Para atrasar processo, Temer sustenta que grampo é “clandestino e manipulado”


Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
 
Jornal GGN – Em novo pronunciamento diante das recentes acusações, Michel Temer deteve-se em seguir com o discurso de que é “alvo” de uma “conspiração”, e criticou o grampo de Joesley Batista, dono da JBS, como “gravação clandestina, manipulada e adulterada com objetivos nitidamente subterrâneos”. Temer, contudo, não respondeu sobre os comprovantes e notas fiscais de que recebeu diretamente R$ 3,540 milhões, “mensalinho” de R$ 100 mil por um ano e que fechou acordo de R$ 50 milhões de propina para este ano.
 
A defesa do atual presidente da República irá seguir a estratégia, adiantada aqui pelo Jornal GGN, de atrasar as investigações, agora em inquérito autorizado pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).
 
Diante dos detalhes das delações prestadas pelos executivos do grupo J&F, sobretudo pelos irmãos Wesley e Joesley Batista, donos do frigorífico JBS, e das evidências entregues aos procuradores da República, Temer enxerga na suposta “manipulação” ou “edição” do áudio como uma das poucas possibilidades de questionar na Justiça as acusações.
 
“Ele [Joesley] cometeu o crime perfeito. Enganou os brasileiros e agora mora nos Estados Unidos. Quero observar a todos vocês as incoerências entre o áudio e o teor do depoimento. Isso compromete a lisura de todo o processo por ele desencadeado”, disse no pronunciamento, feito há pouco.
 
Os jornais tradicionais alimentaram o questionamento do presidente da República como válido e realizaram perícias de forma independente. A Folha de S. Paulo contratou o perito Ricardo Caires dos Santos, pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, para manchetar que o “áudio de Joesley entregue à Procuradoria tem cortes”.
 
 
Por outro lado, a Folha não foi a única. A rádio CBN foi noticiário decisivo para garantir que o diálogo entre o empresário e Michel Temer não foi editado. Isso porque no início da gravação de Joesley, quando ele ainda estava no carro, a rádio CBN estava sintonizada antes e após o encontro. O jornal fez então uma análise dos tempos de duração da reunião e cruzou com a minutagem da programação daquele dia. A conclusão é de que não houve cortes.
 
Também a Procuradoria da República já concluiu que o arquivo apresentava “sequência lógica”, admitindo que a qualidade do áudio não era boa, com “alguns ruídos e a voz de um dos interlocutores apresenta-se com maior intensidade em relação à voz do segundo”.
 
Ainda assim, após os rumores provocados pelo próprio ex-presidente e endossados por jornais, a PGR entende que é direito de Temer pedir uma perícia técnica e que vai depender do Supremo aceitar ou não. O mandatário se agarra a essa chance para, pelo menos, atrasar o processo. 
 
Na fala, o mandatário peemedebista enfatizou que não renunciará: “continuarei à frente do governo”, e que vai pedir ao STF que suspenda o inquérito até que as gravações sejam avaliadas por uma perícia.
 
Assista ao segundo pronunciamento de Michel Temer:
 

 

 

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