Para seguir acreditando na vida

do blog de Erly Ricci

Esta eu trouxe lá do “La vem Maria“, blog da Silzi Mossato.

 
Apresentação de trabalho na 1ª mostra Nacional de Praticas em Psicologia Social - em 2000- trabalho incluía os padrões de comunicação da TV.

Apresentação de trabalho na 1ª mostra Nacional de Praticas em Psicologia Social – em 2000- trabalho incluía os padrões de comunicação da TV.

Destrinchar os padrões de comunição da midia, em particular da televisão, já fez parte do meu trabalho junto a educadores. Confesso arrependimento pelo abandono.

Era um trabalho pequeno e solitário. Mas hoje é exatamente o conhecimento que falta ao país.

Alguns anos atrás desliguei a TV.

Não tenho boas defesas para algumas coisas e a medida que a idade avança, a falta de defesa aumenta. Sou invadida pelas dores dos outros, energias dos outros e violência me indigna.

 A televisão é particularmente torturante, seja porque nos denigre como pessoas, em particular à mulher, especialmente nas novelas da Globo, ou porque nos impõe padrões de conduta e crenças pela repetição incessante. Os personagens malévolos que não descansam senão com a morte começam a ser mostrados a tarde e continuam noite a dentro. A ideologia dos programas pode ser resumido ao seguinte: desista, nada pode ser mudado, exceto se você cair nas graças do(a) herdeiro(a) de milionários ou do próprio milionário, ou milionária. Ninguém cresce, muda, constrói a própria ascensão social e isto, para o expectador que só quer relaxar depois de um dia pesado, é destrutivo.

 O mesmo principio provoca a entrada de muito dinheiro, pois os anunciantes pagam para que expectadores vejam seus produtos, muitas vezes  usados pelo(a) personagem bem amado(a) ou desejado(a).

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 Mas a pior parte é que a própria instituição “televisão” age de maneira tão manipulativa quanto seus perversos personagens. Faz isso de diversas formas: misturando níveis de conteúdos – ficcional e real, por exemplo – o que já é, em si, esquizofrenizante; retirando elementos de um contexto e o apresentando como uma totalidade ou reconotando e revalorizando certos elementos. Tudo isso perversamente mostrado sob a tarja de “veículo de informação” dotado de neutralidade.

 Parece um quadro negro. Mas é pior que isso. Esses veículos formam uma rede de retroalimentação com revistas e jornais. Na maior rede, na mais visível, identificamos claramente a revista Veja, o jornal Folha, o Globo, revista Época e a rede Globo, incluindo canais pagos.

A repetição incessante deixam as lentes com que olhamos o mundo viciadas. Assim esse grupo que está infiltrado em todos os cantos do país tem um poder avassalador. Nem os monarcas do absolutismo tinham poder igual.

Com a televisão desconectada não acompanhei a chuva de denúncias cuidadosamente articulada para atingir o país no segundo turno. Mas fiquei chocada com a reação de pessoas com quem convivo e decidi ver todos os vídeos dispostos na internet a respeito da tal delação premiada. Queria saber se havia nela algo que desabonasse meu voto. Fiquei ainda mais chocada ao ver que o depoimento mostra nada a mais que velha corrupção infiltrada nos diferentes setores da sociedade e da economia do Brasil.

O delator, também réu confesso, retrata o Cartel da Empreiteiras e o recebimento de vantagens financeiras por ele e por políticos de diversos partidos. São crimes financeiros. Devem ser investigados e os culpados devem ser punidos. Mas o politico citado frequentemente, a quem o réu atribui a articulação do esquema de recebimento de propina, morreu em 2012 e sequer pode se pronunciar. Trata-se de José Janene, ruralista, do PP daqui do Paraná, No meio do depoimento, em algumas falas o réu diz que uma parte dos recebimentos iam para o Partido dos Trabalhadores e sugere nomes, com os quais ele próprio deixa claro, não teve nenhuma conversa a respeito. Reafirmo, é crime, deve ser investigado e se comprovado, punido. Mas a mídia pune por antecipação e isso tem sido regra e isto não é justiça. É linchamento.

