Revista Época rifa Alexandre de Moraes

Jornal GGN – A revista Época, braço das Organizações Globo, trouxe em sua matéria de capa desta semana um “Fora Alexandre de Moraes”. Um aperitivo da matéria, liberado para não assinantes, demonstra a tese de que a grande mídia não quer mais o ministro da Justiça por perto.

Segundo a publicação, Moraes fala demais, abraça brigas que não são necessárias e se vale de um plano de segurança pública fadado ao fracasso. A revista discorre sobre as desvantagens em se ter alguém como ele na posição em que ocupa, e dá seu recado ao governo Federal.

Leia o aperitivo da matéria a seguir.

da Revista Época

Alexandre de Moraes, o homem errado

O ministro da Justiça fala demais, compra brigas desnecessárias e insiste num plano de segurança que tem tudo para fracassar

ALANA RIZZO E TALITA FERNANDES

>> Trecho da reportagem de capa de ÉPOCA desta semana

O amplo gabinete no 4º andar do Palácio da Justiça sempre foi um dos mais disputados de Brasília. Quem se senta na cadeira de ministro da Justiça tem à vista, subitamente, uma montanha de poder político – e uma montanha igualmente imensa de encrencas. Boa parte dos problemas do governo passam pelo Ministério da Justiça. É uma Pasta balofa. Tem orçamento de R$ 14 bilhões e 12 secretarias, além da Polícia Federal e da Rodoviária Federal. Cuida de índios, de anistias políticas, de estrangeiros, de presídios, de cartéis, de direitos humanos. Cuida da relação do governo com os Tribunais Superiores. Até o Arquivo Nacional está nesse mafuá estatal. O ministro da Justiça coordena, por fim, a segurança pública do país. No gabinete dele, não entra solução: só entra problema. Quando o ministro (nunca houve uma ministra) é fraco, o problema que entra no gabinete encontra um problema sentado na cadeira – e o que sai de lá em seguida costuma ser um problemão. Não tem erro: uma hora o problemão apeia o ministro da cadeira. Desde 1822, a vida média de um ministro da Justiça mal chega a um ano. Ministro da Justiça não deixa o cargo. Cai.

>> Alexandre de Moraes, o falastrão da Esplanada

O atual, Alexandre de Moraes, está há nove meses na cadeira. Tem mais três meses para alcançar a média de seus antecessores. Caso continue falando e agindo como se ainda fosse secretário de Segurança de São Paulo, alheio à dimensão das encrencas de Brasília e do país, talvez não dure tanto. Desde que assumiu o cargo, Moraes parece deslumbrar-se com a montanha de poder que lhe assomou e ignorar a outra, a dos problemas. Uma semana depois de tomar posse na Pasta, ele não conseguia esconder uma alegria quase infantil em ocupar o cargo. A ampla mesa de madeira maciça estava tomada por caixas recheadas de livros – entre eles, vários exemplares de seu best-seller de Direito Constitucional. A decoração clássica demais não lhe agradava tanto. Naquela quinta-feira de maio, em meio a reuniões com a nova equipe e compromissos de emergência rotineiros na Pasta, Moraes pediu que a conversa sobre os planos para o ministério fosse encerrada. Na antessala do gabinete, a esposa aguardava para conhecer o gabinete do novo ministro da Justiça.

Nos primeiros dias de comoção provocada pela matança nos presídios, Moraes travou uma disputa velada por poder e protagonismo com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia – um claro sinal de que ainda não consegue entender as sutilezas das relações políticas da capital. O ministro ficou incomodado quando Cármen anunciou que embarcaria para Manaus, depois que ele já havia ido à capital amazonense, e também quando procurou representantes do IBGE e do Exército, que fazem parte do Poder Executivo, para propor a realização de um censo carcerário. Nem o governo federal nem o Judiciário admitiram de fato qualquer responsabilidade pela barbárie, mas passaram a competir na busca por soluções para o caos penitenciário. Em vez de tentar trabalhar com Cármen e os esforços do Conselho Nacional de Justiça, Moraes buscou o protagonismo de um problema que ninguém resolverá sozinho.

