4 de junho de 2026

O Camões divertido que não se conhece

Por Gilberto Cruvinel

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Edney Silvestre: O que se conhece de Camões é sempre, para nós que hoje o estudamos na escola, pomposo. Há muitos Camões e há um divertido que a gente não conhece, mas a senhora conhece

Cleonice Berardinelli: Há um Camões malicioso que diz coisas que não se esperam da seriedade dos seus sonetos, principalmente. O que é mais conhecido da lírica camoniana são os sonetos. Então são as contradições do amor, o amor sempre infeliz, ele é sempre um amante rejeitado. Mas ele tem poemas que são muito divertidos. Então, nesse gênero, ele tem alguns que são deliciosos. Em geral, são na medida velha, em versos de redondilha maior, sete sílabas. Há um delicioso em que ele vivia, a situação financeira dele foi sempre precaríssima, então, um senhor poderoso, cheio de dinheiro com certeza, o senhor de Cascais ofereceu a Camões, prometeu seis galinhas. Claro, o pobre Camões ficou felicíssimo que ele teria almoços e jantares alguns dias. Mas o senhor de Cascais mandou-lhe meia galinha e ele, então, escreve estas rendodilhas:

Cinco galinhas e meia
deve o Senhor de Cascais;
e a meia vinha cheia
de apetites para as mais

 

……………………………….

do programa Espaço Aberto Literatura da Globo News

 

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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2 Comentários
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  1. altamiro souza

    19 de dezembro de 2015 3:44 pm

    boa essa…
    os professores de

    boa essa…

    os professores de portugues costumam trabalhar mais o poema

    “o amor é fogo que arde sem se ver”

    seria interessante ler outros qyue nem este postado…

  2. Anarquista Lúcida

    20 de dezembro de 2015 2:37 am

    Camoes para mim é o segundo maior poeta de língua portuguesa

    E alguns dos trechos líricos mais pungentes do Português sao dele, e nao dos sonetos, mas sim de dentro de episódios dos Lusíadas. Há um trecho do episódio do gigante Adamastor que é de uma veemência inacreditável, lindíssimo. Mas as pessoas têm preconceito e nao lêem. Vou deixar o trecho a que me refiro aqui, vejam que força (atençao especialmente ao trecho em negrito):

    Amores da alta esposa de Peleu

    Me fizeram tomar tamanha empresa;

    Todas as Deusas desprezei do Céu,

    Só por amar das águas a princesa;

    Um dia a vi, coas filhas de Nereu,

    Sair nua na praia e logo presa

    A vontade senti de tal maneira,

    Que inda não sinto cousa que mais queira.

     

    Como fosse impossíbel alcançá-la

    Pola grandeza feia de meu gesto,

    Determinei por armas de tomá-la

    E a Dóris meu caso manifesto.

    De medo a Deusa então por mi lhe fala.

    Mas ela, cum fermoso riso honesto,

    Respondeu: – Qual será o amor bastante

    De ninfa, que sustente o dum Gigante?

     

    Contudo, por livrarmos o Oceano

    De tanta guerra, eu buscarei maneira

    Com que, com minha honra, escuse o dano.

    Tal resposta me torna a mensageira.

    Eu, que cair não pude neste engano

    (Que é grande dos amantes a cegueira),

    Encheram-me, com grandes abondanças,

    O peito de desejos e esperanças.

     

    Já néscio, já da guerra desistindo,

    Uma noite, de Dóris prometida,

    Me aparece de longe o gesto lindo

    Da branca Tétis, única, despida.

    Como doudo corri de longe, abrindo

    Os braços pera aquela que era a vida

    Deste corpo e começo os olhos belos

    A lhe beijar, as faces e os cabelos.

     

    Oh! Que não sei de nojo como o conte!

    Que, crendo ter nos braços quem amava,

    Abraçado me achei cum duro monte

    De áspero mato e de espessura brava.

    Estando cum penedo fronte a fronte,

    Que eu polo rosto angélico apertava,

    Não fiquei homem, não; mas mudo e quedo

    E junto dum penedo outro penedo!

     

    Ó Ninfa, a mais fermosa do Oceano,

    Já que minha presença não te agrada,

    Que te custava ter-me neste engano,

    Ou fosse monte, nuvem, sonho ou nada?

    Daqui me parto, irado e quase insano

    Da mágoa e da desonra ali passada,

    A buscar outro mundo, onde não visse

    Quem de meu pranto e de meu mal se risse.

    a

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