Milei só fala de Milei. Essa foi a tática adotada pelo presidenciável da extrema-direita Javier Milei (La Libertad Avanza) nas redes sociais durante as eleições primárias argentinas (PASO), aponta a Nota Técnica do Programa de Análisis de la Construcción de Sentidos en Plataformas Digitales, de pesquisadores da Universidad Nacional de Lanús e da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Nas eleições no último final de semana, nas quais foram definidos os candidatos a presidente que disputarão as eleições gerais de outubro, Milei obteve o maior percentual de votos, com 30,04%.
A análise sugere que a performance de Milei se deu por meio da postura personalista adotada nas redes sociais, falando de si mesmo em terceira pessoa, durante o período.
A partir da estratégia, o presidenciável visou reforçar sua imagem “em vez de apresentar propostas concretas e, ao ser atacado, consegue alcançar o objetivo de ter seu nome mencionado e, então, potencializar sua presença”, diz a nota.
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Com isso, durante as primárias, Milei liderou a mobilização no Twitter, o novo “X”, com 3.168 tweets sobre o pleito,78,07% do total entre os demais candidatos.
Já em relação ao engajamento, Milei consequentemente se destacou e obteve 2.575.496 interações, 53,30% do engajamento total dentre todos os outros políticos que participaram da corrida.
Entre as palavras mais usadas pelos presidenciáveis no Twitter, Milei também mostrou uma marcada preponderância de termos relacionados com o seu nome, como “milei”, “@jmilei”, “javier” e “candidato”.
Isso sugere “que o seu discurso tem estado centrado na promoção da sua figura pessoal. Essa tendência contrasta com a apresentação de propostas e abordagens concretas que outros candidatos demonstraram em seus discursos”, reforça a análise.
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Paulo Dantas
18 de agosto de 2023 6:26 pmSeus cabos eleitorais são os presidentes anteriores, não precisa de propostas.
A democracia adoeceu mesmo.