, ‘Exílio’, ‘Portugal Futurista’, ‘Contemporânea’. Começa a ser amado e compreendido.
1924. Funda com Rui Vaz a revista ‘Athena’. Depois, de então para cá, a sua actividade multiplica-se. Colabora em revistas modernistas, como ‘Presença’, ‘Momento’ e, há um mês ainda, no ‘Sudoeste’, que Almada Negreiros fundou com notável desassombro. Traduziu Shakespeare e Edgar Poe. Estas são, em linhas muito esquemáticas a sua personalidade.
Quem o quiser compreender folheie a sua obra vasta e dispersa.
Começará a amá-lo.
Da capela do Cemitério dos Prazeres, para jazigo de família, cerca das onze horas de ontem, partiu o corpo do grande poeta. Alguns amigos de sempre acompanharam-no, Foram eles, pelo ‘Orpheu’, Luiz de Montalvor, António Ferro, Raul Leal, Alfredo Guizado e Almada Negreiros; pela «Presença», João Gaspar Simões; pelo «Momento», Artur Augusto e José Augusto, e Ferreira Gomes, Diogo de Macedo, dr. Celestino Soares, António Botto, Castelo de Morais, João de Sousa Fonseca, Dr. Jaime Neves, António Pedro, Albino Lapa, Silva Tavares, Vitoriano Braga, Augusto de Santa-Rita, Luiz Pedro, Luis Moita, Manuel Serras, Dr. Boto de Carvalho, Rogério Perez, Celestino Silva, Telmo Felgueiras, Nogueira de Brito, Dante Silva Ramos, Carlos Queiroz, Mário de Barros, dr. Rui Santos, Marques Matias, Gil Vaz, Luis Teixeira e poucos mais.
O sr. capitão Caetano Dias, cunhado do poeta, representava a família.
Em frente do jazigo que Fernando Pessoa passa a habitar, Luis de Montalvor, seu companheiro de 34 anos de vida literária, proferiu simples e emotivas palavras em nome dos sobreviventes do grupo ‘Orpheu’.
E disse:
“Duas palavras sobre o transito mortal de Fernando Pessoa:
Para ele chegam duas palavras, ou nenhumas. Preferível fora o silêncio, o silêncio que já o envolve a ele e a nós, que é da estatura do seu espírito.”
Com ele só está bem o que está perto de Deus. Mas também não deviam, nem podiam, os que foram pares com ele no convívio da sua Beleza, vê-lo descer à terra, ou antes, subir, ganhar as linhas definitivas da Eternidade, sem anunciar o protesto calmo, mas humano, da raiva que nos fica da partida.
Não podiam os seus companheiros de «Orpheu», antes os seus irmãos do mesmo sangue ideal da sua Beleza, não podiam, repito, deixá-lo aqui, na terra extrema, sem ao menos terem desfolhado, sobre a sua morte gentil, o lírio brando do seu silêncio e da sua dor.
Lastimamos o homem, que a morte nos rouba, e com ele a perda do prodígio do seu convívio e da graça da sua presença humana. Somente o homem, é duro dizê-lo, pois que ao seu espírito e ao seu poder criador, a esses deu-lhes o Destino uma estranha formosura, que não morre.
O resto é com o génio de Fernando Pessoa”
Os serviços fúnebres estiveram a cargo da Agência Barata.
Notas do autor do blog:
– Fotos obtidas da Net; pela evidência, dispensam narrativa.
– Textos transcritos da Imprensa da época (espólio do autor).
– Outros dados foram recolhidos na ‘biblioteca pessoana’ do autor sobre o poeta. A destacar, de Maria José de Lencastre: ‘Fernando Pessoa – Uma Fotobiografia’ da Imprensa Nacional/1981.
– Nota final:
O autor do blog desde os seus verdes 14 anos que é um devoto estudioso e seguidor da vida e obra de Fernando Pessoa. Não por ter sido um jovem com pretensões a ‘sobredotado’, mas teve influência na sua preferência literária, a circunstância de ter vivido na mesma rua de Lisboa onde o poeta residiu com a avó Dionísia, a Tia Rita e a Tia Maria Cunha em 1907 .
Congratula-se com a casualidade de ter escrito ontem sobre o poeta no post intitulado ‘O SÍMBOLO PORTUGUÊS’, e hoje pontificar s/ o aniversário da ‘passagem pela transição’ do ‘escriptor’ [assim se escrevia], Fernando António Nogueira Pessoa.
CÉSAR RAMOS , ALFOBRE BLOG
http://alfobre.blogspot.com.br/2009/11/morte-de-fernando-pessoa.html
jns
16 de agosto de 2014 8:04 pmPessoa na Web
A simplicidade camponesa de Alberto Caeiro, o futurismo de Álvaro de Campos, o neoclassicismo de Ricardo Reis, o desassossego do semi-heterônimo Bernardo Soares e, claro, as reflexões do próprio Fernando Pessoa podem ser encontradas no Portal Domínio Público, criado pelo Ministério da Educação em novembro de 2004.
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp
peregrino
16 de agosto de 2014 10:01 pmalmas são como águias…
quanto mais se elevam, menos vemos