Maria Callas em São Paulo e no Rio de Janeiro, por Gilberto Cruvinel

A temporada lírica de 1951 traz Maria Callas aos palcos de São Paulo e Rio de Janeiro, para inaugurar a temporada paulista no dia 28 de agosto, com a ópera “Aida”.  No entanto, devido a uma súbita indisposição da cantora, na última hora, o empresário Alfredo Gaglioti vê-se obrigado a substituí-la pela soprano Marina Greco que se encontrava na platéia.  Callas só se apresentaria no dia 7 de setembro com a ópera “Norma” e arrebatou o público paulista dois dias depois com “La Traviata” sob regência de Tulio Serafim.No Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Callas interpreta “Norma” no dia 12 de setembro. Em um concerto lírico beneficente dois dias depois, apresenta-se cantando árias de Verdi.

No Rio, Maria Callas e Renata Tebaldi chegaram a se apresentar no mesmo concerto. Houve um problema com o empresário Barreto Pinto, que preferia Tebaldi. Ela era mais calma e, bem, Callas todo mundo sabe como era. Ficou combinado que não haveria bis. Callas cantou “Sempre libera”, foi aplaudida e saiu do palco. Renata cantou “Ave Maria”, foi aplaudida e ofereceu dois bis para a plateia. Devido a esta surpresa, a fúria se instalou. Afinal, como a Renata poderia cantar dois bis e Callas não?! Callas chegou a dar dois tapas no empresário. O diretor Barreto Pinto disse para Maria que o público não gostou de sua “Tosca”, e rescindiu contrato. Assim nasceu a rivalidade entre “Callas X Tebaldi”, parte do qual foi exagerada pelos meios de comunicação. 

Posteriormente apresenta-se em “Tosca”  (24/setembro), e “Traviata” (28 e 30/setembro). Callas nunca mais cantou no Brasil. 

https://www.youtube.com/watch?v=aUKmNy4qYBM

Maria Callas canta “Vissi d`arte” daTosca de Giacomo Puccini

Orquestra do Teatro Municipal Rio de Janeiro

Antonino Votto rege

Rio de Janeiro 1951

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Fontes:

1) Artecultura Maria Callas

2) “Histórias de Maria Callas à mesa”, entrevista com Bruno Tosi, O Estado de S.Paulo

2) William Emerson – via Facebook

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