4 de junho de 2026

Eu não vim para explicar – o jornalismo Chacrinha da Folha de S.Paulo, por Sérgio Saraiva

Dilma não tratou de dinheiro com Marcelo Odebrecht, mas sabia do caixa dois. Temer recebeu Marcelo Odebrecht em palácio para tratar de doações ao PMDB, mas não sabia de nada. A Folha de São Paulo e sua tentativa canhestra de inverter a lógica.

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Eu não vim para explicar – o jornalismo Chacrinha da Folha de S.Paulo

por Sérgio Saraiva

Vejamos os questionamento feitos pelo Ministro Herman Benjamin, relator do processo que julga a cassação da chapa Dilma-Temer, a Marcelo Odebrecht, em seu depoimento ao TSE. Segundo os vazamentos terceirizados pela Folha de São Paulo de 24 de março de 2017.

Dilma não sabia, mas sabia.

O ministro questiona Marcelo sobre se ele já havia conversado com Dilma sobre as dívidas com o PT.

Resposta de Marcelo Odebrecht:

“Não. Veja bem, Dilma sabia da dimensão da nossa doação, e sabia que nós éramos quem fazia grande parte dos pagamentos via caixa dois para o João Santana. Isso ela sabia”.

Um não é um não. E um “veja bem”, ora, todos nós sabemos o valor de um “veja bem”.

O ministro é mais incisivo: “O senhor chegou a conversar com ela?”.

Odebrecht: “Não cheguei, ela sabia pelo nosso amigo”.

Como nem o vazador da Folha e nem a Folha citam quem seria o “amigo”, deixam para que o leitor imagine que seja Lula. Jornalismo imaginativo é assim.

Diante dos dois “nãos” de Odebrecht, só cabe ao ministro chegar a única conclusão possível:

“A sua impressão está clara. O senhor acha que ela sabia”.

“Sim”, disse Marcelo.

E o “achismo” de Marcelo Odebrecht transforma-se em manchete na primeira página da Folha de São Paulo: “Dilma sabia de caixa dois na campanha” seguida de uma vírgula malandra e a ressalva “diz Marcelo Odebrecht”.

Temer sabe de nada, inocente

Em relação ao jantar no Palácio do Jaburu em que Temer pediu dinheiro a Marcelo Odebrecht a Folha se esmera para transformar Temer em um idiota. As coisas acontecem na sua casa, mas ele não sabe de nada.

No jantar na casa de Temer estavam presentes, além do então vice-presidente decorativo, Odebrecht, Cláudio Melo Filho, vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, e Eliseu Padilha. Padilha, como sabemos, é o dono da tropa de “mulas” que abastecia as contas de Temer- apud José Yunes.

Vejamos como Marcelo descreve os acontecimentos.

“Não me lembro em nenhum momento de o Temer ter falado dos dez milhões, ter solicitado um apoio específico. Obviamente que fica aquela conversa de que: ‘Olha, a gente espera a contribuição de vocês; a gente tem aí um grupo que a gente precisa apoiar”.

“Olha, a gente espera a contribuição de vocês”.

Se isso não é pedir dinheiro, é o quê?  Só não acertou o valor. 

“Teve um determinado momento, que eu me lembro bem, o Temer saiu da mesa, já no fim do jantar, e aí, eu, Cláudio e Padilha firmamos: ‘Oh, tá bom então. Vai ser doado dez, conforme você já acertou com o Cláudio, Padilha; desses dez, seis milhões vou direcionar para a campanha do Paulo, que ele me pediu, e vocês ficam com quatro para direcionar para os candidatos que vocês quiserem”.

Coisa de mafioso. Qualquer um que assistiu a um filme de gângster já viu essa cena. É como são protegidos os chefões – os capangas falam por eles e eles falam pela boca dos capangas. Assim, nos tribunais sempre poderão alegar:

“Nunca houve um pedido para mim, específico, do Temer”.

Entenda-se como que se quiser que significado tem o termo “especifico”.

A Folha entendeu assim: “Marcelo isentou Michel Temer da negociação de uma doação de R$ 10 milhões da Odebrecht para o PMDB”.

“Eu não vim para explicar, eu vim para confundir” era o lema de um ícone da contracultura da televisão brasileira dos anos 70 e 80 do século passado. Abelardo Barbosa – o Chacrinha. Como parte de seu show, Chacrinha costumava distribuir bacalhau e abacaxi ao seu público. “Vocês querem bacalhau?” era seu bordão.

Nota-se que, a partir do apoio da Folha de São Paulo ao Golpe de 2016, esse lema passou também a ser o novo manual da redação da Folha de São Paulo.

