Movimentos por moradia exigem direito de resposta à Rede Globo

‘Acusar indiscriminadamente grupos que contribuem para equacionar grave problema habitacional constitui-se em leviandade, desserviço à Verdade e gravíssima injustiça’

Prédio ocupada na Cinelândia, centro do Rio. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Jornal GGN – O programa Fantástico, da Rede Globo, divulgou no dia 5 de maio uma reportagem sobre informações de investigações feitas pela polícia de São Paulo sobre a queda do edifício Wilton Paes de Almeida, no centro da capital – tragédia que aconteceu há cerca de um ano e matou 7 pessoas.

A emissora informou que teve acesso ao inquérito com depoimento de 17 pessoas que faziam parte de movimentos de ocupação, um deles que coordenava as moradias no Paes de Almeida, pontuando supostos abusos perpetrados na organização dessas entidades.

No dia 9 de maio, mais de 50 entidades, entre elas a Frente de Luta por Moradia, Instituto Pólis e Escritório Modelo Dom Paulo Evaristo Arns assinaram uma nota pedindo esclarecimentos e direito de resposta ao canal de televisão, nos moldes e espaços semelhantes à reportagem do Fantástico.

“A referida reportagem concentra-se em acusações generalizantes, sem a devida contextualização referente à severa crise da moradia que castiga as cidades brasileiras, sem destacar a negligência do poder público no atendimento do direito constitucional à moradia digna, e sem mencionar o importante trabalho desenvolvido, há décadas, pelos movimentos de moradia e suas assessorias técnicas, contribuindo com a formulação, implementação e aperfeiçoamento das políticas públicas de habitação e desenvolvimento urbano na cidade de São Paulo”, destacam as entidades.

“A reportagem não menciona e nem promove o diálogo com os movimentos organizados e suas lideranças, que compõem o Conselho Municipal de Habitação e outras instâncias de formulação da política de habitação de interesse social no município”, completam, salientando que “acusar indiscriminadamente os grupos que contribuem para o equacionamento do grave problema habitacional e urbano da metrópole, constitui-se em leviandade, desserviço à Verdade e gravíssima injustiça – que devemos a todo o custo repudiar”.

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A seguir, leia a nota de protesto na íntegra.

Carta Globo - Movimentos sociais em defesa da moradia

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2 comentários

  1. Mais que isso, a globo, na reportagem, entende que o fato de se exigir que cada morador contribuísse um mínimo para as despesas com limpeza e organização, fosse caracterizado como crime e que um prédio abandonado pode ser mantido com a contribuição de com R$200,00 por mês de cada morador.
    Assisti, por mero acaso, a reportagem onde todos os organizadores de ocupação eram acusados, e ninguém, a não ser os acusados tinha nome e a desculpa para o anonimato era o “medo de represálias e ameaças diversas”
    Um verdadeiro deboche à nossa inteligência, eis que insinua que as vítimas do terrível acidente ainda estejam “sob o domínio” do líderes da ocupação.
    Dos inúmeros e grandiosos prédios desocupados na cidade, em especial os de propriedade do poder público, que paga aluguéis estratosféricos para os “amigos do rei” deixando às baratas bela e aproveitáveis estruturas, fossem estas orientadas em favor dos habitantes da própria cidade, ainda que em aluguel social com direito à propriedade depois de determinado tempo de ocupação, estabelecendo normas de condomínio, e a cidade não sofreria esse abandono deliberado e criminoso, tampouco seus habitantes.
    A nossa arquitetura seria preservada, a população mesclada de nosso centro viveria com dignidade e teríamos uma convivência aprazível, exemplo de cidade.
    Há prédios abandonados há mais de 30 anos, como o da prefeitura – na Av. Prestes Maia, por exemplo, que era a sede de alguns setores da administração.
    Dá pra listar de cabeça cada prédio abandonado na cidade só de propriedade pública, sem contar os particulares.
    Coisas que a globo não vê!

  2. a grande mídia sempre se acostumou a vilipéndiar
    o direito dos mais pobres e dos que presumivelmente,
    para eles, não têm nenhum direito…
    isso é histórico…é a chamada elite do atraso
    usando de suas prerrogativas ilegítimas
    para destruir os que nada têm….

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