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Ao mesmo tempo o delator afirma com segurança que o setor que faz os orçamentos iniciais, antes que ocorram as licitações, não deixa que ocorram vazamentos. Quando a vencedora da licitação apresenta valores que ultrapassarem em mais de 20% dos orçados e não há negociação para adequar, a licitação é anulada e reiniciada. Quem faz os orçamentos não faz parte da corrupção, o que leva a conclusão que não há super faturamento de obras. A propina é adicional dado pelas empresas do cartel.

Dito isso, resta questionar: por que os telespectadores não estão indignados com o monstruoso desvio de dinheiro do metro de São Paulo, gerido pelo PSDB? Será que ele não existe de fato ou denuncia-lo não é de interesse do conglomerado da grande mídia?

 Por que não ficam indignados com o montante roubado na venda do Banestado? Por que a venda, a preço ínfimo, da Vale do Rio Doce, que geraria imensos recursos ao país, não provocou indignação semelhante? Afinal nós pagamos a construção da Vale, assim como pagamos a construção de nossas antigas companhias telefônicas.

 Depois de ver os vídeos do depoimento vi outro: https://www.youtube.com/watch?v=wwZ0Lvtt8A4

 A apreensão de pasta de cocaína completamente documentada, com imagens do flagrante, entrevista de um dos envolvidos reafirmando a veracidade do fato, entre outras coisas. Soma-se ao fato mais que comprovado, outro, incontestável: a construção de aeroporto em terras do tio do então governador de Minas Gerais.

 Chegamos ao ponto mais grave. Com tantas provas incontestáveis a justiça nega-se a investigar e tudo é devolvido àqueles que deveriam estar encarcerados. Enquanto isso o amigo do dono do helicóptero concorre a presidência do pais.

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 O que, afinal, acontece com o judiciário brasileiro? A que podemos recorrer?

 Enquanto isso discute-se a redução da idade penal. Para que? Para que crianças cada vez mais novas sejam aliciadas? É este o país que queremos?

 Mas a Globo não noticiou, a Veja não encheu suas páginas com as fotos dos flagrantes, a Folha não publicou um editoral a respeito, então podemos seguir indignados com vendas nos olhos até que um dos nossos caiam na rede.

Prefiro continuar falando o que vejo. Prefiro crer que é possível  sair deste cerco. Prefiro crer que é possível viver no Brasil!

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9 comentários

  1. Muitos preferem nao saber dos

    Muitos preferem nao saber dos problemas. Votar no PSDB talvez seja o remedio para elas. Mesmo sabendo da corrupcao, nao terao mais noticiarios diarios jogando na sua cara que esta é a realidade do pais. Viverao mais felizes acreditando no mundo utopico e idealizado vendido pelas teles.

  2. a televisão está destruindo a nossa identidade nacional…

    interferindo abertamente no judiciário, no legislativo e no executivo

    fez isso na ditadura e agora mais ainda, invadindo e corrompendo e torturando diretamente  nossas famílias

    ardilmente substitui os antigos locais de prisão e de tortura em maior escala

     

    parabéns pelo post, excelente

    • e qual é o principal objetivo…

      conduzir nossa autoestima sempre para o lado negativo, fragilidade psicológica

      tortura com seu glamour, para que o cidadão se sinta como um fracassado, um inútil, fraco e pobre

       

  3. cercados pela globo e
    a

    cercados pela globo e

    a grande mídia golpista.

    o que as pessoas não percebem é que esse

    cerco determina nosso estilo de vida,

    nossa visão de mundo,

    nossas análise do cotidiano,

    nossas reações, nossos costumes etc e tal.

