Novo livro de Roberto Corrêa retrata a retomada da viola no Brasil

“Viola caipira: das práticas populares à escritura da arte” é resultado da tese de doutorado do violeiro e professor, com mais de 40 anos dedicados à viola

Capa livro “Viola caipira: das práticas populares à escritura da arte”, de Roberto Corrêa

Jornal GGN – O músico e pesquisador Roberto Corrêa acaba de lançar “Viola caipira: das práticas populares à escritura da arte”, pela editora Viola Corrêa. A obra mostra a força da viola no Brasil, por meio da recente trajetória do instrumento, fenômeno chamado pelo autor de  ‘avivamento’ dos últimos anos.

A publicação é resultado da tese de doutorado de Corrêa na área de Musicologia da Universidade de São Paulo (USP). Com uma trajetória de 40 anos dedicados à viola, o autor apresenta uma série de acontecimentos que movimentaram artistas, produtores, plateias, pesquisadores, mídia, luthiers – profissional especializado na construção e no reparo de instrumentos de corda -, responsáveis pela criação de uma nova cena para a viola, principalmente, a partir de 1960.

“A expansão do uso da viola no Brasil, a partir da década de 1960, em diferentes cenários musicais, em diferentes camadas sociais e em diferentes gerações, caracteriza de fato um avivamento, um momento histórico para o instrumento”, conta o autor na introdução da obra, com sete capítulos.

Corrêa se desdobra sobre os três principais ofícios da música: a composição (poíesis), a interpretação e execução (práxis) e a musicologia (theoria). No livro estão os temas que sempre estiveram em sua prática musical. “O nosso objetivo é mostrar o percurso da viola caipira, das práticas musicais populares, incluindo as tradicionais, à escritura da arte, identificando as ações que nortearam sua grande difusão em um movimento cultural que teve início na capital do estado de São Paulo e se alastrou por todo o país”, explica o autor ainda na introdução.

No capítulo introdutório, Corrêa também indica as linhas mestras de sua tese e faz questionamentos acerca de sua própria prática como artista: “que música é essa que eu faço? Música caipira? Música caipira contemporânea? Música caipira erudita?”.

“O panorama da viola no Brasil como prática musical: no tempo, no espaço, no tipo”, é a temática do segundo capítulo. O autor traça um histórico da viola no país desde os tempos coloniais e mostrar os tipos de violas de corda do Brasil, como a viola caipira, viola-de-samba, viola caiçara, viola-de-cantoria, viola nordestina,  viola-de-cocho e viola-de-buriti.

Questões sobre a figura do caipira estão retratadas no terceiro capítulo, “A viola do caipira: preconceitos, região, características, modelos, música”, em que o autor conta a história da palavra caipira, com preconceitos e novas representações, chegando a se auto-denominar um “caipira contemporâneo”.

Já “As práticas musicais do caipira: os fazeres tradicionais e os novos fazeres” é o título do quarto capítulo, em que Corrêa trata os aspectos gerais de algumas das práticas musicais tradicionais, sobretudo a Folia de Reis. O autor também refaz a trajetória da música do caipira na indústria fonográfica e relembra a primeira gravação da história da música caipira, feita por Cornélio Pires, em 1929.

“O avivamento da viola caipira”, propriamente dito, compõe o quinto capítulo, de título homônimo. Corrêa retrata os acontecimentos da década de 1960, como a criação do pagode-de-viola, o primeiro disco long-play de viola instrumental, a viola de volta aos grandes centros urbanos e as orquestras de viola como grandes agentes para este “avivamento”. O sucesso de duplas caipiras como Tonico e Tinoco, Tião Carreiro e Pardinho e outras também contribuiu com o fenômeno, segundo o autor. O capítulo também apresenta o “estabelecimento do avivamento”, com acontecimentos a partir de 1980.

No último capítulo, “A escritura da arte”, o autor mostra como a primeira notação musical dedicada à viola, feita por Theodoro Nogueira, em 1962, contribuiu para o “avivamento” a que ele se refere. E como a notação adotada a partir dos anos 80 contribuiu para uma formação de repertório, além de registrar o que antigamente era somente passado de geração em geração pela tradição oral.

Entre informações próprias e análises, Roberto Corrêa evidencia a viola em suas diversas facetas continua na história, dinâmica e viva, pelo Brasil.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Leia também:  Brasil pode crescer muito mais com a Amazônia em pé e não queimada, defende Ricardo Abramovay

2 comentários

  1. Roberto Correa foi meu professor de física no Centro Educacional 07 de Ceilândia, DF.
    Isto deve ter sido em 1984.
    Disse na sala que tocava viola. Eu olhei e pensei: falastrão. Não deve tocar nada.
    Alguns anos depois, assisti a shows dele por aqui e mudei de ideia.

  2. Roberto Corrêa foi meu professor de física no Centro Educacional 07 de Ceilândia, DF.
    Isto deve ter sido em 1984.
    Disse na sala que tocava viola. Eu olhei e pensei: falastrão. Não deve tocar nada.
    Alguns anos depois, assisti a shows dele por aqui e mudei de ideia.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome