9 de junho de 2026

A fantástica família Ernest Dias, por Luis Nassif

Foi inesquecível conhecer Jorginho do Pandeiro, Jonas do Cavaco e, especialmente dona Odete. Que figura! Contava do flautista belga Mathieu-André Reichert, o primeiro a trazer o instrumento para o Brasil. Depois, discorria sobre seus seguidores.

Recebo de Carlos Ernest Dias o link de uma página do Instituto Moreira Salles, no qual a família apresenta o show Um Choro Para Waldir.

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É um documento precioso. E me surpreendi vendo a matriarca dona Odete firme na flauta e nos conselhos para isolamento social.

Conheci dona Odete no início dos anos 80, quando Armando Aflalo trouxe parte do conjunto Época de Ouro, mais um pessoal de Brasilia, para gravar um dos LPs inesquecíveis do Selo Eldorado.

OP bandolinista era o Reco, principal responsável pelo monumental Clube do Choro, de Brasilia. Ele precisou voltar antes para Brasilia e alguém, acho que o próprio Aflalo, me pediu para encontrar o grupo no estúdio Eldorado, para sairmos à noite para um sarau.

Foi inesquecível conhecer Jorginho do Pandeiro, Jonas do Cavaco e, especialmente dona Odete. Que figura! Contava do flautista belga Mathieu-André Reichert, o primeiro a trazer o instrumento para o Brasil. Depois, discorria sobre seus seguidores.

Era sábado. Terminada a gravação de estúdio, o técnico de som nos convidou para ir a um clube, no Jabaquara, fazer uma apresentação. Chegamos e o clube estava em pleno Carnaval do Hawai. Ponderei que não ia dar certo. Mas o rapaz disse que fazia parte da diretoria. Parou, então, o baile, colocou uma mesa de cadeiras no meio da quadra e lá fomos nós tocar. Terminada a primeira música, percebemos que se começássemos a segunda, ia haver linchamento. Por isso, prudentemente batemos em retirada.

Nem sei como é que fomos parar na casa da mãe da Maria Rita Khell, ali perto da praça Panamericana. Só sei que, chegando lá, enchemos a cara. Lá estava a Tutu, amiga nossa, pandeirista loura, mais o Clóvis Azevedo e outros amigos. Uma das cenas mais engraçadas foi Jonas, bêbado que nem um peru, tentando convencer Jorginho que “aquela loura do pandeiro” tinha atração por bandeiristas.

Ficamos até determinada hora e rumamos para o Alemão. Fui guiando, com Jonas do meu lado puxando conversa.

– Viu o que fiz com aquele jornalista metido a besta que estava na festa? Acabei com ele.

Concordei plenamente, porque o jornalista em questão era eu mesmo.

Depois Jonas contou o dia em que foi pegar a barcaça para Niterói, bêbado até o último. Conseguiu chegar, sentou no banco e dormiu. Aí ouviu um apito da barca saindo. Pensou que a barca já estivesse voltando de Niterói, pulou o muro e caiu no cais… para descobrir que ainda não tinha saído do Rio.

Foi uma noite divertida.

Aqui, a página do IMS com a família Ernest Dias.

A flautista Odette Ernest Dias (Paris, 1929) chegou ao Brasil em 1952 para integrar a Orquestra Sinfônica Brasileira, e aqui ficou. Para interpretar Um choro pro Waldir, de Cristóvão Bastos e Paulinho da Viola, reuniram-se neste vídeo – tocando no Rio, em Brasília, Belo Horizonte e Toulouse, na França – Odette e quatro de seus seis filhos: Andrea e Claudia (flautistas), Carlos (oboísta) e Jaime (violonista). E ainda as netas Clarice Nicioli (flautista), Bebel e Joana Nicioli (clarinetistas), o genro Raimundo Nicioli (violonista), as noras Liliana Gayoso e Luiza Volpini (violinistas), e os netos Miguel Dias (baixista e autor do arranjo) e Lourenço Vasconcellos (percussionista), com sua companheira Renata Neves (violinista).

 

 

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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2 Comentários
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  1. Anônimo

    2 de maio de 2020 11:20 pm

    Grande Odette! Ela é um patrimônio da música brasileira; deveria receber uma grande homenagem pelo seu trabalho como professora, pesquisadora e grande flautista. Além de ser de uma imensa simpatia, que o forte sotaque francês só faz reforçar. E que família!
    Eu assisti no ano passado, na biblioteca da Maison de France, no Rio, um duo com ela e o neto Lourenço no vibrafone. Ela com 90 anos, ele com 30. Fantástico!

  2. Marco A.

    5 de maio de 2020 9:15 pm

    Já me ocorreu algo parecido na barca. Parti de Niterói e, quando desci, achei que tivessem “roubado” os arranha-céus do Rio. Não percebi que tinha feito, involuntariamente, um viagem de ida e volta. Tive que fazer uma terceira, já na última barca da madrugada. Ainda bem que na Praça XV, ainda sede do mercado de peixe, tinha uma suculenta sopa Leão Veloso no balcão da Rio Minho.
    O Lourenço Vasconcellos é um tremendo baterista, trabalha em formações diversas, como a banda Relógio de Dalí, e um promissor compositor.

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