A Folha que aliás nem esperou a regulamentação da terceirização e já transferiu seus trabalhos de “jornalismo investigativo” para o site “O Antagonista”.

E assim, quem buscar informação na Folha vai receber bacalhau e abacaxi.

 

PS: Oficina de Concertos Gerais e Poesia um lugar onde se procura, mas não se acha nada.

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12 Comentários
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  1. Atreio

    24 de março de 2017 8:27 pm

    os frias…aiai..
     
    gosto do

    os frias…aiai..

     

    gosto do video deste rapaz perdendo a compostura num evento internacional pra insistir:”its not  a coup! haaa!!! its not a coup!”

     

    sei.

    o mundo todo discorda, vcs tb sabem – mas não é  a primeira vez né?

     

    os bravos permanecem ao lado dos justos. aos canalhas restam os covardes.

    não vai levar 21 anos de novo.

  2. JB Costa

    24 de março de 2017 8:29 pm

    A ironia inteligente num

    A ironia inteligente num texto divertido nos faz até esquecer das suas verdades que, no caso, estão mais para trágicas do que engraçadas.

    Tentar ludibriar seus usuários por conta de interesses políticos-ideológicos, mais do que uma fraude comercial, é um atentado a própria essência do jornalismo que é retratar os fatos de forma crua. Usuários que pagam para serem informados e não serem feitos de bestas via manipulações e truques semânticos. 

     

  3. Paulo M.

    24 de março de 2017 8:34 pm

    Pobre Brasil.

    Milhões de cidadãos com destinos guiados pelo “tenho convicção”, “ouvi dizer”, “veja bem…”…

  4. jose adailton v ribeiro

    24 de março de 2017 8:52 pm

    Fuxico

    Painel da Folha:

    Amostra grátis Mesmo com a avaliação unânime de que os depoimentos de ex-executivos da Odebrecht ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) fulminam a imagem de Dilma Rousseff e de Lula, nenhum rival do PT comemorou. Divulgadas nesta quinta (23), as falas foram lidas como simples petisco do que está por vir na colaboração firmada pelos 77 delatores da empreiteira com a Lava Jato. Esse material, sabem os políticos, não poupará quase nenhuma das cabeças estreladas da República.

    1. Ugo

      24 de março de 2017 9:23 pm

      troll tucano decadente demente fanático

      e sempre mais testa da cazzo

      1. jose adailton v ribeiro

        24 de março de 2017 11:12 pm

        correção

        testa di cazzo caro pent…lho

  5. João de Deus Souza Silva

    24 de março de 2017 9:38 pm

    Quem é mais podre?

    Difícil saber quem é mais sujo nesta história. Se a imprensa ou o sistema judiciário.

  6. Sílvio André Barth

    25 de março de 2017 12:03 am

    Michel “Chaves” Temer: “Eu

    Michel “Chaves” Temer: “Eu não pedi, pedindo; só pedi, não pedindo”! Entendeu Quico?

  7. Renato Lazzari

    25 de março de 2017 1:05 am

    Assim não pode, assim não dá…

    Eu tinha prometido a mim mesmo que não ia mais dar risada de nada relacionado ao Golpe dos Corruptos.

    “Tomar ferro e rir não está certo”, pensei.

    Mas agora imaginei a cara do Otávio Frias Filho no lugar da do saudoso Abelardo, rs… de óculos e tudo, hehe… Como não rir?

    “Não vim para explicar…”, hahah… não poderia haver definição mais precisa para essa “Folha”: palhaçada! Show pop e brega, coloridíssimo como só esse jornal (jornal?!) sabe ser, rs…

  8. alexis

    25 de março de 2017 8:43 am

    Contorcionismo

    O Odebrecht faz esforço para transitar entre o achismo e o fato (ou a falta dele), na procura de receber maior prêmio na delação. Apenas trata-se disso. No balcão das delações, vale ponto acusar o PT e, ainda, proteger o golpe.

  9. Pedro Augusto

    25 de março de 2017 12:49 pm

    Muito mais anjo que

    Muito mais anjo que guerreiro…

     

    http://mundovelhomundonovo.blogspot.com.br/2016/10/muito-mais-anjo-que-guerreiro.html

     

     

  10. Horacio Duarte

    25 de março de 2017 4:15 pm

    Na berlinda

    O Marcelo não está em condições de falar mais do que falou. Se falar suas empresas fecham antes do michel cair.  O caso das empreiteiras na usina de Angra é emblemático. Pior, com relações exteriores,  industria e comercio e BNDS, usados para o bem do Brasil, não teria qualquer tipo de salvação.

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