4 de junho de 2026

Maior rigor de bancos eleva cancelamentos de vendas de imóveis a R$ 1,4 bi

Construtoras cancelam R$ 1,4 bilhão em vendas de imóveis no trimestre

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

O mercado imobiliário tem um novo desafio nos próximos meses: reduzir a quantidade de vendas canceladas. Esse problema, que já vinha aparecendo no balanço das incorporadoras em 2013, ficou ainda mais evidente neste início de ano: o volume de imóveis devolvidos – que vão parar nos estoques das incorporadoras – chegou a R$ 1,4 bilhão.

A cifra supera em 30% o valor dos cancelamentos feitos no primeiro trimestre do ano passado. O levantamento considera os números de nove empresas de capital aberto que divulgam esse tipo de informação. De modo geral, as companhias alegam que, desta vez, o problema não é com elas, mas com os bancos, que estão mais rigorosos na concessão de financiamento desde o fim de 2013. “De fato, as condições de crédito nos últimos meses ficaram menos favoráveis”, diz o economista Wermeson França, da LCA Consultores.

Quando uma obra é entregue, o cliente da incorporadora é repassado para o financiamento bancário – momento em que as empresas recebem a maior parte do pagamento pela unidade vendida na planta. Mas muitos desses compradores foram vetados pelos bancos por não terem condições de assumir o empréstimo. “Há alguns anos, as rescisões de contratos ocorriam por problemas operacionais das empresas; agora, o fator é externo. Mas também preocupa”, diz o analista da Coinvalores, Felipe Silveira.

A mineira MRV teve o maior volume de vendas canceladas no começo do ano. A companhia mineira reportou R$ 327,9 milhões em “distratos” no primeiro trimestre. “Desde outubro, Caixa e Banco do Brasil passaram a restringir os financiamentos”, diz Rafael Menin, presidente da MRV. No primeiro trimestre, o volume de unidades canceladas pela companhia chegou a 20% das vendas contratadas no período. A meta de Menin é reduzir esse porcentual para menos de um dígito, mas ele diz que isso só será possível a partir do ano que vem.

Para alcançar esse patamar, a empresa vem reduzindo o prazo entre a compra e o repasse para o banco (que no caso dela, o repasse é feito ainda no período de obra). O prazo que já foi de 12 meses caiu pela metade. “E queremos chegar a 90 dias apenas”, diz Menin.

A rescisão de vendas também foi maior em empresas como Direcional, PDG, Tenda, Gafisa, Rossi e Brookfield. Além do maior rigor por parte dos bancos, as companhias dizem que o aumento dos cancelamentos se deve a um maior volume de entregas no período e a um esforço para melhorar a carteira de clientes: quem não tem condições de assumir o financiamento bancário tem o contrato rescindido antes mesmo do repasse. Os analistas do setor de construção acreditam que a tendência é que os distratos sigam altos neste ano, pois as entregas de obras continuarão em ritmo forte.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Rorgéio Marco Antonio Silva

    17 de maio de 2014 2:11 pm

    Em GO a construtora Borges Landeiro tem dado problemas

    Minha irmã, que tem salário de mais de 10 mil reais, não conseguiu financiar, não ficou claro para ela o motivo, tem caroço ai nesse angú, segue uma reclamação contra a Broges Landeiro, que não a da minha irmã, que continua aguardando sem solução à vista, ela começou a pagar na planta, será que estão é querendo ficar com o dinheiro dos clientes e vender o imóvel para outros, não dá prá confiar no empresariado, só querem é levantar vantagem

    http://www.reclameaqui.com.br/5481617/borges-landeiro/contrato-de-compra-e-venda-cancelado-indevidamente/

  2. Sylvio Souza

    17 de maio de 2014 3:46 pm

    Que o governo federal entre de sola…

    e (re) crie o BNH…..vamos ver se os bancos ficam parados…..isso é golpe do sistema financeiro contra o governo

  3. Ed Döer

    17 de maio de 2014 8:09 pm

    Hmm. Bolha no setor?

    Hmm. Bolha no setor?

  4. alfredo machado

    17 de maio de 2014 9:19 pm

    Mercado caro

    Nassif,

    Pula para um lado, pula pro outro, falam isto, falam aquilo mas só faltam falar a verdade, o preço dos imóveis está caríssimo, nas alturas, fora do alcance da maioria que precisa de um novo e, um pouco menos, para aquele que pretende fazer um upgrade.

    Até 2010, qualquer incorporação imobiliária considerava o componente custo de construção em torno de 40% do VGV, hoje o custo de construçãoé capaz de chegar a representar até 10% do VGV, e não existe qq explicação para esta aberração.Quem souber fazer a simulação padrão de uma incorporação, logo perceberá que a % do VGV referente ao lucro final simplesmente explodiu, sendo este o motivo da retração do mercado imobiliário, que todos troquem bolha imobiliária por ganância e todos acertarão no diagnóstico.

    Dizer que o agente financeiro não aceita determinado cliente da incorporadora, e daí? Para a incorporadora ele é capaz de pagar, tanto que concordou em vender o imóvel para o referido clirente –  se o banco financiador da incorporadora não o aceita, a incorporadora que fique com ele, ora bolas. Se for necessário o distrato, que assim se proceda.

    O mercado imobiliário parou em 2012 ( naquele ano, eu aparecerei no arquivo do blog, dizendo que os preços não poderiam passar daquela faixa de preços, e assim está até agora), e desde então os resultados da maioria ( ou mesmo todas) das empresas do setor no Ibovespa tem sido negativos, grande número de corretores largou a atividade para poder sobreviver, sustentar a ele ou à família ( não me parece que possa existir melhor termômetro que este) – junta isto tudo, coloca no liquidificador e pronto, está lá o atual cenário. 

    Na matéria, não por acaso só apareceu a situação das empresas listadas no Ibovespa,  porque são elas as que tem por obrigação tornar público o balanço anual.

  5. Roberto

    18 de maio de 2014 12:57 am

    Bolha a caminho?

    Bolha a caminho?

Recomendados para você

Recomendados