Morreu nesta terça-feira (3), aos 70 anos, o frei Sérgio Görgen, uma das principais lideranças do movimento camponês no Brasil. Religioso franciscano, escritor e intelectual ligado às causas populares, ele foi fundador do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e um dos sobreviventes do Massacre da Fazenda Santa Elmira, ocorrido em 1989.
Em nota, o MPA destacou a trajetória do frei na organização política e espiritual dos trabalhadores do campo. Segundo o movimento, frei Sérgio teve papel central na criação do MPA, em 1996, em um contexto marcado pelas secas e pela necessidade de dar voz aos pequenos agricultores.
A organização afirmou ainda que a morte do religioso representa uma grande perda para a luta social no país, mas ressaltou que seu legado permanece vivo na defesa da soberania alimentar e da dignidade das populações rurais.
Integrante da Ordem dos Franciscanos, frei Sérgio deixou obras consideradas referências sobre a luta camponesa, como Trincheiras da Resistência Camponesa e A Gente Não Quer Só Comida, nas quais analisou e denunciou a exploração enfrentada pelos trabalhadores do campo.
O Partido dos Trabalhadores (PT) também lamentou a morte do frei. Em nota, destacou sua atuação como dirigente histórico do MPA, sua filiação ao partido desde 2000 e sua trajetória como ex-deputado estadual. A legenda ressaltou ainda o compromisso de frei Sérgio com a reforma agrária, a agricultura camponesa e o combate à fome.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou pesar pela morte do religioso e relembrou o apoio espiritual recebido durante o período em que esteve preso em Curitiba. Segundo o presidente, as visitas e palavras de frei Sérgio foram fundamentais para atravessar aquele momento com força e esperança.
Lula destacou ainda a dedicação do frei à defesa da agricultura familiar, lembrando sua história marcada por sacrifícios pessoais, como greves de fome, em favor dos direitos dos trabalhadores do campo. “Ele dedicou a vida a cumprir o ensinamento de Cristo: ‘Dai de comer a quem tem fome’”, afirmou o presidente, que encerrou a homenagem desejando descanso em paz ao companheiro de luta.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também prestou homenagem, ressaltando que frei Sérgio soube unir fé e compromisso social. Em publicação nas redes sociais, afirmou que o religioso dedicou a vida à soberania alimentar, à agroecologia e à justiça social, e que seu legado seguirá presente na resistência e na esperança do povo do campo.
LEIA TAMBÉM:
Deixe um comentário