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MEU COMENTÁRIO: Gostaria de chamar atenção de toda a comunidade do Blog, para o caráter de suma importância deste texto, originalmente postado no Obervatório da Imprensa, a 16/11/10. Trata-se, como diz o próprio autor, de algumas linhas iniciais sobre a crise do jornalismo – especialmente, no modelo convencional que estamos acostumados a vê-lo. Atrever-me-ía a expandir o campo dessa reflexão, que se atém à obsolescência do modelo de jornalismo, comumente praticado pela grande mídia, não só no Brasil. Ao expandí-lo, faria um paralelo com o conceito central que o autor utiliza, de ‘capital social’, como outros conceitos, como o de cultura, no seu sentido mais amplo e o do papel da instituições de ensino superior – nossas universidades públicas. Esses conceitos são paralelos, ou mesmo interdependentes, no que se relaciona à missão social o conhecimento e a cultura, desenvolvê-lo e transmití-lo à sociedade. Por isso, advogo junto ao autor e aos demais membros da comunidade, que já chega a 16.000 membros, essa amplificação da temática da ‘formação do capital social’. Formar e preservar o ‘capital social’, além de missão mediática, é sobretudo uma missão cultural e de ensino-pesquisa-extenção, das nossas universidades.
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| A SÍNTESE DO AUTOR. O jornalismo, como o conhecemos hoje em dia, está agonizante não porque seus valores e rotinas tenham se esgotado, mas porque a realidade onde ele se insere mudou. A teoria do jornalismo atual foi concebida num contexto em que a indústria da comunicação, da qual faz parte a indústria dos jornais, era quem ditava as normas no relacionamento entre emissores e receptores de notícias, um tipo particular de informação.
A norma estava baseada no princípio de que as notícias eram um produto que precisava ser processado numa linha de produção e comercializado para gerar lucros capazes de manter a atividade industrial das empresas de comunicação. Mas a avalancha informativa provocada pela internet mudou este esquema. A notícia tornou-se um elemento essencial na formação do capital social nas comunidades, uma função mais relevante que a mero produto mercantil, destinado a garantir a sobrevivência de corporações da mídia. Com isso, o jornalismo tende a ser cada vez menos uma atividade industrial e mais uma função social. O que era um exercício retórico torna-se uma necessidade concreta. Até hoje, o discurso do jornalismo como função social era usado para amenizar o seu compromisso empresarial. Agora, a atividade jornalística passa a ser, cada vez mais, associada a geração de um fluxo de informações voltada para o desenvolvimento da confiança mútua entre membros de comunidades sociais. Não se trata de filantropia jornalística. Pelo contrário. A geração de capital social em comunidades é um pressuposto para o desenvolvimento econômico em bases sustentáveis, a meta futura vista como a mais viável para a sociedade atual garantir sua sobrevivência futura. Valores jornalísticos como urgência, ineditismo e exclusividade tendem a perder importância porque estão associados a interesses e estratégias corporativas. Em compensação a veracidade, contextualização, interatividade e diversidade tornam-se simplesmente essenciais à manutenção da base de confiança que dá aos cidadãos condições de viver em comunidades. Estes são alguns dos elementos básicos para uma reflexão sobre o novo papel do jornalismo num contexto no qual a preocupação social começa a ser reconhecida como relevante não por militantes políticos ou ativistas ambientais, mas por pensadores que procuram entender para onde as novas tecnologias da informação e da comunicação estão nos levando. O tema é complexo demais e precisa ser debatido pelo maior número possível de pessoas. Mesmo que a discussão seja caótica, demorada e, em alguns momentos possa parecer inconclusiva. Não temos outra alternativa, pois estamos entrando na era do conhecimento coletivo e da sabedoria das multidões. O jornalismo é uma das atividades mais afetadas pelas transformações geradas pelas novas tecnologias da informação e comunicação. E tudo indica que ele vai continuar sob o impacto de mudanças que tendem a afastá-lo cada vez mais do contexto mercantil. Para uns é um sonho, para outros um pesadelo. |
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