10 de junho de 2026

A morte de Delfim Netto – 2, por Luís Nassif

Entregou grandes extensões de terras no centro-oeste a grandes empresários, como a Liquigás, a Volkswagen e Silvio Santos.
Salu Parente - Câmara dos Deputados

Vamos a mais lembranças do período do Delfim Netto.

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Lá por volta de 1982 houve uma das reuniões periódicas do FMI. Na abertura, o empresário Mário Garnero tinha por hábito oferecer um almoço, em Nova York, ao qual compareciam banqueiros de todos os países junto com autoridades brasileiras.

Na época, eu era pauteiro e chefe de reportagem do Jornal da Tarde. Recebi uma visita do assessor de Garnero, Mauro, que me perguntou se queria alguma coisa de lá. Em geral, os jornalistas pediam convite para viagem. Fiz-lhe um pedido que ele achou curioso: fazer um teste com os banqueiros, sobre quem seria o melhor negociador da dívida externa brasileira.

Deu Fernão Bracher, diretor da área externa do Banco Central.

A pesquisa custou uma enorme inimizade de Delfim com Mário Garnero.

Enquanto czar, conseguiu apoios graças a um esquema gigantesco de distribuição de favores. Entregou grandes extensões de terras no centro-oeste a grandes empresários, como a Liquigás, a Volkswagen e Silvio Santos. Victor Civita foi presenteado com incentivos fiscais para montar a rede Quatro Rodas de Hotel.

Seu grande projeto de país era convencer bancos e grandes grupos industriais a se fundirem, como no Japão.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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2 Comentários
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  1. fabricio coyote

    12 de agosto de 2024 11:19 pm

    e lula laureia um “economista” que entregou o Brasil com 60% de sua população inserida na mais escandalosa miséria. o que será que galípulo pensa desses números ultrajantes? pergunta de um trabalhador que leu Marx e Brecht.

    http://almanaque.folha.uol.com.br/brasil_09abr1986.htm

  2. José de Almeida Bispo

    13 de agosto de 2024 6:10 pm

    Tentando pegar no tranco. O empresariado brasileiro, especialmente o com poder de fogo, via de regra, sempre foi rentista. Só no bilhete premiado. Apostar que vá empreender de fato, de algum modo, ou é inocência ou forçação de barra; pra se pega no tranco. Que nunca pega.
    Os problemas fundiários brasileiros vêm desde o século XVI, com sesmarias de três léguas que facilmente viravam trezentas, como a de Bernardo Vieira Ravasco.

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