5 de junho de 2026

A relevância de Rita Lee, a rainha eterna do rock, por Luís Nassif

O casamento para toda vida foi com Roberto de Carvalho, guitarrista jovem apresentado a ela por Ney Matogrosso.

Só os adolescentes dos anos 60 e 70 podem avaliar o que foi Rita Lee e os Mutantes para a música popular brasileira. A era dos festivais legou um movimento estético em torno do que se batizou de MPB (música popular brasileira). A ditadura já tinha colocado suas botas sobre a discussão política. A energia jovem foi direcionada então para as músicas e, especialmente, para os festivais.

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Nesse ambiente, as músicas eram divididas entre “alienadas” e “participantes”. A ponto de até Chico Buarque e Tom Jobim serem vaiados, quando “Sabiá” venceu “Prá não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré.

Havia uma rivalidade explícita entre a MPB e o rock nacional, que se apresentava no programa “Jovem Guarda”.

Foi nesse ambiente que surge um rock muito mais embalado do que as toadas românticas da Velha Guarda. Surgiu especialmente através de Os Mutantes e de Lanny Gordin – o genial guitarrista que conheci em um festival em Poços de Caldas, participante de um conjunto da Rhodia, com Hermeto Paschoal e Alemão.

Nos festivais, a extraordinária liderança de Elis Regina chegou ao ponto de montar uma passeata pública contra as guitarras. Depois, como contou Rita Lee em seu livro biográfico, quando ela foi presa pelos militares, Elis invadiu o presídio, acompanhado do filho pequeno, para lhe dar apoio.

Foi nesse ambiente algo opressivo que os baianos – Caetano, Gil e Gal – resolveram romper com os preconceitos e participar do festival da Record em dois clássicos, “Alegria, Alegria”, de Caetano, com Beat Boys, e “Domingo no Parque”, de Gilberto Gil com os Mutantes.

O trio durou até 1972, mas a carreira de Rita Lee prosseguiu, sendo aclamada pelos maiores da música brasileira. Como o duo com João Gilberto em “Jou Jou Balangandans”, de Lamartine Babo.

Seu primeiro casamento foi com o Mutante Arnaldo Batista.

Mas o casamento para toda vida foi com Roberto de Carvalho, guitarrista jovem apresentado a ela por Ney Matogrosso.

Em 2020, nos presentearam com um vídeo inesquecível, ele ao piano.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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3 Comentários
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  1. EVANDRO CONDE DE LIMA

    10 de maio de 2023 8:16 am

    Nassif, durante pouco tempo foi integrante do grupo de quatro mulheres que integrava o programa Saia Justa (que virou algo inassistível). E era ótima com as tiradas.

  2. Rui

    10 de maio de 2023 9:32 am

    “Não pode ser, [isso tudo] por causa de um baseadinho? É isso? Cadê o baseadinho para eu fumar aqui agora? Eles não vêm me pegar! Vem cá, gatos, gatinhos! Ah, vão embora, não, não. Vocês não tem direito de usar a força na meninada que não está fazendo nada! Cadê o responsável? Eu quero falar. Eu tenho direito, esse show é meu, não é de vocês. Esse show é minha despedida do palco e vocês continuam tendo que guardar as pessoas, e não agredir, seus cachorros! Coitados dos cachorros… Cafajestes! Eu sou do tempo da ditadura, vocês acham que eu tenho medo?” – Rita Lee Sublime

  3. Rui

    12 de maio de 2023 1:21 pm

    Não adianta chamar quando alguém está perdido, tentando se encontrar. Mas o sujeito ouvir Nature Boy, do Nat King Cole, e logo em seguida ouvir Revolt, do Sepultura, tem a ver?

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