Jornal GGN – Quando, em outubro de 2009, a presidenta Cristina Kirchner promulgou na Argentina a “Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual”, a possibilidade de uma real descentralizacação dos grandes conglomerados midiáticos ainda despertava incertezas.
Cinco anos depois, o mapa comunicacional argentino está se clareando e a lei já é referência no mundo inteiro. O grupo Clarín, principal centralizador de veículos midiáticos da Argentina, está em processo de adequação às regras da lei, e já atuam plenamente organismos de defesa da audiência, como a Defensoria Pública de Comunicação Audiovisual.
Em entrevista ao Jornal GGN, a Defensora Pública dos Serviços de Comunicação Audiovisual Cynthia Ottaviano explica a importância da “Ley de Medios” (Lei da Mídia) para o direito à comunicação na sociedade argentina e o novo panorama midiático que surge a partir da troca da antiga lei de Radiodifusão, criada pela ditadura militar, por uma iniciativa que promete a participação ativa do público no processo de comunicação.
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Ottaviano explica que hoje existe um despertar latinoamericano em relação a ter uma soberania comunicacional em cada país e destaca o debate promovido pelo ex-presidente Lula para uma comunicação democrática no Brasil.
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Como a música do cantor uruguaio Daniel Viglietti, que chamava os camponeses “A desalambrar” a propriedade privada para impulsar a reforma agrária em países da América Latina, Cynthia Ottaviano afirma que temos a necesidade de tirar o arame da palavra, para desapropriar o acesso à mídia na região e criar uma comunicação que seja de construção coletiva.
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Como consequência do debate gerado a partir da Ley de Medios, a Defensora Pública explica que nas ruas da Argentina pode-se perceber um olhar muito mais crítico em relação ao papel da mídia, como criadora de sentido, ideologia e ligações com corporações e instituções.
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Segundo Ottaviano, o público midiático sempre foi estudado no âmbito acadêmico, mas a partir da Ley de Medios virou sujeitos de direito, com voz para gerar mudanças na comunicação e não somente receptores.
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Entretanto, a partir da experiência argentina, a Defensora Pública adverte a importância de que o processo seja impulsado pela própria sociedade e não por um governo com prazo determinado no poder.
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Ottaviano adverte que o caminho é muito complexo, mas está comprovado que já teve seu início na América Latina, e não haverá um fim até a soberania comunicacional.
Ivan de Union
30 de abril de 2014 9:21 pmUm charme, e muito clara. E
Um charme, e muito clara. E segurissima do trabalho que tem que fazer, bem diferente dos ministros brasileiros. No Brasil estamos discutindo calunias e mentiras contra Petrobras, Padilha, e um atentado de uma procuradora contra o Palacio do Planalto… eh por isso que nao estou entrando nesses assuntos mais, exceto pra enxotar os trolls.
Quem evolui… TEM JUDICIARIO.
Fred.KG
30 de abril de 2014 11:14 pmA Argentina está muito mais
A Argentina está muito mais avançada que o Brasil em termos de “soberanização da informação”.
E também o seu judiciário que já fez o dever de casa, condenando os figurões da sua ditadura militar…É hoje um poder judiciário muito mais independente e com menos rabo preso com os velhos esquemas de poder das suas oligarquias entreguistas e cujos juízes e procuradores atuam muito menos sob a influência e/ou tacão (ou “faca no pescoço”…) da pressão midiática! Consequência direta do referido processo de soberanização da informação…Comparado ao argentino, o judiciário brasileiro está como que, em uma primitiva fase anterior da evolução!
Se hoje, há uma luta urgente no Brasil que vale a pena e precisa ser lutada…É o processo de “soberanização da informação”! Sob este aspecto o Brasil ( com ajuda de suas medíocres elites entreguistas…), ainda é um país colonizado por potencias e poderes extrangeiros governamentais e privados…
Maira Vasconcelos
1 de maio de 2014 2:13 pmMe Gustó
Entrevista esclarecedora.
¡Abrazo!