Imprensa é tratada com descaso na posse de Bolsonaro

Jornalista faz vídeo denunciando que profissionais foram proibidos de trazer água, estão sem acesso a bebedouros e com restrição para utilizar banheiro 
 
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
 
Jornal GGN – Jornalistas credenciados para a cobertura da posse do novo presidente, Jair Bolsonaro, em um espaço reservado para eles, dentro do Senado, foram proibidos de entrar com água para consumo próprio e estão tendo acesso restrito para utilizar um banheiro.
 
A informação foi postada pela editora-chefe do Correio Braziliense, Ana Dubeux, que está no local, e gravou um vídeo na sua conta no Twitter: “Falta de planejamento ou descaso”, escreveu junto a publicação onde disse: 
 
“Destinaram à imprensa, aqui na Chapelaria do Congresso Nacional, que não teríamos direito à água, não teríamos direito à banheiros, porque isso não foi pensado… aliás, nos proibiram de trazer água, mas não temos acesso a nenhum bebedouro”.
 
Ainda, segundo Ana, um rapaz, provavelmente ligado a equipe da assessoria de Bolsonaro, disse aos jornalistas que, enquanto as autoridades não chegarem, os jornalistas poderão utilizar um banheiro no local. 
 
O tratamento dado aos jornalistas no dia que será oficializado como presidente da República já era previsto, levando em conta as manifestações de Jair Bolsonaro e da equipe, ainda quando candidato. 
 
Em outubro, o assessor parlamentar de imprensa do então presidenciável, Eduardo Guimarães, chamou jornalistas de Lixo. Logo em seguida, publicou uma nota pedindo desculpas.
 
Ainda em novembro, durante entrevista ao Jornal Nacional, Bolsonaro disse que os meios de comunicação terão tratamento diferente, conforme a cobertura que fizerem do seu governo.
 
“[Sou] totalmente favorável à liberdade de imprensa”, disse para o apresentador William Bonner quando questionado sobre o tema. Mas, em seguida, disse que existe a questão da propaganda oficial de governo, “que é outra coisa”, dando a entender que veículos que criticarem sua administração, podem não receber propaganda do Planalto.
 
Dias antes, a Folha de S.Paulo tinha publicado uma matéria denunciando o esquema de divulgação em massa de mensagens via WhatsApp contra o principal oponente de Bolsonaro nas eleições, Fernando Haddad (PT). Empresas no exterior foram contratadas para o envio em massa de mensagens anti-PT por aplicativo. O pagamento por empresas de ações para beneficiar um candidato é proibido lei eleitoral.
 
Bolsonaro também barrou a entrada de jornalistas da Folha, Estadão, do Globo e de outros jornais na primeira coletiva que concedeu logo após vencer a corrida eleitoral. 

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