    é a ditadura, o fascismo em estado latente impregnando nossas vidas.

    sugerir continuar a viver mesmo assim só

    desligando a tv e deixar de ler essa grande mídia….

    melhor ser ignorantes de tantas mentiras do que

    bem informados e dirigidos por elas.

    essa hgemonia esclerosada é vetusta e medievalmente  criminosa.

    é como o cara que segue pro abismo e não para pra pensar

    como evitá-lo.

    porque não tem história que o faça perceber

    as pedras e as ruínas que já existiam do caminho

    e, por isso, quebra a cara.

     

     

     

     

  4. delação premiada

    O que se esconde na delação premiada

    Artigo Completo: clique no título

    (…)

    Políticas econômicas ortodoxas, convém lembrar, sempre foram acompanhadas de políticas criminais igualmente ortodoxas. Seus resultados também são bastante parecidos, basta ver o colapso dos sistemas penais nos países que abraçaram a cartilha do mercado. No caso do Brasil, apopulação carcerária mais do que sextuplicou desde 1990 até hoje, com um déficit crescente de vagas no sistema. Alheio a um cenário que já produziu Carandiru e mais recentemente Pedrinhas, o debate sobre política criminal que acompanhamos durante o processo eleitoral parece limitado aos temas corrupção e impunidade. Pede-se mais pena. Fala-se da redução da maioridade penal, até de parcerias com o setor privado.  Choques de gestão.  Sob uma ótica meramente de mercado pode-se pensar, inclusive, na privatização dos presídios.

    Tal como está ocorrendo, com a divulgação espetacular na grande imprensa dos nomes das pessoas acusadas pelo delator no processo que corre, em parte, em Curitiba, em parte, no Supremo Tribunal Federal, sob o beneplácito do judiciário, que faculta essa divulgação como se fosse o resultado de um processo público e democrático, o que se pretende é mais do que evidente: influir diretamente no pleito eleitoral, dando impressão de que tudo o que foi delatado corresponde à mais pura verdade. A imprensa e o judiciário, principalmente este, deveriam atender aos preceitos constitucionais de presunção de inocência e do devido processo legal, que exigem, antes de tudo, que a determinação da responsabilidade penal só pode se dar sob o pressuposto da proteção da pessoa, e não para atender a fins políticos ou ideológicos.

    (…)

    Juarez Tavares *  e  Frederico Figueiredo **

    * Professor Titular de Direito Penal da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Professor Visitante na Universidade de Frankfurt am Main (Alemanha).

    ** Doutor em Direito pela Universidade de Frankfurt am Main (Alemanha).

    Publicado no Jornal do Brasil

  5. Esperança

    Ja dise que não morro de amor por nenhum partido politico.

    Elogio o que se tem feito de bom e critico as porcarias, independente de quem as faça.

    Sou um simples cidadão, comerciante, convivo com todos os dias com os mais diversos tipos de pessoa.

     Pessoas simples, pessoas idosas, jovens, ricas, pobres, preconceituosas, bem intencionadas… Por ai vai, enfim, pessoas comuns como eu mesmo sou.

    O homem comum não é ambicioso, se lhe fosse garantido o essencial  para uma vida digna, segurança, e algum conforto, tudo iria bem, acontece que a ganancia de alguns impede que nem o essencial lhe seja oferecido. Ai vem a epoca da eleição e as promessas caem em cascata, como se não houvesse o ontem nem o amanhã.

    Então nos deparamos com um texto como este e ai sim perdemos a esperança.

    O que sugere o conteudo deste texto?

    Diz simplesmente que o governo atual não escapa de corromper e ser corrompido, afirma que os outros tambem estão atolados até o pescoço e por isto não tem moral para critica-lo. Defende-se afirmando que o processo administrativo, que a gestão governamental é feita atraves de negociatas, o dando que se recebe e que não existe alternativa para governar. E então…

    Como ficamos o comum dos cidadãos? O que esperar? Tanto faz votar em um ou outro porque nos finalmentes é tudo a mesma coisa.

    Quem vai me convencer? Quem vai explicar o que acontece?

