No governo Bolsonaro, desmatamento da Amazônia teria sido 72% maior

Em carta enviada por funcionários do Ibama, estimativas são de que o mês feche com 13 mil km² de desmatamento da floresta amazônica

Desmatamento no interior da Terra Indígena Cachoeira Seca, em 2019 - Foto: Lilo Clareto/Instituto Socioambiental

Jornal GGN – Desde que Jair Bolsonaro começou a governar até este ano, o desmatamento da Amazônia seria 72% maior. As estimativas são do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente).

Em carta dirigida ao vice-presidente Hamilton Mourão, que é presidente do Conselho da Amazônia, ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do Senado, Davi Alcolumbre, e do STF, Dias Toffoli, mais de 600 servidores do órgão informaram a comparação feita com os anos anteriores.

Até o dia 9 de julho, o desmatamento já havia sido 13% maior do que o ano passado, e estimaram que até o final deste mês, este número alcance os 28% superiores do que 2019. Estas porcentagens são, na verdade, um desmatamento de 13 mil km² da floresta amazônica.

Segundo a carta divulgada pelo G1, se correspondem a quase um terço superior ao ano passado, esta área é 72% maior do que o mesmo período de 2018, entre agosto do ano anterior até julho de 2018, considerando assim 12 meses.

“Se no mês de julho deste ano constatar-se a metade do desmatamento que tivemos em julho de 2019, fecharemos o Deter [monitoramento em tempo real] dos 12 meses do período Prodes [sistema que consolida os dados] com 8. 672 km². Se a proporção entre o que é detectado com o Deter se mantiver na média de 66% do Prodes, podemos estimar um Prodes 2020 chegando na casa dos 13 mil km² de desmatamento na Amazônia, um aumento estimado de 28% em relação a 2019 e 72% em relação a 2018”, informaram.

Na carta, os servidores do Ibama afirmam que o alerta para o aumento do desmatamento deve ser encarado como uma questão também estratégica no país, uma vez que as exportações com base no agronegócio no país podem se ver afetadas por outros países, com ameaças de bloquear os acordos comerciais.

“Impedir a destruição ambiental no Brasil possibilita inclusive o esvaziamento de pretextos para imposição de barreiras comerciais contra o Brasil. Seja como for, a conjugação de tais temas interessa à soberania nacional”, defenderam.

 

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