>> Temer pede a Moraes que evite críticas ao Judiciário, em especial ao STF

Michel Temer virou ouvidor da rivalidade que se desenrolou nos bastidores. Ao longo da semana, ouviu de seu ministro a reclamação de que a presidente do Supremo estava “muito midiática”, insinuando que ela assumira esse comportamento por ter pretensões políticas. Em encontro no fim de semana passado, Cármen não escondeu do presidente sua antipatia por Moraes: “O ministério da Justiça deveria falar menos e fazer mais…”. Temer ouve reclamações semelhantes com frequência.

>> Ministro diz que vai processar Aragão para ele “aprender a ficar de boca fechada”

A reclamação discreta da presidente do Supremo causou preocupação no Palácio do Planalto. Em uma conversa com Moraes, Temer recomendou que ele evitasse ao máximo qualquer altercação com Cármen Lúcia. O presidente viu-se obrigado a explicar o óbvio: o governo só tem a perder ao enfrentar a presidente do Supremo. Especialmente no momento em que a cúpula do Judiciário acumula embates com o Legislativo, toma decisões que afetam diretamente as relações financeiras entre a União e os estados e, não menos importante, está prestes a se debruçar sobre processos da Lava Jato que podem envolver centenas de políticos – sendo muitos ligados também ao atual governo. Temer assegurou ao ministro que, por mais que Cármen Lúcia se reunisse com integrantes do Executivo para buscar soluções para a crise, é ele, Temer, que dará ou não as ordens para qualquer colaboração. Ter de explicar o óbvio da política brasiliense – mais uma vez – para um ministro da Justiça demonstra que o ministro da Justiça está criando crises em vez de resolvê-las. Temer sabe disso, mas reluta em demitir Moraes por duas razões. Primeiro, porque gosta do subordinado e aposta nele como nome para o Palácio dos Bandeirantes em 2018. Em segundo lugar, porque ele não enxerga alternativa melhor para um cargo tão difícil. O presidente não ignora, igualmente, o peso do desgaste político de outra demissão no alto escalão de um governo ainda frágil.

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21 comentários

  1. Talvez

    a revistinha da Globo não sáiba sobre o que sabe o dito cujo sobre os Homens Bons que estão com Temer e sobre o que sabe o falastrão ministro sobre o próprio vice vigarista.

  2. O Castelo De Drácula

    O Governo do Brasil hoje é a mesma coisa que o Castelo de Drácula do filme Van Helsing. É só barbaridade, atrocidade e terror. Como no filme, os personagens desse governo são absolutamente aterrorizantes e sem um mínimo de confiabilidade. No filme há um caçador de vampiros que no final triunfa sobre o mal, no caso desse governo não há ainda que personifique Van Helsing, ou seja, vamos todos ser empalhados.

  3. “Temer sabe disso, mas reluta

    “Temer sabe disso, mas reluta em demitir Moraes por duas razões. Primeiro, porque gosta do subordinado e aposta nele como nome para o Palácio dos Bandeirantes em 2018. Em segundo lugar, porque ele não enxerga alternativa melhor para um cargo tão difícil”:

    Mentira duas vezes.  A UNICA razao que Moraes ainda esta no emprego eh pra protecao do “governo” de Temer atravez da violencia contra manifestantes.  Os do FORATEMER, sabe como eh…

    O analfa do delegadinho de merda eh tao analfa que acha que o Brasil eh a Sao Paulinho que ele agrediu multiplas vezes com seus subordinados de merda.

    E Cunh…  digo, Temer, esta se escudando nele para empregar assassinatos de manifestantes.

    O cara eh indicado de Cunha ou de Temer?!?!?!

