4 de junho de 2026

Cenas inéditas de um sarau histórico de 1993

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Semana passada recebi do Tião Cabo Verde uma gravação preciosa: a de um sarau que houve em casa no início dos anos 90.

Foi um sarau sem paralelo.

Começou elas circunstâncias. Estava sozinho em casa com a caçulinha Luizinha, quando Raphael avisou que passaria por São Paulo. Combinamos o sarau.

No sábado fomos ao seu show. No domingo, pedi ajuda das irmãs, que me mandaram um panelão de quirera e outro de feijão gordo. A Luizinha ficou incumbida de receber as visitas enquanto eu recepcionava os músicos.

https://www.youtube.com/watch?v=S8lUgwOwvKQ

A rodada começou na casa do Guttenberg, o Baiano, boêmio militante e meu vizinho. Lá estavam o seu João Macambira, na época o melhor bandolinista de São Paulo.

De lá fomos para minha casa. E as visitas começaram a chegar e não paravam mais.

Entre os músicos, o Charles da Flauta e seus irmãos, Luizinho Sete Cordas, filho e esposa, a família Macambira, Nelsinho Risada, nosso inesquecível cavaquinho, o negão Almeida, o Murilo, que fundou o Bar do Alemão. Apareceram os músicos do excelente Garganta Profunda, entre eles o inesquecível maestro Marcos Leite.

Apareceram muitos mais. O comandante Rolim trazendo com ele o Olacyr Moraes e sua Miss Brasil. E nossa turma, o Aluizio Maranhão, a Tutu, Débora, Tião.  No final da tarde apareceu a família do Raphael em peso.

Nunca se viu sarau igual. Raphael em um momento de tranquilidade esbanjando o talento gigantesco, e sendo secundado pelo gênio de Charles, do seu João Macambira, do Luizinho.

A panela de quirera não deu nem para o começo. Lá no meio da tarde, Olacyr foi flagrado abrindo a geladeira e garantindo o último cacho de uva que restava.

PS – O senhor de barbicha e cabelo branco que aparece no sofá é o grande artista plástico Maurício Nogueira Lima, já falecido.

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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8 Comentários
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  1. evandro condé de lima

    21 de setembro de 2014 11:44 pm

    Vida Dura

    Este show não em preço.

  2. altamiro souza

    22 de setembro de 2014 12:37 am

     
    craques.
     
    esse início com

     

    craques.

     

    esse início com o delicioso lamento é demais de bom, sô!

  3. Teo De Oliveira

    22 de setembro de 2014 12:41 am

    Ótimo material.
    Infelizmente

    Ótimo material.

    Infelizmente não tive chance nessa época de 

    guardar momentos assim.

  4. Erly Ricci

    22 de setembro de 2014 12:48 am

    Espetacular

    Que delícia isso, Nassif. Acabei de voltar de um bar, no Largo da Ordem, em Curitiba, onde todos os domingos tem roda de choro depois do meio-dia com uma turma de velhor chorões e seresteiros misturados aos jovens alunos e professores do Conservatório de MPB. Ali aparecem sempre músicos como Julião Bohemio, Gley e seu inseparável sax, Tiziu com seu violão de sete cordas, o pessoal do grupo Choro e Seresta (João Luis Rodrigues (pandeiro), Glay Bastos Pequeno (sax), Wilson Moreira (bandolim) e Lucas Melo (violão 7 cordas). Depois chego em casa, entro no blog e me deparo com esse momento belíssimo. Obrigado.

  5. mcn

    22 de setembro de 2014 1:57 am

    Tocava muito, o Charles!

    Tocava muito, o Charles!

  6. Nelson Brito

    22 de setembro de 2014 2:47 am

    Maravilha! Muito bom ver uma

    Maravilha! Muito bom ver uma roda de choro informal, com o saudoso Raphael arrebentando. Ótima gravação, dada as condições. Viva a música brasileira! Parabéns.

     

  7. Alessandre de Argolo

    22 de setembro de 2014 5:53 am

    Raphael Rabello, incomparável no violão

    O melhor violonista que o Brasil já teve. Que músico!

  8. Jairo de Almeida

    1 de outubro de 2014 2:21 am

    Ave música brasileira.

    Ave música brasileira.

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