A certeza de ouvir música boa, por Aquiles Rique Reis

Na coluna de hoje, Aquiles Rique Reis comenta a trilogia de Edu Lobo, Romero Lubambo e Mauro Senise

Capa do CD "Quase Memória"

A certeza de ouvir música boa

por Aquiles Rique Reis*

Após Todo Sentimento e Dos Navegantes, o CD Quase Memória (Biscoito Fino) completa a trilogia de Edu Lobo, Romero Lubambo (violão e guitarra) e Mauro Senise (saxes, flautas e piccolo). Dividindo protagonismos, arranjos e ideias, os três se qualificam como a trinca de ases de ouro da música brasileira.

Tal qual os dois álbuns anteriores, o novo CD é daqueles que não é necessário ouvir para se ter certeza de que o que ali está é música de alta qualidade.

Lobo, Lubambo e Senise vêm aprimorando suas harmonias e melodias ao longo do tempo. Quando juntos, esses instrumentistas virtuosos e o cantor de voz encorpada, afinada e plena de emoção estão entre os melhores intérpretes das músicas de Edu.

Os apurados arranjos contam também com as participações especiais de Anat Cohen (clarineta), Bruno Aguilar (contrabaixo), Cristóvão Bastos (piano), Jurim Moreira (batera) e Kiko Horta (acordeom).

Um parêntese: “Como um alfaiate, agulha e linha entre os dedos, Edu Lobo costura o pano de fundo da sua emoção. E é desse encanto que ele extrai a alma que estimula a criação. Sobre a cama macia, harmoniosa, Edu estende o lençol da melodia feita nota por nota. E assim, concebidos os acordes, criada a melodia, nasce a sua música”. Tais palavras, de um texto que escrevi sobre Edu em 2008, hoje também refletem minha admiração por Lubambo e Senise.

Bem, ao chegar neste ponto da dica, dou última forma ao que escrevi no início: ora, claro que ouvir o álbum, além de ser fundamental, é um prazer renovado a cada faixa. Dito isso, vamos a duas de suas inéditas.

“Peregrina” (EL e Paulo César Pinheiro): sax alto, violão e detalhes da batera iniciam. Vem o canto: é quando Edu se mostra mais Edu Lobo do que nunca. Os versos dão ao cantante o reforço para que aflore sua sensibilidade. O violão e novos detalhes do prato da batera guiam os passos do menestrel. No intermezzo, o violão improvisa. A harmonia dá a ele asas para voar, e ele voa.

Leia também:  Perambulando, de Mário Zan e Arlindo Pinto

“Quase Memória” (Edu Lobo e Cacaso): o piano toca a intro do tema instrumental. A flauta baixo de Senise, puro sentimento, causa arrepio. Um crescendo muito bem feito do baixo com o piano eleva a emoção e se fortalece quando a eles se ajuntam o violão e o contrabaixo.

Algumas não inéditas: em “Lábia” (EL e Chico Buarque), a soma da clarineta com o sax alto e o piano abre o som. A voz chega certa de que tem uma missão pela frente. E não nega fogo, vem certeira, sem lero-lero, passando pelos versos com a naturalidade de quem sabe o valor do repertório dos parceiros. Lindo, o arranjo veste os versos com roupas domingueiras. A clarineta brilha.

“Senhora do Rio” (EL): após a intro, o violão pega a voz pela mão e vão. E assim, junto com o acordeom, conduzem a um intermezzo do violão. A voz salta da garganta… Meu Deus!

A soma do formidável talento de Edu, com o requinte de Senise, o esmero de Lubambo e o reforço vindo de instrumentistas competentes orgulha a música popular e instrumental brasileira.

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1 comentário

  1. Ei, borandá, que a terra já secou, borandá
    Ei, borandá, que a chuva não chegou borandá

    Esse artista é de se tirar o chapéu.

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