Noite Escura, poema de São João da Cruz

Noite Escura

São João da Cruz


Numa noite escura,

Ansiosa, ardente de amor,

Ó, feliz ventura!

Sai sem ser vista,

Estando minha alma sossegada.

 

Na escuridão e em segurança,

Pela secreta escada disfarçada,

Ó, feliz ventura!

Na escuridão e às ocultas,

Estando minha morada sossegada.

 

Na noite ditosa,

Em segredo ninguém me via,

Não vendo outra coisa,

Sem outro guia nem luz

Que aquele que em meu coração brilhava.

 

Esta me guiava

Mais segura que a do meio dia,

Lá onde me esperava

Quem eu bem sabia

Em lugar o qual ninguém aparecia.

 

Ó noite que me guiastes,

Ó noite mais amável que a aurora!

Ó noite que reuniste

O Amado com a amada

A amada no Amado transformada!

 

Sobre meu seio florido,

Que para Ele só se guardava,

Ficou adormecido,

E eu o acariciava,

E o leque de cedros refrescava.

 

A brisa suave da ameia,

Quando eu afagava seus cabelos,

Com sua mão serena,

E pescoço me tocava,

E meus sentidos todos avivava.

 

Imóvel, esquecida,

O rosto inclinado para o Amado;

Tudo parou, abandonei-me,

Deixando entre os lírios

Ao olvido minha apreensão.

NOITE ESCURA: Poema de São João da Cruz, Carmelita.

Loreena Mckennitt – The Dark Night of the Soul

Noche Oscura de San Juan de la Cruz / Saint John of the Cross

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