  4. Figura pequena

    Até que enfim uma unanimidade dos golpistas : Moraes consegue desagradar a todos , golpistas ou não .

    Como evidenciou Aragão . A pequenez de Moraes é tão grande (!) que o sujeito não tem noção da dimensão de seu cargo , em poucos meses de exercício , evidencia que é uma figura em desarmonia com a missão que lhe foi confiada . Me recorda aquele ministro da era Collor : Rogerio Magri , meio deslumbrado com o cargo não sabe o que fazer , se se pauta para agradar seus patronos , ou se tenta vôos autonomos . Mas o medo das consequências está sempre a lhe imobilizar .   

  5. Pobre Michel Temer… se não
    Pobre Michel Temer… se não atender o pedido do clã Marinho ele ficará sem sustentação midiática. Se cumprir a ordem ele provará que não governa.

  6. Bem feito!

    Parece que os golpistas estão numa sinuca de bico daquelas que nem fazendo a bola branca dar pulo, à Rui Chapéu, conseguem sair.

    – “Mas quem será o que venderemos como o bom? Aécio tá queimado; FHC, gagá, Alckmin só esperando vir à tona um monte de denúncias… Serra, louco, nem pensar…”

    – “Moro?”

    – “Político? Inseguro como ele só, deve fugir para a casa de seus patrões logo, logo…”

    – “Err… Dória?”

    – “Humm… quem sabe?”

    Mas apenas parece. A verdade é que quanto mais criminalizarem e pintarem como suja a atividade pública, política, melhor para os golpistas.

    “Deixe-me controlar o dinheiro de um país e não me importo com quem é que faz suas leis.”

    Rothchild

    O antídoto? Participação popular na política.

  7. Um homem bem menor, mas bem

    Um homem bem menor, mas bem menor mesmo que o cargo num governo composto por corruptos, fanfarrões, ineptos  e mais alguns adjetivos impublicáveis a bem da imagem deste Portal de Notícias. 

    O curioso é que a revista global ao discorrer acerca das vicissitudes de Temer omite que a principal é citação do mesmo nas delações de Lava a Jato. Um “esquecimento” providencial, não?

    Depois do curioso, o tétrico: Temer aposta no Kojak depois da gripe para o governo de São Paulo. Considerando que Temer não tem potencial para eleger seu ninguém, claro que por detrás disso está o governador Alckmin, o verdadeiro chefe e mentor do falastrão ministro da Justiça. 

    Se candidato, e se eleito, aí São Paulo, finalmente, terá alcançado o ápice no que tange a seu masoquismo: Alexandre um xerifão atrapalhado no governo do estado formando dupla com um bobão abestalhado na prefeitura da capital. 

    Avante São Paulo!

  8. Para capitão do mato.

    Para capitão do mato desta quadrilha empoderada Serve. De encomenda . Baixão pau em estudantes, dialoga bem com o pcc, está construindo uma solução final para presidiários (tipo nazifascista ).

  9. 2 semanas

    Hoje faz uma semana que eu disse que o Kojak não durava mais uma semana.

    Deveria ter dito duas.

    A Globo que é de fato quem governa o bananal levou todo esse tempo para dar o bilhete azul para o cidadão.

    O golpista cumprirá a risca o que manda o patrão.

    Provavelmente ainda essa semana.

  10. Nem a Globo derruba Alexandre

    Nem a Globo derruba Alexandre de Moraes. O golpista na presidência nunca deixaria que se tornasse público o tamanho do chapéu de touro que ele usa e que Moares conhece bem, graças ao celular da Marcela.

  11. Vidas paralelas

    João Dória: Fala aí Alexandre! Quer que te ajude a capinar maconha?

    Alexandre Moraes: Oi cara! Seria muito bem-vindo, mas, precisamos de um espantalho para cuidar do terreiro.

     Aecim: Deixa comigo! Se quiser faço até um aeroporto por lá.

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