    O PSDB aqui em São Paulo parece que esta patrocinando uma crise de gestão, nunca vista na historia deste Pais. É esperar o desenrrolar dos acontecimentos e se preparar para o pior.

    O PT que deveria fazer diferente, repete as mesmas mazelas daqueles que critca.

    E ai?

    • “conde” de Rochester, discípulo de Diógenes “conde” de Sinope

      Era uma vez um “comerciante honesto” que perambulava pelas ruas carregando uma lamparina, durante o dia, alegando estar procurando por um homem honesto.

       

       

      Por acreditar que a virtude era melhor revelada na ação e não na teoria, sua vida consistiu duma campanha incansável para desbancar as instituições e valores sociais do que ele via como uma sociedade corrupta.*

       

      *livre adaptação de texto da wikipedia, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Di%C3%B3genes_de_Sinope)

      • Ingrid Mariana não perca a esperança

        Avida contemporanea baseada no consumismo e ceticismo materialista não tem condições de trazer aquilo que mais se procura. A multidão corre desenfreadamente uns passando pelos outros aos trancos e trombolhões sem saberem ao certo para onde.

        A felicidade – entendida como autodomínio e liberdade esta para o homem deste orbe como uma utopia inatingivel.

        Pra ser sincero estou cansado desta correria da grande cidade sem um ponto final visivel, estou mais para Alexandre o Grande qdo se referiu a Diogenes. – “Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes.”

        Se as raizes familiares que me prendem aos comromissos estivessem mais desprendidas faria que nem a familia de Lot que abandonou Sodoma, sem olhar para tras.

        O voto branco, abstenção e nulos continua em patamar alto. Não deixa de ser um posicionamento politico.

        Não se critique quem preferiu o caminho do cão.

        Muitas anedotas sobre Diógenes referem-se ao seu comportamento semelhante ao de um cão, e seu elogio às virtudes dos cães.  Este animal é capaz de realizar as suas funções corporais naturais em público sem constrangimento, comerá qualquer coisa, e não fará estardalhaço sobre em que lugar dormir. Os cães, como qualquer animal, vivem o presente sem ansiedade e não possuem as pretensões da filosofia abstrata. Somando-se ainda a estas virtudes, estes animais aprendem instintivamente quem é amigo e quem é inimigo. Diferentemente dos humanos, que enganam e são enganados uns pelos outros, os cães reagem com honestidade frente à verdade.

    • Atenção ao que se lê

      A autora do texto é uma psicóloga que trabalhou orientando professores do ensino fundamental numa secretaria de educação. Durante dois anos, fez silenciosa e solitariamente um trabalho de destrinchamento da comunicação, mais centrado na TV, especificamente sobre a programação da Globo, através da “Pragmática da Comunicação Humana”. Recebeu um prêmio nacional de Práticas em Psicologia Social por causa desse trabalho. Foi aí que a instituição em que trabalhava descobriu exatamente o que ela fazia com os professores. Daí em diante não pode fazer mais nada e chegou, inclusive, a ser obrigada a atender pais de alunos numa sala coletiva da Secretaria de Educação. Por causa disso, pediu demissão. Mas o que ela denuncia neste artigo é a manipulação desavergonhada da mídia e a proteção que um dos poderes da república, o Judiciário, dá ao crimes de uma única facção política e a forma que a imprensa contribui para ocultar os crimes de um e manipular os conceitos contra determinadas classes sociais. Em momento algum ela diz que o governo atual corrompe e seja corrompido. No máximo, nas suas entrelinhas, ela diz que a corrupção é um padrão cultural que está em toda parte, mas muito mais no poder judiciário e na mídia. E me parece que ela convoca todos a denunciar o que vê, depois de muito analisar, porque é exatamente isso que ela está fazendo. “Prefiro continuar falando o que vejo. Prefiro crer que é possível  sair deste cerco. Prefiro crer que é possível viver no Brasil!”

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